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domingo, 29 de dezembro de 2024

Postagem anual - 2024

Final de ano chegando e vejo uma sugestão de vídeo no YouTube sobre sentimento de vazio de final de ano. Os últimos dois anos têm sido muito bons para mim e estava tentando me lembrar que sentimento era esse. 

Tenho tudo o que gostaria? Com certeza não. Gostaria que minha família estivesse bem. Até comentei com familiar que ironicamente dessa vez eu sou a pessoa mais estável emocionalmente da família. Justo eu que passei anos sofrendo com ansiedade. Mas sofro cada vez que preciso lidar com dramas familiares, com questões que por mais que eu ajude não consigo resolver. E simplesmente, e esse é um mal dos ansiosos, porque não tenho controle de tudo. 

Gostaria também de ter tido histórias para contar sobre romances. Até saí com duas mulheres nesse ano, mas não rolou nada. Transar? Parece bizarro, mas já são 8 anos sem. Sei que não é normal e às vezes até penso em pagar por isso. Mas sinto tão culpado de me sentir desrespeitando uma mulher que logo desisto. Sei que uma hora eu vou passar por cima disso.

Financeiramente posso dizer que estou bem dentro do que preciso materialmente. Vida de empregado público tem seus muitos benefícios. Depois de muitos anos, eu paguei férias pra mim e até embarquei num cruzeiro. Foi incrível.

Esse ano me dediquei mais ao esporte, firme na academia e nas corridas de rua. Acho que isso tem contribuído para o meu bem estar atual e talvez por isso tenha lidado melhor com as coisas que faltam.

Vejo que nesse final de ano tenho estado menos "emocionado" quando conheço alguma mulher. Não é uma mudança total, mas vejo que me preocupo cada vez menos se tal mulher vai gostar de mim. E isso me torna menos carente por atenção, deixando as coisas mais leves e sem obrigação de saber se vai rolar ou não. Quem sabe isso me tire do zero em 2025...

Tenho me curtido mesmo. Acho que se superar no esporte tem trazido isso de bom para mim e penso que melhora meu relacionamento com as pessoas. Espero continuar com esse espírito por muito tempo.

Ah, em fevereiro próximo serão 6 anos sem recorrer a um ansiolítico. Que continue assim.

Vou tentar postar mais vezes. Nem tudo falo na terapia e aqui é um ótimo lugar para organizar meus pensamentos ou botar pra fora mesmo.

 

domingo, 5 de novembro de 2023

Nada é definitivo na minha vida

Tanto tempo sem escrever aqui, mas ando relativamente bem. Tem faltado inspiração e às vezes tempo mesmo.

Estava relendo a minha última postagem aqui, onde contava que tinha voltado para uma cidade e estava com um emprego novo com ótima remuneração. Cá estou eu novamente para contar que mudei de cidade e estou com um emprego novo. Sim, é isso mesmo.

Fui convocado em um concurso que fiz nesse ano e resolvi aceitar vir, mesmo sabendo que meu salário será menor do que estava ganhando antes e estou muito mais longe da minha família. Mas o fator estabilidade me fez tomar essa decisão. Tenho mais de 40 anos e sei que qualquer empresa privada, por melhor que seja, não terá o menor problema de cortar pessoas se isso lhe trouxer vantagens. 

A cidade em que estou não é nova pra mim. Morei aqui há cinco anos atrás e só fui embora porque precisava me dedicar a minha vida acadêmica e queria ficar mais perto da família. Sempre gostei daqui, mas não imaginava que fosse voltar um dia.

Lembro que, quando fui embora daqui, me bateu uma certa tristeza por estar mudando de novo. Tanta coisa aconteceu nesses cinco anos. Alcancei o que queria na carreira acadêmica, paguei muitas dívidas, tive ótimos momentos e acho até que estou hoje bem mais tranquilo do que estava há cinco anos atrás.

Quando vi o edital desse concurso, tinha vagas em duas cidades: a que eu estava antes e a maioria na cidade em que estou agora. Me inscrevi quando ainda estava sem emprego. Aí veio o emprego e deixei de lado esse concurso. Aí, um dia antes da prova, resolvi fazer e deixar para decidir depois caso fosse aprovado.

O que não contava é que a prova estava relativamente tranquila para mim. Longe de mim me gabar, mas o fato é que a prova privilegiou dois grupos: aquelas pessoas que estudaram muito e aquelas com muita experiência na área. Como sou do segundo grupo, fiz a prova sem problemas e estava na primeira lista de chamada. 

Quando veio a carta de convocação, estava lá o nome da cidade que eu achei que não fosse voltar. Então voltei e venho relembrando como era boa a vida aqui. Não digo que é perfeita, porque falta a minha família. E justamente por isso, não sei se essa vai ser a última cidade que morarei.

Com a experiência de quem já morou em seis cidades diferentes e com mais de 10 mudanças entre elas nessas mais de quatro décadas de vida, tenho certeza que nada na minha vida é definitivo. Hoje estou aqui, mas onde estarei daqui a cinco anos? 

domingo, 26 de março de 2023

Nova vida em 2023

Março chegando ao fim e só agora consegui escrever aqui. Nem foi tanto por falta de vontade, mas esse início de ano está bem corrido.

Mudei de cidade de novo. Na verdade, voltei para onde estava até final de 2021. De certa forma, era uma volta esperada que foi antecipada por questões familiares. Nada ruim, e sinto que eu precisava desse "empurrão" para sair do momento um pouco sabático que passei em 2022. 

Entre meus planos para 2023, estava conseguir uma boa remuneração. Consegui um ótimo emprego e estou bem animado. Depois de tanto tempo longe do mundo corporativo, algumas coisas parecem novas e outras nem tanto. 

Com essa onda de demissões em massa, não consigo parar de pensar que um dia pode chegar até a mim. Minha meta é me segurar nesse emprego até o fim do ano, ao menos. Com isso, consigo zerar meu passivo financeiro e finalmente, depois dos 45, ser livre. 

Claro que meus planos sempre são atrapalhados por gastos que não queria fazer, como troca por um óculos novo e mudança de moradia. Mas não tem jeito, "quem quer rir tem que fazer rir". 

Estou com muitas ideias de negócios, paradas desde meu último grande projeto acadêmico. Mas preciso ter paz em casa para poder trabalhar nesses projetos e melhorar minha visão para enxergar de perto. Tudo isso implica em gastos que invariavelmente impactarão minha intenção de quitar dívidas e fazer um bom pé de meia.  

De qualquer forma, me sinto mais no controle do meu futuro do que estava há um ano. E isso é uma coisa ótima, mais do que as outras vitórias que vieram nesses meses, frutos de quatro anos de trabalho duro.

Postagem positiva, ao contrário das minhas últimas. Hoje nem quero falar de coisa ruim, apenas desfrutar do momento que é bom na minha vida. 

terça-feira, 27 de setembro de 2022

O que eu faria se tivesse 30 anos de novo

Antigamente era mais comum as pessoas escreverem suas reflexões na tal da blogosfera e, de certa forma, era um ponto de encontro de pessoas nessa espécie de terapia em grupo assíncrona. Hoje não sei onde as pessoas escrevem sobre a vida. Talvez, com as redes sociais, escrever tenha saído de moda e tudo se resuma a imagens + frases de efeito para ganhar curtidas e ter o tal do engajamento.

