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terça-feira, 15 de outubro de 2013

Ter alguém

Além do que foi relatado anteriormente, tenho sentido muita falta de ter alguém, de estar em um relacionamento.

Sei que manter relacionamento é difícil mas tenho sentido falta de ter carinho, de ter gente que te escute, essas coisas. Não é só ter alguém que você fique um dia, para beijos e sexo. Tenho sentido falta de companhia mesmo.

Isso pode ser visto como uma coisa positiva visto que não acho normal eu ficar tanto tempo (acho que 3 anos) sem a menor vontade de procurar uma namorada ou sair com alguém. Então talvez uma mudança, causada por outras coisas, esteja acontecendo.

Acho que isso tem muita relação com minha ansiedade. Nas últimas semanas, que ando ansioso e impaciente, conforme relatei antes, nem tenho pensado nisso. Estava pensando antes dessas semanas turbulentas.

Muitas pessoas me falaram que eu devia namorar que essa ansiedade passava. Penso que é o contrário. Acho que estarei pronto para namorar quando estiver com minha ansiedade controlada, como estava há semanas atrás.

Vamos a luta para retomar o controle das coisas.

Dias difíceis

As últimas semanas têm sido tão difíceis. Se por um lado, no trabalho, têm acontecido coisas boas, de outro, no plano pessoal, as coisas não vão bem.

Estou com um parente em hospital e nessas idas e vindas a emergência com ela, a gente vê muita coisa ruim. Já vi inclusive tiro dentro do lugar. Além disso, escutamos tantas histórias tristes quando vamos ao hospital que eu deveria estar feliz pela vida que tenho. Mas não consigo enxergar assim.

Não sei se meu nervosismo recente tem sido por ver tanta coisa ruim, ou por saber que uma pessoa próxima se vai em breve ou a soma de tudo isso.

O fato é que ando irritado, impaciente com as pessoas e de novo com dificuldades para dormir.

Devido a minha nova situação profissional, descuidei nos cuidados físicos. Parei com a natação por falta de horários, tenho ido menos do que deveria a academia e faz duas semanas que não vou a terapia.

Será que ficar duas semanas sem me cuidar traz de volta as coisas ruins da minha vida? Tão rápido assim? Não entendo.

Acho que também conta o fato de que estou perdendo o controle das minhas tarefas de novo. Como esse trabalho que peguei é fora da minha cidade, preciso viajar e fico dois dias fora. Aí minha semana que era de cinco dias para as tarefas normais, só me restam 3 dias, sem descontar as horas usadas no transporte entre as duas cidades.

O fato é que sinto minha vida bagunçada de novo, tendo que trabalhar à noite e fim de semana para minimizar os atrasos de trabalho.

Bom, deve ser tudo isso junto que anda causando essas confusões na minha cabeça. Preciso me reorganizar dentro do novo contexto profissional de modo que não falte tempo para os cuidados comigo e nem tenha atrasos com os trabalhos.

Preciso de novo assumir o controle das coisas e não deixar que minha vida seja dominada pelo estado das minhas emoções.





segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Motivações

As pessoas tem diferentes motivações para sair todo dia da cama. Seja por alguém que amam, por trabalho, por objetivos materiais, espirituais, ou outro motivo qualquer, o fato é que cada um tem a sua motivação.

A minha ultimamente tem sido colocar a minha vida em ordem. Por vários erros no passado, tenho dezenas de pendências para resolver. A maior parte delas se refere a dívidas, principalmente com o Fisco. Nunca agi de má-fé mas deixei para depois cumprir obrigações que, se não feitas no prazo correto, geram um custo imenso. E infelizmente foi isso que eu fiz. Priorizei necessidades pessoais e deixei a empresa para lá.

Por causa disso, tenho dívidas imensas com o Fisco que demorarei um pouco para pagar. Já comecei a pagar mas, com meu desembolso mensal atual, devo levar uns 5 anos para quitar tudo. Lógico que pretendo aumentar o que tenho gasto com essa regularização mas isso depende de trabalhos que tenho que fazer e novos trabalhos que tenho pego.