Algumas pessoas guerreiras ainda insistem em continuar aqui e sempre procuro ler, como o amigo Skull. Inspirado em uma de suas postagens, resolvi escrever sobre algo que vira e mexe toma conta dos meus pensamentos: o que eu faria de diferente se pudesse voltar atrás. Geralmente isso acontece quando me encontro insatisfeito com o presente e desanimado com o futuro. Mal de ansioso é viajar no tempo, né?

Já passei dos 40 e parece que tudo anda mais rápido agora. Há 20 anos atrás eu mal tinha terminado a faculdade e estava no começo da minha carreira atual. Quando penso em 20 anos para frente, percebo que serei idoso e isso sempre me deixa mal, pois não alcancei nada que pretendia para a minha idade atual e morro de medo de envelhecer sem ter boas histórias para lembrar.

Mas falando do passado e aproveitando o número que o amigo Skull colocou em sua postagem...

Lembro-me que quando completei 30 anos eu estava estável financeiramente e com menos dívidas do que tenho hoje. Tive uma oportunidade profissional em outra cidade que me permitiria zerar todo o passivo e fazer um bom pé de meia. Era um projeto inicial de meses que virou um emprego durante 3 anos. 

Quitei algumas dívidas na época, é verdade. Mas perdi a chance de fazer melhor porque não cuidei do meu dinheiro. Se soubesse na época o que sei de investimentos hoje, certamente dinheiro não seria um problema para mim no momento. Para ilustrar, eu ganho hoje 60% do que ganhava naquela época e mesmo assim hoje eu consigo investir. E olha que nem estou aplicando correção monetária, ou seja, em valores corrigidos eu ganhava naquela época algumas vezes mais do que ganho hoje.

O que fiz de errado e que conselho eu daria para o eu de 30 anos: guarde o máximo que puder. Viva com dignidade e faça contas o tempo todo para não perder dinheiro. O emprego bom pode acabar uma hora, mas quem cuida do dinheiro com inteligência dificilmente passará aperto a médio prazo.

Hoje tem milhares de canais sobre investimentos, mas naquela época não era raro também. Então eu teria investido meu tempo em estudar sobre como valorizar meu dinheiro. Aprender para aproveitar oportunidades que só aparecem para quem está com dinheiro em caixa. 

Um exemplo: logo no início desse emprego, eu vi um anúncio de um empreendimento imobiliário perto de onde eu morava. Era algo bem tranquilo para eu pagar, mas pensei na época: "ah, não vou ficar aqui muito tempo, não tem porque investir". Resultado: três anos depois eu ainda estava no mesmo lugar e o prédio estava construído. Mesmo que eu não tivesse intenção de morar lá, teria valorizado muito meu dinheiro ou, no mínimo, teria algo que anseio hoje: um teto pra chamar de meu.

Eu olhava a vida a curto prazo e não pensei no futuro. Se tivesse pensado, teria aplicado a maior parte do que recebia, já que não tinha grandes custos para me manter. Hoje poderia estar com um apartamento, talvez vivendo de aluguel e/ou com ótima carteira de investimentos. A vida passa muito rápido e, se hoje meus principais problemas são emocionais, é possível que daqui a 20 anos eu tenha outros problemas que dependam muito mais de ter dinheiro, como saúde e moradia. 

Outro conselho que daria para o eu de 30 anos: viva sem medo de ser feliz. Eu morava numa cidade onde as pessoas passam férias e com muita coisa para fazer de dia e à noite (especialmente). Passei 3 anos praticamente no esquema casa-trabalho e fui me envolver com mulheres quando já estava no final desse período. E olhe que tinha muita mulher onde eu trabalhava, o que garante no mínimo uns bons contatos. O cara de 30 anos não está fora do mercado tanto para as mulheres dos 20+ quanto para as mulheres dos 30+. Mas com 40+ vc já vira o cara "idade para ser seu pai" para as de 20+. As de 30+ provavelmente já estarão casadas. Então, eu teria aproveitado muito, mas muito mais, meus 30 anos se soubesse que o mercado estaria tão restrito para mim quando passasse dos 40+.

Falando em mercado restrito, o mesmo se dá na questão de emprego. Tudo bem que na minha área o que se sabia há mais de um década atrás não vale muita coisa hoje. Mas uma coisa não mudou e acho que não mudará nos próximos 20 anos: inglês. Até tive umas aulas de inglês quando estava com meus 30 anos, mas teria investido muito mais em ficar fluente. Hoje, eu não dou match em muitas das vagas do LinkedIn simplesmente porque não falo inglês. Fora que perco todas as oportunidades de trabalho remoto com empresas de fora porque meu inglês é intermediário. Imagine quanto eu ganharia com o dólar do jeito que está...

A tecnologia da moda naquela época é totalmente diferente do que se valoriza hoje e o que se valoriza hoje certamente será substituído por outras coisas daqui a 10 anos. Mas saber falar inglês continuará a ser fator decisivo, não tenho a menor dúvida. 

Acho que faria muito mais coisa diferente se eu tivesse 30 anos de novo, mas "só" esses três pontos que coloquei certamente deixariam a minha vida mais tranquila hoje e com boas lembranças para contar. 

Conseguirei tirar o "atraso" em algum desses pontos mesmo depois dos 40? Ou o que fazer para aproveitar melhor essa década? A pensar. Talvez a resposta esteja no mesmo conselho que eu daria para o meu eu de 30 anos: 1) aproveite para fazer agora aquilo que será mais difícil daqui a 10 anos; 2) garanta agora as condições para ter tranquilidade quando tiver as restrições que aparecem com a idade.


segunda-feira, 20 de junho de 2022

Quando isso vai acabar?

Já vamos para 4a dose para pessoas da minha idade e sem perspectiva disso acabar. Diria que a vida já voltou ao "normal", mas não consigo ver normalidade em conviver com o medo de uma doença. Quer dizer, o medo de ficar doente é "normal" para mim, mas com a covid parece bem pior.

Temo não apenas por mim, mas principalmente pelos meus familiares. Escuto minha mãe tossir e já me bate um desespero. Será que ela pegou dessa vez? Cada sintoma dela fico sempre me perguntando isso. Acho que ela pegou no fim do ano passado, mas reinfecção tá normal em curto prazo com essa variante.

Fico pensando em mil possibilidades e tento mostrar pra mim mesmo que logo iniciaremos a queda dos casos, como tem sido nas demais ondas. Isso me dá esperança que teremos em breve uma nova fase de calmaria. É assim que tenho vivido, momentos de tensão alternando com momentos de relativa tranquilidade.

Eu tenho me exposto mais do que o normal e isso tá me deixando pior. Complicado continuar trancado em casa, até porque tenho assuntos que não posso adiar mais. Ou poderia?

Quando tive covid em janeiro, diria que fiquei até feliz com o resultado positivo do exame. Naquele momento eu sabia que teria uma folga da doença por um tempo. Essa folga passou e cá estou eu pensando na doença o tempo todo. 


sexta-feira, 6 de maio de 2022

Não somos uma ilha

Sempre fui meio sozinho na vida, seja na escola, faculdade ou trabalho. Mesmo que participasse de  alguma roda, o fato é que nunca me senti parte de nada. Não tenho explicações dos motivos, só sei que sou assim. Lembro uma vez que um colega da escola falou sobre mim: "você é muito fechado". Falo da visão de alguém sobre uma criança de uns 12-13 anos.

Ando mais isolado de contatos com outros seres humanos e nem é por causa da covid. Agora que a circulação parece mais "normal", tive uma lesão no joelho que me impede de movimentar sem ajuda das muletas. Como estou morando em local com escada, tem 30 dias que eu não saio de casa e serão mais uns 25 nessa rotina.

Mas essa restrição temporária tem lá seus benefícios. Tenho refletido muito, pensando na vida e lidando com as minha dores. Embora esteja na casa da família, esse tempo praticamente preso no quarto tem me mostrado como sou uma pessoa solitária. Por mais que isso me deixe triste às vezes, estou aceitando que a minha vida é assim.

Existem coisas que acontecem que não posso desabafar com ninguém. Eu acabo sabendo dos problemas de todos à minha volta, mas tenho que guardar comigo para manter um pouco de paz. Acabo sendo o repositório de assuntos que não são meus, como se eu não tivesse os meus próprios. Não falo de uma perna quebrada ou dívidas para pagar, mas desse vazio que é a minha verdadeira companhia plena. 

O isolamento forçado poderia ser uma forma de buscar uma cura ou ao menos um alívio para tudo isso, mas eu não consigo ficar alheio ao que acontece aqueles que amo ou ao mundo. Não me pedem ajuda, mas eu preciso me meter para fazer algo toda vez que vejo uma coisa muito errada. Talvez assuma carga excessiva nas questões alheias, mas como ficar inerte se eu sei o que fazer para resolver a situação?

O resultado é que estou bem esgotado e ainda tenho um doutorado pra terminar, além de ter que definir muito em breve a minha vida profissional pelos próximos anos. Os próximos meses não parecem ser mais tranquilos, muito pelo contrário. Além de tudo estamos em um ano eleitoral e o sentimento que isso não vai acabar bem. Como ignorar isso?

Ainda assim é um ano de muitas vitórias pra mim. Mas por que estou desejando tanto descansar de tudo ?

Tenho pensado cada vez mais em tirar uns tempos para não fazer absolutamente nada. Na verdade, queria ver o mundo. Tem gente que chama isso de ano sabático, mas é um luxo que meus erros passados não me permitem. 

De qualquer forma, preciso mesmo de descanso para avaliar o que realmente importa. Tenho corrido  e lutado tanto por motivos que nem sei explicar direito. No início do vídeo abaixo, o Mike Posner faz uma reflexão bem legal sobre vida e morte. Tenho pensado muito sobre tudo isso.





domingo, 13 de fevereiro de 2022

Pós-covid

Essa semana faz um mês dos primeiros sintomas da minha infecção da covid. Diria que o pior foi o psicológico do que a parte física. Tive alguns sintomas bem leves nos primeiros dias e só. O pior para mim tem sido a sensação dos possíveis efeitos pós-covid. É natural que alguns sintomas fiquem por um longo tempo, mesmo a infecção sendo leve.

Comigo, qualquer coisa que aparece eu fico me perguntando se é sequelas da covid ou outras causas. Algumas dificuldades respiratórias que lembram muito sinusite aparece de vez em quando. 

Nos primeiros dias, quando vi que seria um quadro leve, eu fiquei muito relaxado. Até fui a praia, coisa que não fazia há mais de dois anos. Entrei em comércios, outra coisa que não fazia tinha muito tempo. Sempre com aquele cuidado que as pessoas podem até estranhar, mas pelo menos dei esse passo de entrar em um local fechado. 

Mas foi só isso que fiz. Fico com medo da reinfecção que, mesmo não sendo comum em curto prazo, pode acontecer. 

Aí qualquer sintoma físico eu já acho que é a doença de novo. Meu relativo relaxamento logo após os 10 dias dos sintomas já sumiram praticamente e estou quase tão preocupado quanto antes de pegar. Fico vendo as pessoas pela rua sem máscara e fico com inveja. Queria ser mais tranquilo e não ficar tão preocupado, embora ainda ache que as máscaras são necessárias.

Mas queria me livrar dessa vigilância constante das sensações corporais. Será que um dia isso vai acabar?

 

quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

COVID-19: chegou a minha vez

Quase dois anos depois, eis que recebo o resultado: "detectado". Fiquei um pouco ansioso hoje, é verdade, mas já estava aceitando que estava infectado desde o início dos sintomas, no domingo. Acho que no primeiro dia eu fiquei pior (fisicamente e psicologicamente). A medida que os sintomas se mostraram não diferentes de um resfriado leve, fui ficando menos tenso. 

Ainda é cedo pra declarar vitória, eu sei, mas espero que meu maior incômodo com a covid seja aquele cotonete no meu nariz.

Analisando todos os dados e lendo os relatos, eu já tinha aceitado que meu dia chegaria mais cedo ou mais tarde. Sou considerado por muitas pessoas alguém que exagera nos cuidados. Pois é, e aqui estou eu também entre as dezenas de milhões de brasileiros.

Com tudo que estava lendo, eu sabia que seria muito difícil me livrar de uma variante tão contagiosa assim. Não posso afirmar 100% que seja a tal, mas com mais de 95% de positivos nos testes por aqui, acho difícil que não seja. 

O mais curioso é que peguei sem sair de casa. Não saía de casa desde o final de 2021. Mas acontece, nem todo mundo pode se prender em casa que nem eu e posso ter pego de familiar ou de algum entregador. O fato é que esse tipo de especulação não me ajudará a ficar melhor, no máximo para ilustrar o quão fácil está de pegar essa variante.

Quando comecei a desconfiar que estava infectado, um lado meu estava torcendo para o teste dar positivo. Porque estar positivo significa que estou livre de pegar de novo por um mês, sendo conservador. Isso não quer dizer que vou chutar o balde, mas me dá um certo tempo para tratar de coisas externas. 

Estou bem e espero que continue assim. Claro que ando observando cada sensação no corpo, mas nada que me preocupe tanto.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Cansaço

Estou tão cansado. Não o cansaço de quem anda trabalhando muito. Nesses dias estão sendo muitas horas de trabalho, mas nada que eu não tenha feito muitas vezes antes. Acho que tenho preenchido meus dias com muitas tarefas justamente para não pensar muito, o que poderia ser curioso, já que minhas atividades são essencialmente intelectuais.

Mas o cansaço que realmente me incomoda é outro. Estou cansado de ser eu. 

Cansado de sentir tudo o que eu sinto diariamente, coisas que foram tão agravadas nessa maldita pandemia. Isso tirou tanto de todos nós, vidas e tempo que nunca recuperaremos. Para pessoas como eu, serão marcas que carregaremos até os últimos dias.

Queria ser diferente, simplesmente apertar o foda-se. Mas eu não consigo, passo os dias preso aos meus pensamentos que não me deixam em paz.

Nas minhas orações diárias, a única coisa que peço para mim é para encontrar paz. 

Eu que quis tanto, que briguei por tanto, que corri por tanto, agora só desejo paz em meu coração. 

Porque estou muito, muito cansado de não viver em paz.


sábado, 1 de janeiro de 2022

E vamos para mais um ano

Diferentemente de 2020, passei essa virada com minha mãe. Finalmente consegui criar coragem e vim para a casa dela no final de novembro. Acredito que, sem querer, escolhi a janela perfeita para encarar a longa viagem dentro de um ônibus. Se tivesse enrolado duas semanas a mais, a coragem iria embora diante do surgimento de mais uma variante e também da epidemia de gripe que explodiu na minha cidade e aqui.

Em um ano tão difícil, especialmente no primeiro semestre, pude me dar esse presente: estar com minha família. Ainda não consegui ver meu irmão, mas o fato de ter visto a minha mãe, irmã e a mais nova integrante da família foi o ponto alto desse ano que passou.