Me sinto preso porque tenho que fazer um trabalho que não me faz feliz há muito tempo apenas para corrigir besteiras que cometi há anos. Mesmo tendo o meu direito de ir e vir, isso não é estar preso? Penso na vida de milhares de pessoas que aguentam um trabalho ruim para poderem levar comida para casa.

Como essas pessoas lidam com isso? A motivação para sair da cama é "só" a necessidade?

Analisando hoje o tamanho do buraco com o Fisco e vendo as injustiças que pequenos empresários como eu (empresa de uma pessoa só) sofrem comecei a ficar muito nervoso. Por várias questões sou tratado como uma empresa que fatura milhões por ano e eu mal recebo para as minhas contas.

"Mas aí é só fechar a empresa". E aí que começa o inferno. Não se fecha empresa no Brasil sem ter quitado todas as pendências. E o duro é que se você não fecha a empresa, não pode assumir vagas em concursos públicos (a maior parte deles).

Tenho hoje dois tipos de pendências: impostos e multas por não entrega de declarações acessórias. Quanto aos impostos eu faço questão de pagar mesmo que tivesse como não pagar. Mas as multas são tão injustas porque somos multados por não entregar uma coisa que deveria ser trabalho da Receita Federal, se essa não fosse não falha.

E pensar em tudo isso me deixou nervoso e fiquei pensando se não era o caso de deixar para lá com relação ao fechamento da empresa, fora a parte dos impostos. Simplesmente pagar o que devo de impostos, ignorar as cobranças da Receita sobre as multas e deixar a empresa rodando cumprindo as obrigações daqui para frente.

O que eu ganho com isso? Alguns anos da minha vida que não seria obrigado a trabalhar no que não gosto (mas que dá dinheiro) e poder usar o que ganhar com meu trabalho para curtir a minha vida.

Me sinto tão injustiçado quando me vejo sendo obrigado a deixar de viver por cinco anos para trabalhar para pagar essas multas, quando grandes corporações cometem crimes (esses sim por má-fé) e não são punidas porque podem pagar grandes escritórios de advogados e/ou porque tem amigos poderosos entre os políticos e o judiciário.

O certo é pagar a multa? Com certeza. O jogo é injusto mas querer mudar depois de jogado não adianta muito. Mas parece tão injusto abdicar da minha vida agora que venho buscando ter uma para corrigir uma besteira que fiz há anos.

Sei que moralmente é condenável mas e a minha vida? Qual motivação terei todo dia? Acordar para corrigir um erro que cometi há anos. O que sobrará de mim depois que isso tudo acabar?










segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Quando a disposição aparece

Eu tenho momentos que estou agitadíssimo e momentos que não quero fazer nada. Isso tem acontecido nos últimos anos com alguma frequência. Quando estou nos momentos "parados" todos os meus projetos (pessoais e profissionais) param e eu me meto nos problemas de novo.

Quando estou na fase agitada, minha produção é incrível. Trabalho e produzo muito. E muitas vezes (maioria, eu diria) nem é trabalho em quantidade de horas. Coisas que eu demoro muito para fazer, quando estou na fase boa, produzo muito em pouco tempo.

Desde meu último momento ruim, tenho produzido demais. Coisas que estavam paradas, estão andando rapidamente e eu ando muito animado. A consequência natural é que as coisas acontecem e as pendências vão sendo resolvidas.

Tenho falado para mim mesmo que tenho que aproveitar bem essa fase e trabalhar bem, mas sem deixar de me cuidar. Quem sabe assim a fase ruim não venha ou demore muito mais a reaparecer.

Nenhum "tratamento" é feito de forma isolada. Além do olcadil que estou tomando (e logo chegará a hora de sair dele), estou na terapia, fazendo natação, malhando e caminhando. Como estou perto da praia tenho escolhido a praia para caminhar pois certamente o visual ajuda no meu processo de higienização mental.

Então, o que precisa ser feito é se manter firme nas atividades e não achar que uma atividade isolada vai resolver tudo. Sabe aquela coisa de cuidar do corpo, da cabeça, do coração e da alma? Pois é, penso que tem que ser assim o tempo todo.