Nesse pacote também pude rever o mar. Cada vez que venho para cá fico me perguntando porque ainda moro em cidade grande. Claro que aqui tem problemas, mas poder ver o mar todo dia compensa tudo. Sempre que venho para cá fico refletindo que deveria achar um jeito de alinhar minhas expectativas acadêmicas com os benefícios de morar nesse paraíso.

Ou, quem sabe, reconhecer que não posso ter as duas coisas e escolher o que realmente eu quero da vida. 

Naquelas reflexões de final de ano, acho que esse é O grande ponto. Se por um lado, vejo que tenho avançado em pontos importantes estando lá, por outro tem o sentimento que a vida é muito curta e preciso aproveitar agora. 

Apesar do primeiro semestre muito ruim, o ano em si foi positivo. Voltei a fazer terapia, avancei muito na quitação da minha maior dívida e até comecei a guardar um pouco para o futuro. Nesse segundo semestre procrastinei muito menos também. Embora não hajam certezas, os planos profissionais para os próximos dois anos estão delineados e com isso a boa expectativa de manter o fluxo financeiro normal.

Os fantasmas que me assombram ainda estão comigo todos os dias. Mas, quando consigo focar no que tenho que fazer ou simplesmente curtir a vista do mar, parece que tudo fica estável. Queria ter sempre comigo o sentimento que tive na primeira vez que vi o mar depois de tanto tempo. Foi uma alegria tão grande que praticamente não apareceram os pensamentos pandêmicos. Eu simplesmente desfrutei.

Sei que tem muito mais a ver com o que tenho dentro de mim do que com a vista maravilhosa. Talvez eu precise encontrar em mim essa capacidade de desfrutar mesmo estando na selva de pedra. Mas penso muito em como seria boa a minha vida se eu pudesse morar aqui. Estaria perto da minha família e numa cidade maravilhosa. Só faltaria pagar as contas. Na minha área profissional existem possibilidades mesmo eu tendo mais de 40, é verdade, mas não sei se é com isso que quero trabalhar. O mundo acadêmico me abriu horizontes com que me identifico muito mais do que o mundo corporativo. 

Há coisas a decidir e logo. Parece que agora o relógio anda mais rápido do que quando eu estava na casa dos 20-30 anos. Talvez por saber que escolhas implicam em renúncias, o que preciso para 2022 é decidir o que quero da minha vida. 


domingo, 14 de novembro de 2021

Histórias de amor

Acho que nunca usei tanto YouTube quanto nessa pandemia. Sempre fiquei muito conectado na plataforma, mas estar em casa 24 hs por dia me fez usar ainda mais. E, numa das minhas andanças pelo YouTube, acabei ficando viciado numa novela. Sim, uma novela. Novela como outra qualquer, mas, por alguma razão, a história de amor dos protagonistas mexeu comigo de uma forma que fiquei triste quando a novela acabou. 

Fiquei dias tentando entender porque eu estava sentindo aquele vazio, mas acho que hoje consigo entender um pouco. O romance dos dois protagonistas me fez sentir coisas que tem muito tempo que não sentia e o fim da novela foi como o fim dos sentimentos diários que a novela me trazia. Algo como aquele vazio característico após o fim de um namoro.

Estive tão envolvido com a história, que passava todas as partes que não tinham os dois protagonistas e praticamente apenas assisti as cenas dos dois. Revi algumas vezes as cenas mais importantes: primeiro beijo, pedido de casamento, casamento, brigas, volta, etc. 

As sensações dessas cenas talvez tenham me lembrado sensações que vivi nas minhas histórias de amor. Não foram muitas e não tão profundas como na ficção, mas estão no meu passado. E aí me lembrei como é bom viver histórias assim. Não falo daquela coisa de conhecer alguém, beijar e tchau. Até porque isso na minha vida foi quase nada.

Me refiro a histórias onde se conhece alguém, os primeiros contatos, aqueles sentimentos de "será que ela se interessa por mim?", as tentativas de se aproximar até que finalmente acontece algo. Sinto falta dessas sensações, das incertezas, de pensar em alguém o tempo todo, em formas de agradar, da sensação do toque, do beijo...

Pode ser carência, mas não sinto falta apenas de coisa física. Lá se vão 5 anos desde o último beijo e transa, mas sinto falta mesmo de viver um romance com todo o seu caminho. Queria me apaixonar novamente, mesmo sabendo que o caminho das histórias de amor não são sempre repleto de flores. Queria ter essas sensações de volta, pelo menos mais uma vez.

Parei de acreditar que vou encontrar a "certa", como o Ted Mosby,de How I met your mother, mas realmente queria sentir essas coisas de novo. Até andei navegando pelos apps de encontros, quem sabe seja algo que farei mais na vida pós-pandemia. O fato é que a vida é muito curta e não é ficando trancado no meu mundo que vou encontrar isso de novo fora do mundo da ficção.


sábado, 16 de outubro de 2021

Se eu pudesse voltar atrás (2)

Li, num livro sobre budismo, que a principal causa do sofrimento é o apego. Olhando para trás na minha vida, vejo o quanto essa afirmação encontra fatos que a corroborem. Apego nem sempre tem a ver com pessoas ou coisas, mas pode até estar relacionado a uma posição profissional, um "nome", etc. Na questão profissional, o apego não me trouxe apenas sofrimento, mas uma dívida imensa que eu pago até hoje e que estará comigo por mais uns dois anos.

No início da vida profissional de quem vai para a faculdade o normal é começar aos poucos, com estágios nos quais vamos adquirindo experiência. Depois disso, aparecem empregos melhores e cada um pode ir subindo na carreira. Pelo menos é isso que normalmente acontece com quem estuda onde eu fiz faculdade. Mas quem disse que as coisas são normais na minha vida?

Não sei da vida de todo mundo que estudou comigo, mas sei que a grande maioria está em cargos de destaque em grandes empresas ou faculdades. Alguns até fundaram empresas que hoje são sucesso e todo mundo fala. Esse é o caminho natural de quem estuda onde eu estudei. Não para mim.

Desde o primeiro semestre eu já trabalhava, pois era como conseguia me manter numa cidade longe da família. Mas era um trabalho na própria faculdade e isso não atrapalhava meu tempo para estudar. No segundo ano, me envolvi com atividades estudantis não-remuneradas. Apesar de não ganhar dinheiro, aprendi muito sobre postura profissional e fiz uma rede de contatos que tenho até hoje. 

Qual foi o problema então?

O problema, como em qualquer coisa na vida, foi o excesso. Eu estava mais comprometido com essas atividades do que com as aulas e isso explica porque demorei tanto a me formar. Teve um semestre que eu fiz apenas 10% dos créditos de disciplinas esperadas no semestre. Além disso, como acabei tendo uma posição de destaque nessa atividade, eu procurava me dedicar mais do que todo mundo apenas para mostrar que eu era o melhor. Não tinha esse tipo de medida, mas eu gostava de pensar que eu era o destaque.

No terceiro ano de faculdade, eu comecei um estágio remunerado na minha área e ainda mantinha essas atividades estudantis. Que tempo sobrava para estudar? Nenhum.

Neste estágio eu logo me desenvolvi muito rápido e alcancei uma certa posição de destaque na empresa. Ali meu espírito competitivo também estava presente e eu não queria perder meu destaque quando outros "competidores" entraram na empresa quando ela cresceu. Então tentava fazer o máximo possível e sofria porque não conseguia ser o mesmo destaque de antes, quando a empresa era pequena. Ao mesmo tempo, eu estava no meu "casamento" conturbado e isso de certa forma afetava meu desempenho profissional.

Naquela época muitos colegas estavam abrindo empresas. Era o boom dos negócios de Internet no Brasil e logo surgiram possibilidades para mim também. Eu estava tão apegado a ideia de ter uma posição de destaque que não pensei duas vezes quando surgiu a oportunidade de abrir uma empresa com outros colegas. Na nova empresa eu seria um dos donos e isso fazia bem para a minha vaidade, já que no estágio que eu estava não tinha mais esse destaque.

Então larguei uma empresa que me pagava razoavelmente bem e fui abrir a minha. Quando olho para trás, vejo que essa foi uma das minhas grandes burradas. Enquanto meus sócios tinham uma certa reserva financeira, eu comecei na empresa nova sem nada no bolso. Ou seja, saí de uma situação que tinha salário para outra que não sabia quando ia ter salário. A vaidade me deixou tão cego que não fiz as contas simples que qualquer pessoa faria na situação.

Enquanto isso, boa parte dos meus colegas de turma estavam crescendo em seus empregos ou arrumando outros melhores. Para muitos deles já estava perto do final do curso e era mais fácil conseguir bons empregos. Não para mim, pois estive tão envolvido em atividades extracurriculares que me formaria dois anos depois dos outros.

O primeiro ano da empresa foi bem complicado. Os trabalhos que pegamos estavam demorando a nos pagar e as contas não paravam de acumular. Nesse ano eu recebi o primeiro aviso de despejo da minha vida e as coisas estavam muito ruins. 

Ainda era uma época que era fácil conseguir outro estágio, já que as exigências para estagiários é bem menor do que empregados. Bom, pelo menos era assim antigamente. E estudar numa instituição de ponta abria muitas portas para mim. Mas, mesmo assim, nem passava pela minha cabeça fechar a empresa e voltar a ter salário.

No final do primeiro ano, meus outros sócios, quase que ao mesmo tempo, decidiram sair da empresa. Suas reservas financeiras tinham acabado e fica difícil recusar ofertas de trabalho numa situação dessa. Vejo muitas histórias de empreendedores, mas normalmente as coisas são muito romantizadas. Na prática, sem ter um respaldo, era natural que meus sócios não resistissem às ofertas que apareciam, já que nossa empresa mal tinha rendimentos e as coisas não estavam dando certo.

Qual seria a escolha natural ali? Fazer o mesmo que meus sócios e voltar para o mercado de trabalho. Mas aí não seria eu, né?

Então, resolvi continuar com a empresa só eu. Na minha cabeça, bastava eu terminar os projetos pendentes e o dinheiro que entrasse seria suficiente. Além disso, contava o fato de que eu não queria assumir que tinha fracassado e não queria sair da posição de dono para voltar a ser um estagiário. 

Assim a empresa continuou por mais 11 anos, comigo lutando sozinho boa parte do tempo para ter projetos. Na melhor época, cheguei a ter quase 10 estagiários. Nos últimos 6 anos da empresa, quando as coisas fracassaram de novo, a empresa voltou a ser só eu, sem escritório e comigo trabalhando de casa ou atuando em clientes. Em um cliente cheguei a ficar por 3 anos diariamente, era quase como um emprego.

O fato é que fora esses 3 anos, a maior parte do tempo a empresa era só aperto financeiro. Eu mal conseguia pagar minhas contas e deixei de pagar impostos. Entre pagar o aluguel/comer e o imposto, era uma escolha muito fácil. Foram muitos anos vivendo assim e até hoje estou pagando todas as dívidas que eu fiz nessa época.

Por que não fechei então?

Estava tão apegado a ideia de ser dono, de ser destaque, que não enxergava o óbvio: assim como meu casamento, a empresa iria naufragar mais cedo ou mais tarde. Eu não queria admitir que tinha fracassado e ainda queria ser o "dono". Quando estive no momento mais terrível da minha vida, parei com tudo e voltei ao mercado de trabalho. Mas aí o prejuízo já tinha sido muito grande, não só financeiro.

Com esses anos todos tentando fazer a empresa funcionar, eu envelheci e o pior: fiquei desatualizado. Isso na minha área é fatal. Se quando estava na faculdade era fácil conseguir estágio, com 36 anos de vida e desatualizado nas tecnologias tudo era mais difícil para mim. 

Fiquei tão apegado a ideia de ser empresário que descuidei de tudo. Uma pessoa muito sábia me disse, bem no início da minha empresa, que eu não deveria deixar de lado a minha empregabilidade. Mas o apego a um navio afundando me fez esquecer desse conselho. Resultado: tinha 36 anos de idade quando parei com a empresa, com inglês básico e bastante desatualizado na minha área.

Pago até hoje o preço dessas escolhas erradas. A dívida em si vai ser quitada logo, mas afundei minha possibilidade de ter uma carreira. Com mais de 40 anos de idade, o tempo parece que passa mais rápido, o corpo e a cabeça não são mais os mesmos e não tenho uma reserva material que me sustente. 

Então, se eu pudesse voltar atrás, teria fechado a empresa lá no primeiro ano e saído junto com meus sócios. Ou teria fechado quando tive que escolher entre pagar as contas de casa ou da empresa.

O sonho de ter uma empresa de sucesso é muito bonito naquelas palestras de Tedx ou postagens no LinkedIn. Alguns de fato conseguem chegar lá, mas a maioria não vai chegar.  Não diria para as pessoas deixarem os sonhos de lado, mas equilibrar com o pragmatismo de quem tem contas para pagar e não é rico.

No meu caso, o apego me deixou cego para a realidade naquela época e agora aqui estou eu, preocupado como irei me manter quando eu for idoso.






segunda-feira, 4 de outubro de 2021

Se eu pudesse voltar atrás (1)

Nem sempre minhas postagens são em momentos de ansiedade ou quando preciso botar algo pra fora. Às vezes são só divagações mesmo, embora nem sempre venha aqui colocar no "papel" quando estou nas reflexões sobre a minha vida.

Estava assistindo um episódio de This is Us em que um dos personagens fica imaginando cenários da sua vida se tivesse tomando uma certa decisão em relação ao seu pai. Lembrei do que escrevi sobre desejar às vezes que isso tudo fosse um sonho ruim e pudesse acordar para fazer a escolha certa, tal como acontece em alguns filmes. 

Tem tantas coisas que gostaria de poder voltar atrás e fazer diferente. Muitas delas têm a ver com relacionamentos e hoje lembrei de uma ex. Na verdade, tenho lembrado dela às vezes e tive a curiosidade de pesquisar sobre ela nas redes para saber como ela está.

Ela foi minha primeira namorada, então já faz um certo tempo. Foi a primeira com quem tive relações sexuais e chegamos a morar juntos. Acho que no total foram quase 4 anos juntos e estávamos ainda na faculdade. Eu também fui o primeiro dela e acho que muito dos sentimentos de culpa que sinto tem a ver com ela. Por outro lado, tem muito a ver com o mal que eu fiz a mim mesmo pelo terrível sentimento do apego.

A falta de amor próprio e baixa confiança em mim mesmo vem de muito longe. E isso tornou nosso relacionamento muito ruim em vários momentos. Eu tinha muito ciúme dela e sempre achava que ela iria se interessar por outra pessoa ou que alguém iria dar em cima dela e ela iria preferir essa pessoa. Morria de medo de ser traído. Estávamos em um curso em que ela era uma das poucas mulheres e isso aumentava ainda mais a minha insegurança.