Sobre o coração, falarei em breve. Um sintoma que estou melhorando muito é que tenho pensado cada vez mais em estar com alguém. Falarei daqui a alguns dias :-)

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Lições a partir das perdas

Agora à noite faleceu meu padrinho. Como estou? Não vou dizer que estou arrasado, desesperado ou qualquer coisa do tipo. Convivemos sempre muito pouco e a minha madrinha (minha avó e mãe dele) o cobrava para ser mais participativo na minha vida.

Mas, sinceramente,  nunca senti falta e nem guardei rancor ou qualquer outro sentimento ruim quanto a isso. Ele tinha a vida dele, filhos para criar, muito trabalho e sempre lidei bem com o fato de nunca ter tido um padrinho na prática.

Sempre tive relação mais próxima com outros tios do que com ele mas penso que era por uma questão de afinidade. Então, nunca sofri por não ter tido padrinho no dia a dia.

Como deve ser com toda perda, algumas lições ficam. Uma é que a nossa vida pode acabar a qualquer momento e por isso nossa vida tem que ser vivida todos os dias.

Esse meu tio, por exemplo, sempre trabalhou muito. Muito mesmo. Trabalhou tanto não para ter luxo (ele sempre foi bem simples) mas para poder dar boas condições a sua família. Nos últimos anos, por causa do trabalho dele, meu tio viajava pelo Brasil, muitas das vezes em pequenos aviões para fiscalizar obras da empresa.

Ou seja, ele viveu boa parte da vida dele fazendo com que o chefe ficasse mais rico e sem poder desfrutar de tantos momentos junto aos seus. O dono da empresa, tenho certeza, desfruta bem a vida, às custas das vidas abdicadas pelos seus funcionários, como meu tio.

São escolhas que se fazem na vida. Por muito tempo eu vivi assim também e vi que só estava sacrificando minha vida para enriquecer os outros. E a entrada do transtorno de ansiedade na minha vida era o que eu precisava para acordar. Eu trabalhava antes para ganhar mais dinheiro mas mal tinha tempo de gastar e quando o fazia, fazia de forma errada.

Muitas pessoas, gastam horas das suas vidas para ganhar dinheiro para manter um padrão de vida que alguém disse que é o certo. Isso é vida? A quem serve isso? Certamente aos patrões que pagam salários ruins e sugam a vida de seus funcionários.

Há meses eu abdiquei do verbo "ter" na minha vida. Ter no sentido material, claro. Preciso dizer a vocês que tirei um peso enorme das minhas costas porque não tinha mais que trabalhar mais e mais para comprar um carro que alguém disse que é legal.

Eu vivo hoje com menos de 1/3 do que ganhava antes e posso dizer: minha vida anda muito boa. Cada vez melhor. Estou me cuidando, cuidando das pessoas que amo, ajudando os outros, fazendo exercícios, praticamente todo dia fazendo coisas prazerosas.

Enfim, meu tio fez uma escolha. Criou muito bem seus filhos e são esses que preciso dar apoio agora. Como primo e como ser humano que se preocupa com os outros.

Tio, sei que nunca estivermos próximos. Mas no meu coração não tem nada de sentimento ruim, muito pelo contrário. Sempre vou me lembrar de quando me apresentou a música do Zé Geraldo. Sempre entendi seu jeito e nunca me incomodei com isso. Esteja certo que farei o possível para dar apoio a sua família e tentar ajudá-los da forma que puder, até mesmo com a experiência de quem também perdeu o pai tão cedo.

Descanse em paz, tio. Aproveite e dê um abraço no meu pai e um beijo na minha vó. Sei que vocês estão olhando por nós.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Pensar em coisas boas

Quando alguém sabe que temos alguma coisa relacionada a depressão, sempre nos traz aquele conselho clássico "tente pensar em coisas boas". Como se realmente fosse fácil, né?

Nem culpo essas pessoas e na verdade agradeço pelo desejo de ajudar, mas infelizmente "ficar feliz" não é um botãozinho que apertamos na nossa cabeça e um mundo de pensamentos positivos surgem.