Lembro que toda vez que ela saía sem mim, quando voltava pra cidade dela, eu ficava sofrendo muito imaginando que alguém iria dar em cima dela e ela não resistiria. Além de ter dificuldade em confiar nela, achava que qualquer pessoa seria mais interessante do que eu. Mas não a culpo, o problema da falta de confiança era só meu. 

Nunca fui de fazer escândalo por causa de ciúmes, o meu jeito era ficar com cara de emburrado até ela perguntar o que eu tinha. E aí vinham as discussões. Era tão insano que, quando ela saía na cidade dela, mesmo em compromissos familiares, eu pedia para ela me ligar quando chegasse. Chegou num ponto que fui procurar terapia no serviço da faculdade. Nesse ponto sou grato, já que conheci a psico que me acompanhou por uns anos e fez muito por mim.

Além das discussões que aconteciam por causa do meu ciúme, ela me dava vários sinais que aquele relacionamento não teria vida longa. E eu não estava satisfeito com o que tínhamos, mas nunca tive coragem de terminar. Achava que era melhor estar assim do que voltar para a vida de ir para baladas e não conseguir me aproximar de ninguém, vendo meus amigos ficarem com alguém e eu passando em branco.

Na época do primeiro término, ela me escreveu uma carta, mesmo a gente morando junto. Felizmente lembro pouco dessa carta, mas ela falava que queria experimentar outras coisas, que era muito nova para estar presa. A parte que me mais doeu, e nunca esqueci disso, foi quando ela se referiu a características físicas minhas que, mesmo eu melhorasse, ainda assim ela não se sentiria atraída por mim. Em resumo: me chamou de feio de maneira delicada.

Aí ela terminou comigo e separamos de casa. Lembro que sofri muito e até chegava a acessar o email dela para saber o que ela estava fazendo. Quando li que ela ficou com um cara eu fiquei muito mal. Mas isso me ensinou que acessar dados dos outros é uma coisa muito errada. Depois disso, nunca mais quis saber senha de ninguém e nunca deixei que acessassem as minhas coisas.

Passamos uns dois meses separados e acabamos voltando. Acho que tínhamos nos acostumado um com o outro e carência deve ter batido para ela. Como eu era a opção disponível e ainda gostava dela, não me importei com tudo o que passamos no nosso término. Olhando pra trás, com tudo o que ela falou pra mim naquela término, eu nunca deveria ter voltado. Não por rancor, mas por saber que, apesar das palavras cruéis, ela foi muito sincera naquela carta. Logo, eu não tinha ficado bonito dois meses depois e ela continuava sem ter todas as experiências que gostaria de ter tido como solteira.

Quando voltamos, as coisas não mudaram muito. Não morar junto era bom, mas as crises de ciúme persistiam e ela reclamava às vezes que a vida tava passando sem poder aproveitar as coisas. Eu enxergava que aquilo ali não ia dar certo mesmo, mas continuava sem coragem de terminar. Penso em como teria aproveitado melhor a vida universitária se não estivesse tanto tempo preso num relacionamento que eu mesmo sabia que não tinha futuro. 

Mas não tinha coragem de dar o passo e coube a ela mais uma vez fazer o favor de terminar tudo. Eu sofri nesse término também, mas me sentia mais aliviado e não demorei muito para seguir em frente. Depois de um mês, eu já estava ficando com outras pessoas. Aliás, foi meu único momento da vida que fui o "pegador". Tudo bem que isso é um final de semana fraco para a maior parte dos caras, mas três ficadas em 2 meses era um super recorde pra mim. Isso foi uns meses antes de "conhecer" aquela que eu considero a mulher que mais amei na vida.

Eu sou muito grato com ela nesse nosso "casamento". Ela foi uma grande amiga, me ajudou em momentos muito difíceis da minha vida e sua família me acolheu de uma forma muito especial. No fim, acho que foi isso: grandes amigos que transavam às vezes.

Mas me arrependo de ter enchido tanto a paciência dela com meu ciúme. Queria ser uma pessoa mais confiante nos outros e em mim, principalmente. Me arrependo de decepcionar os pais dela quando descobriram que transamos e que estávamos morando juntos. Se soubesse que o que sei hoje, nunca teria topado morar junto sem estar num relacionamento firme. E também por gastar o que não podia para manter uma vida a dois.

Se pudesse voltar atrás, também teria terminado em todas às vezes que eu senti que aquilo não daria certo, que eu era apenas uma opção cômoda. Lamento ter me fechado no relacionamento com ela e não ter curtido meus amigos de faculdade. Ela nunca me impediu disso, eu é que não queria desgrudar dela por causa do meu ciúme.

Quando leio sobre relacionamentos tóxicos, penso no quanto mal eu fiz para ela. Sei também que fui maltratado muitas vezes, mas só posso me arrepender dos meus atos. Nunca cometi agressão nenhuma, nem verbal. Mas tenho certeza que minha cara emburrada de ciúme tirava ela do sério e minha necessidade de ter notícias dela a todo momento a sufocavam muito.

Se eu pudesse voltar atrás, tenho certeza que nosso relacionamento não teria continuado. Só que nós dois teríamos anos mais felizes e eu teria histórias boas para contar dos meus anos de faculdade.

sábado, 2 de outubro de 2021

Culpa e viver no passado

Falei numa postagem o quanto eu gostaria de estar no presente. Eu vou passando meus dias apenas empurrando com a barriga e acho que isso acontece porque não consigo seguir em frente. Seguir em frente, na minha opinião, significa desapegar e isso para mim é muito difícil. Eu esqueço às vezes, mas não desapego.

Acho que culpa tem muito a ver com isso. A gente não consegue se perdoar e continua a carregar essa bagagem por muito tempo. Às vezes essa bagagem é tão pesada que nos impede de ir em frente e aí ficamos no mesmo lugar. Assim parece que sou eu e sou lembrado disso a cada vez que vejo como minha vida é anormal. Me questionei sobre isso em postagens anteriores sobre a relação entre não ser normal e eventuais castigos do Universo.

Semanas atrás estava vendo vídeos sobre culpa, sobre se perdoar, porque estava buscando orientação sobre isso. Tem horas que fica impossível ignorar a culpa e me bate uma angústia tão grande. Não há remédio que cure isso, no máximo me desligar por algumas horas para não sentir isso.

Essa pandemia é um inferno e para pessoas como eu tem sido mais difícil ainda. Por outro lado, estar tanto tempo isolado tem me colocado ainda mais em contato com toda essa bagagem e isso talvez possa ter seus benefícios. Ter contato com essas reflexões talvez seja uma forma de finalmente me tratar.

Não sei se foi Chico Xavier que disse, mas penso naquela frase mais ou menos assim: "não se pode fazer um novo começo, mas se pode fazer um novo fim".

Independente do contexto em que foi dita, a frase tem muito a ver com a questão da culpa e se perdoar. Infelizmente minha vida não é aqueles filmes que você acorda e vê que estava num pesadelo, tendo a chance de fazer a escolha certa dessa vez. Logo, não consigo apagar todas as escolhas erradas que fiz, isso é claro para mim. O que gostaria é de poder seguir em frente e trabalhar no "novo fim". 

Sofro tanto por causa das escolhas erradas e não consigo me perdoar. Essas bagagens alugam tanto espaço na minha mente que talvez o meu verdadeiro castigo seja conviver com elas.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Carma? Castigo?

Meus poucos leitores devem perceber que a frequência das minhas postagens está relacionada com minhas crises de ansiedade. Para ser sincero, não tenho tido grandes crises a ponto de pensar num SOS, mas meus dias têm alternado entre mais ou menos tranquilo e outros bem ruins.

Acho que deve ser um questionamento comum de quem tem algum tipo de doença crônica, mas tem horas que me pergunto porque isso acontece comigo. Porque não tenho a vida normal que as outras pessoas têm, como falei na postagem anterior.

Como alguém quase-espírita, sei que muitas provas que passamos nessa existência são oportunidades de aprendizado. Não acredito em castigo do Universo ou num Deus que nos pune pelas coisas erradas do nosso passado. Mas, justamente quando penso em algumas ações do meu passado, percebo que se existisse punição divina, então eu estou recebendo exatamente o que mereço. 

Não sou uma pessoa ruim, mas pessoas boas também fazem coisas ruins. Tive desvios no passado, alguns graves e outros nem tanto. Percebo que ainda cometo alguns erros que não teria coragem de contar para a minha família. Se eu fosse corajoso em me mostrar como sou, certamente seria "cancelado" em uma semana. Mas eu sou um grande covarde.

Se existisse carma ou castigo divino, seria mais fácil explicar porque nenhuma mulher se interessa por mim. Talvez eu mereça nunca mais ter alguém na minha vida. Talvez pagando eu consiga beijar alguém de novo, mas, nas poucas vezes que recorri a isso, me senti a pessoa mais merda do mundo.

Não sei se tenho amigos. Sei que tem pessoas que gostam de mim e me ajudariam se eu pedisse. Mas acho que amizade é mais que isso. O fato é que ninguém se lembra de mim e, se existisse carma ou punição divina, eu mereço mesmo estar esquecido.

Não sei nem se mereço a família que tenho. Mas talvez eu seja o "carma" deles.


domingo, 26 de setembro de 2021

Ser normal

Falei na postagem passada sobre o tal "novo normal" que virá quando a pandemia acabar, mas tenho pensado no ser "normal", algo que parece tão distante pra mim. 

Vendo meus colegas de faculdade, pessoas com quem tive contato e mesmo familiares da minha geração, sei que posso ser tudo, menos uma pessoa normal. Claro que as pessoas geralmente só contam as parte boas das suas vidas, mas o que eu tenho?

Pessoas com quem estudei há 20 anos atrás hoje tem bons empregos e famílias. Essas eram coisas que sonhei lá atrás, mas não tenho nada disso hoje. Enquanto meus colegas têm empregos fixos, eu faço minhas atividades como autônomo, sem horas normais de trabalho e nem coisas básicas, como férias, cargos e até salário. Enquanto meus colegas irão acordar amanhã para ter mais um dia de trabalho, eu irei acordar tarde, porque não consigo dormir cedo, e vou enrolar até não conseguir adiar mais minhas atividades.

Enquanto meus colegas terão seus compromissos durante o dia, eu estarei com meus pensamentos obsessivos e arrumando algo para distrair a minha mente, já que o trabalho infelizmente não me propicia isso. No final do dia, meus colegas pararão seus trabalhos e irão fazer algo, como exercícios físicos, algum curso ou ficar com suas famílias.

E eu?

Eu estarei ainda com meus pensamentos obsessivos, fazendo alguma atividade que não consegui fazer durante o dia porque estava tentando me livrar desses pensamentos. Enquanto meus amigos estarão curtindo suas famílias ou indo dormir, eu estarei enrolando com coisas que só são úteis para me fazer esquecer da minha vida e dos meus pensamentos.

Claro que eles têm suas chateações, mas provavelmente deixam elas de lado em pouco tempo ou desabafam com suas esposas/maridos. Eu não tenho ninguém além desse blog, já que certas coisas não consigo nem compartilhar com minha psicóloga e ela vai me lembrar do medicamento que o psiquiatra passou.

Passarei mais um dia assim, sendo perseguido por esses pensamentos que ficam ainda mais ativos quando tenho um incômodo qualquer, como uma dor de cabeça. E tenho tido tantos incômodos que tem horas que penso: "foda-se, se Deus quiser me levar, que me leve".

Enquanto meus amigos estarão fazendo sexo com suas esposas ou namoradas, eu estarei pensando em como minha vida é uma droga e tentando descobrir quando tudo começou a dar errado para mim. Fico pensando que enquanto as pessoas têm o fluxo normal conhecer-namorar-casar, eu mal tive o conhecer-namorar e não sei o que é estar com alguém há 5 anos, mesmo casualmente. Sei lá se um dia vou ficar com alguém novamente sem pagar por isso.

Por que não sou normal e não tenho a vida como as outras pessoas? 

Postagem já ficou grande, continuarei em outra...

terça-feira, 21 de setembro de 2021

O novo normal

Irei tomar a segunda dose da vacina nos próximos dias e com isso ando mais ansioso. Quando saio para caminhar, ainda vejo mais gente com máscara do que sem, mas em muitos locais parece que a pandemia acabou faz tempo.

Com o andamento da vacinação, já rola uma certa pressão para encontros de todos os tipos. Para mim, que não entro em local fechado desde janeiro,  já estou ficando tenso porque não terei mais argumentos para continuar sem ir aos locais. Não que eu ache que a situação estará bem tranquila em novembro (não estará), mas acredito que serei um dos poucos que ainda usarão máscaras e evitarão aglomerações.

Por outro lado, estou tão cansado disso tudo. Toda vez que saio para caminhar fico desviando de pessoas sem máscara. Quando faço compras, sempre faço uma operação de guerra pra receber as compras aqui. Também não aguento mais terceirizar a escolha dos produtos que eu compro. 

Terei um evento familiar daqui a dois meses e já estou sofrendo com isso. Não pelo evento em si, porque serão pessoas que sei que se cuidam, mas porque o deslocamento até lá implica em eu estar em local fechado por umas oito horas.

Fico pensando como será quando entrar num ônibus ou metrô de novo. Se já fico tenso só em cruzar com gente sem máscara na rua, imagino como será num transporte cheio de gente. Aqui onde moro quase todas as restrições já caíram, acho que só restam as máscaras. Acredito que serei uma das últimas pessoas que abandonarão todos os cuidados. 

Além disso, com o "fim" da pandemia, alguns prazos voltarão a correr e isso tudo me deixa tenso. Tenho mais um ano para terminar meu maior projeto atual e isso é bem pouco tempo, ainda mais porque andei muito pouco nos últimos meses.

Tenho me esforçado para andar umas duas vezes por semana para perder um pouco o receio. Depois da segunda dose, acho que tentarei entrar em algum mercado ou pegar ônibus. Tenho alguns exames para fazer e acho que aproveitarei isso para voltar a ter contato com o mundo. Mas tudo isso me deixa tenso, pois o receio de pegar essa maldita doença ainda existe.

Mas o que mais me deixa tenso é porque sei que não poderei fugir pra sempre. Deveria comemorar que falta pouco, mas esse não sou eu.



terça-feira, 24 de agosto de 2021

Onde eu mais queria estar

Normalmente, quando penso onde eu mais gostaria de estar nesse momento, me vem à cabeça estar junto da minha família. Por outro lado, se considerarmos não apenas o espaço, esse seria o segundo local. Porque, antes de tudo, onde mais eu queria estar é no agora.