Mas o fato é que temos que tentar de alguma forma. Vou dar um exemplo: estava na quinta-feira muito chateado porque me dei conta que uma pessoa que amo muito não anda se cuidando, dando prioridade para si mesma. Já perdi uma pessoa querida porque essa não se cuidou e não quero perder outra. Então minha tristeza era porque por mais que eu falasse, não via mudanças de atitudes dessa pessoa.

Na quinta à noite eu tenho aula de natação e tem sido uma coisa maravilhosa na minha vida. Eu não sei nadar, então vou falar do ponto de vista de quem está aprendendo.

No meu caso pessoal, a natação tem sido o melhor exercício possível para dar uma folga para a minha mente. Na academia, enquanto fico malhando, não deixo de pensar nos problemas. Mesmo na yoga não atingi um nível que me permitisse desligar completamente. Lembrando que isso vai de cada um, ok?

Mas na natação eu consegui isso, por um motivo muito simples: quando estou tentando nadar, não me sobra tempo para pensar em qualquer outra coisa do que tentar nadar. Uma hora é "já deu 3 braçadas, tenho que respirar." "Ih, esqueci de soltar o ar pelo nariz" ou ainda "será que fiz a braçada direito". E todos os pensamentos sempre estão concorrendo com a necessidade básica: respirar.

Não sei como vai ser quando eu realmente estiver nadando, mas nessa fase eu não tenho como pensar na morte de bezerra. Porque se penso outra coisa, eu engulo água e me afogo. Ou seja, por necessidade básica do corpo humano (respirar) eu sou forçado a só pensar naquilo que estou fazendo.

Então, nessa última quinta, eu saí de lá completamente relaxado, pensando mais que não tinha feito as braçadas corretamente. O motivo da minha chateação não tinha sido resolvido mas ao menos, por uma hora, eu relaxei minha cabeça, o que todo mundo diz que é importante para quem tem qualquer tipo de transtorno.

Não é uma fuga dos nossos fantasmas, mas sim ocupar nosso cérebro com outras coisas e tentar dar aos problemas o máximo de atenção que eles pedem e nada mais.

Tenho procurado outras coisas para preencher meu tempo. Outras coisas que me façam rir ou "pensar coisas boas". Acho que buscar isso diariamente talvez seja uma maneira de ensinar ao nosso cérebro que "pensar coisas positivas" não é tão difícil assim.




segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Quando a dor aumenta

Desde que comecei a ter as crises de ansiedade sempre me passam pela cabeça pensamentos ruins, como se algo fosse acontecer comigo a qualquer momento. Uma dorzinha simples já é motivo pra pensar se não é algo mais sério.

Deve ser algo natural para quem sofre de ansiedade. Aquele preocupação que é normal, fica multiplicada muitas vezes e já achamos que estamos condenados.

Acho que no meu caso meu principal medo é de morrer. Não sei dizer porque mas fico com esse medo constante. Como se não quisesse morrer sem terminar todos os meus projetos e sonhos inacabados. Fica aquela sensação de que: "agora não, ainda preciso fazer tanta coisa".

Mas de todos os meus medos, o meu maior é perder a minha mãe. Perdi meu pai muito cedo e desde criança tinha sonhos relativos ao meu medo de perdê-la. Acho que talvez tudo isso seja o medo de ficar sozinho, sem ter ninguém pra cuidar de mim.

Sempre me senti muito só mas da mesma forma sempre soube que teria a minha mãe sempre que precisasse dela.

E quando a vejo passando mal, como nesse fim de semana, esse meu medo vem a tona e fico quase que  desesperado.

Eu sei que as pessoas vão. Meu pai foi um dia, ela vai um dia e eu também vou um dia. Mas no fundo queria que tudo ficasse como na infância, que as pessoas não morressem.

Sim, não sei lidar com a perda. E preciso muito pensar nisso logo antes que aconteça o pior e eu não sei  o que acontecerá comigo.

Todas as minhas ideias atuais, meus projetos, sonhos, desejos atuais não significam absolutamente nada quando se trata de algo que possa acontecer com a minha mãe. Eu sei que não posso me sentir assim, dependente de ter ela por perto. Mas esse medo é tão horrível...

Ontem tomei a dose dobrada do olcadil. Natural ainda mais quando se vê alguém que ama passando mal.