Desde cedo, minha vida tem sido pensar em estar em outros pontos no tempo-espaço além do que estou no momento. Seja uma vida onde eu não tenho dificuldades materiais ou numa em que sou amado e respeitado por todos. Geralmente eu pensava, ou penso, na junção dos dois cenários. Me pegava sonhando acordado com uma vida assim e passava muito tempo sorrindo ao imaginar como a vida seria boa quando isso tudo acontecesse.

Mas aí a vida passou, parece que muito rápido, e nada disso aconteceu. Tenho pessoas que me querem bem, é verdade, mas, fora a família, são raras as que realmente me procuram para perguntar "como você está?", sem ser daquela forma protocolar tão comum nessas comunicações virtuais durante a pandemia.

Não tenho amigos com quem conversar, pessoas com as quais sentamos e discutimos grandes questões da vida ou simplesmente paramos para rir de uma bobagem qualquer. Não culpo as pessoas, elas têm sua vida para cuidar e muitas cansaram de me procurar e levar uma resposta evasiva para um convite qualquer.

Aqueles sonhos de eu ser o centro das atenções, que todo mundo quer estar perto, nunca aconteceu além da minha mente.

Também não sou amado por mulher nenhuma. Já até fui, mas joguei tudo fora porque simplesmente canso fácil das coisas e das pessoas. Por mais que eu seja gente boa, isso não é suficiente para que mulheres se atraiam por mim. Aquele papo de "não importa a beleza, quero alguém legal e inteligente" é um dos grandes mitos dos relacionamentos. Como não sou bonito, não atraio as mulheres para conhecerem o que tenho de bom.

Assim como o Ted Mosby, de How I met your mother, sempre me vi sonhando em encontrar a "certa" para mim. Mas já são 43 anos de vida e eu nunca a encontrei  além da minha mente.

A vida de sucesso material virou dívidas de milhares de reais. Contando pessoa física e jurídica, eram cerca de 80 mil reais há uns dois anos atrás. Agora é menos da metade disso e o meu maior sucesso será quitar tudo antes dos 45 anos. Viva!

Assim, a vida de carro, viagens e casa grande nunca aconteceu além da minha mente.

Também não sou admirado por ninguém por minhas competências. Quando era mais jovem, o meu único destaque era ser o melhor aluno da turma. Era péssimo nos esportes, horrível nas artes e nem era bom de papo. Logo, a única coisa que me restava era ser o inteligente. Mas, durante e depois da faculdade, em tudo o que fiz, eu sempre fui o pior entre os melhores. Poderia ver isso como o copo meio cheio, mas nunca enxerguei assim.  A "admiração" que as pessoas têm por mim não tem nada a ver com a minha competência intelectual, mas por minha capacidade de ser um bom carregador de piano. Para elas, é para isso que sirvo.

Então, a vida em que sou admirado porque sou um gênio nunca existiu além da minha mente.

Passei toda a minha vida pensando num futuro que nunca aconteceu e perdi o bem mais precioso que Deus nos dá: o agora.  Tenho certeza que desperdicei oportunidades de ter histórias para contar, quem sabe até cruzei com a certa por aí. Mas a vida passou e agora não sinto forças para correr atrás de tudo isso. Acho que pareço aqueles times que se entregam aos 35 do segundo tempo.

A idade chega para todos e temo como serão os próximos anos da minha vida. Porque agora, além do tempo que eu perco imaginando um futuro feliz, ainda gasto tempo me lamentando com o passado que fiz tudo errado. O passado não podemos consertar, já foi, mas não consigo me livrar dele.

Eu invejo as pessoas que conseguem viver o dia de hoje. Sei que Deus tem me dado diariamente novos "agora", mas simplesmente eu não consigo. E a vida continua passando muito rápido, as oportunidades são cada vez mais escassas e o corpo e mente parecem não funcionar como há cinco anos atrás. Cada dia isso parece mais claro, quando vejo que até minha capacidade de aprendizado está diminuindo.

Ainda assim, queria simplesmente ignorar tudo isso e viver a única coisa que tenho certa: o agora.




domingo, 25 de julho de 2021

Voltando a fazer planos

Quando estava no pior das minhas crises nesse ano, eu tentava me animar pensando: "depois disso sempre veio a calmaria. por que agora iria ser diferente?". De fato, depois de uma época muito ruim, parece que as coisas andam mais calmas por aqui.

Não que esteja feliz ou livre de todos os meus pensamentos obssessivos. Na verdade, eles ainda estão bem presentes em mim. A diferença é que estou evitando a todo custo qualquer coisa que pode gerar um gatilho, como ter contato com qualquer pessoa nesta pandemia. Se não tenho contato, a chance de infectar é muito pequena. 

O risco existe apenas nos momentos que preciso receber alguma compra. Não vou a mercado desde janeiro e só recebo compras em casa, mesmo pagando mais caro e nunca vindo os produtos que realmente comprei. Mas nem pra isso tenho ligado, to mais preocupado no possível risco ao receber as compras. Então, uma vez por semana fico tenso com o risco mínimo e me sentindo mal por manter uma certa distância ao receber o entregador aqui. 

Outro ponto que contribuiu para essa calmaria foi a vacinação. Tomei a primeira dose e, mesmo sabendo que precisa das duas doses, isso me tranquilizou um pouco.

Acho que o que tem me animado mais é que estou conseguindo andar com as minhas tarefas, mesmo não dedicando oito horas por dia. Estou conseguindo entregar muita coisa e também recebendo por isso. Com isso, estou pagando dívidas e agora já começo a ver o fim da imensa dívida que adquiri nesses anos todos de falta de cuidado financeiro.

Acredito que até 2023 eu zero tudo, tanto na pessoa física quanto na pessoa jurídica. Para quem achava que só ia conseguir terminar de pagar tudo depois dos 50, já é uma grande vitória.

Com isso, e com certa calma com que ando, tenho pensado no futuro. Tanto em procurar saber mais sobre investimentos quanto em desenvolver projetos que possam me garantir alguma renda no futuro.

Para quem andava sem esperança alguma, já e algo a se comemorar. Espero continuar disso para melhor.



segunda-feira, 7 de junho de 2021

Madrugada com crise de ansiedade

Tenho tido crises de ansiedade, mas faz tempo que não acordava na madrugada tendo uma. 

Sempre tenho colocado algo pra ouvir enquanto tento dormir, geralmente áudios relaxantes. Hoje estava ouvindo um áudio da Louise Hay. Sei que cochilei durante o áudio, mas era aquele cochilo que você vai acordando.

Aí acordei de vez, comecei a pensar na dor que sinto em um dos lados da face e fiquei nervoso, me questionando se seria sintoma de covid. Sábado recebi compras aqui e, mesmo tomando todos os cuidados, sempre fico martelando o pensamento que posso ter falhado em algo e ter me contaminado.

Uma coisa puxa a outra e começo a ter crise de ansiedade que me deixa mais nervoso, a dor aumenta e fico observando cada sensação que aparece no corpo. E nessas horas são muitas. Dores gerais, respiração mais rápida, pernas tremendo e tudo piora.

Fico mais nervoso ainda porque sei que não tenho nenhum SOS aqui e hoje com certeza tomaria. 

Enquanto corro pra cá para escrever numa tentativa de botar para fora e passar o tempo, meu pensamento fica alternando entre medo de covid e dúvidas se essas dores não são apenas questões de má postura ou mesmo tensão que anda alta nesses dias.

Fazia tempo que não tinha crise de ansiedade nesse nível. Preciso arrumar um jeito de ter um SOS aqui.