Aproveitando o assunto da postagem anterior e o comentário do amigo Skull, tenho pensado muito nos planos que tive, nos que eu não tenho agora e no que eu deveria pensar para o futuro. Sinceramente, acho que tenho perdido tempo com muita coisa mas que, bem ou mal, me fazem esquecer um pouco da minha vida. E aí levo um bom tempo lendo matérias, vendo lives, ouvindo músicas e por aí vai.
Não que não sejam coisas boas de fazer, mas isso tem ocupado tempo demais dos meus dias ultimamente. Enquanto escrevo, penso que esse exagero pode ser uma fuga do que eu tenho realmente que pensar: o futuro.
Mas, quando penso no futuro, é impossível não pensar no passado, nas várias coisas que não cumpri e no quanto falhei. Dizem que mais difícil do que perdoar os outros é perdoar a si mesmo. Talvez seja, porque eu acabo guardando muito mais mágoa de mim do que de outras pessoas que me causaram algum tipo de chateação.
Estava pensando esses dias, enquanto preparava uma apresentação para a faculdade, no quanto faltou humildade para mim em muitas coisas e isso certamente foi a causa de muitos fracassos meus.
Na época de escola, sempre estive entre os melhores da classe, geralmente era o melhor. E lembro que eu tinha uma certa motivação nisso, em tentar tirar sempre a maior nota entre todos. Quanta bobagem... Claro que isso me motivou a sempre estudar mais, mas competir com outros nunca pode o objetivo primordial no processo de aprendizagem.
Aí, quando entrei na faculdade que era a melhor no meu curso, tive o choque de realidade. Eu, que era um dos melhores na escola, passei toda a minha graduação entre os piores. E aí, já que não era mais destaque naquilo que cresci sendo, fui me envolver com outras atividades estudantis. Até fui bem conhecido naquela época, mas de novo meu foco era buscar confete e não fazer coisas legais. E me envolvi tanto com essas atividades que demorei muito a me formar, porque acaba me dedicando menos aos estudos.
Antes de me formar, abri uma empresa. E com ela fiquei um pouco mais de 10 anos, de novo com objetivo de ser destaque. Até por conta disso, pegava muito mais trabalho do que poderia fazer, buscava coisas que me rendiam mais mídia do que dinheiro e por aí vai. De novo, a vaidade me jogou no buraco, porque eu não aceitava que estava perdendo e não fechava logo a empresa. Não admitia que tinha fracassado, porque ainda achava que poderia conseguir cumprir o plano que tinha de construir uma empresa que todos quisessem trabalhar e que fosse diferente das outras.
Conheci alguns que estava na mesma luta que eu. Dois esses, inclusive, construíram empresas que passaram de 1 bi de valor de mercado, sem exagero. O eu de antigamente até ficaria com inveja ou tentaria desmerecer a conquista desses. O eu de agora acha muito legal ver que conhecidos meus conquistaram algo que muitos de nós sonhávamos há 15 anos atrás. E vejo muitas qualidades neles, essenciais para isso, que não vejo em mim.
Hoje não tenho mais essa ambição de ter uma empresa estilo Google. Mas, mais do que ter ou não ter ambição, a realidade me mostra que não tenho a competência que esses conhecidos têm e que os levaram onde estão hoje. Não me sinto para baixo vendo o sucesso deles, me sinto pra baixo porque eu tentei ser eles, sem me dar conta da realidade e de quem eu sou de verdade.
E voltando para a parte intelectual, acho que nem nisso tive sucesso. Eu, na minha imensa arrogância, me achava mais inteligente que todos e que esse plano das pessoas de "ter um bom emprego" era pequeno demais para mim, como se eu estivesse destinado a coisas maiores. E aí invisto numa carreira acadêmica, agora como doutorando. E, de novo, a vida de pesquisador te coloca várias tentações que mexem com a sua vaidade. Confesso que ainda me pego agindo mais de acordo com a minha vaidade do que com objetivos mais concretos, de coisas que realmente façam a diferença na minha vida.
E os sentimentos de fracasso aparecem de novo, o tempo vai passando e estou ficando com menos possibilidades e energia para novas empreitadas. Talvez eu devesse aceitar que não nasci para ser a estrela que algumas pessoas que conheço são e ser feliz com o que eu tenho de verdade. Muita gente parece viver muito bem com a vida que eu sempre desprezei e talvez eu pudesse ser feliz assim também.
Venho aqui de tempos em tempos para tentar organizar meus pensamentos e, anonimamente, expurgar tudo o que me sufoca.
domingo, 10 de novembro de 2019
sábado, 2 de novembro de 2019
Pra que?
Estava vendo um vídeo no YouTube sobre a crise da meia idade e coloquei um comentário que reflete bem o que ando sentindo. Perguntava "Pra que?" e comentava que não via mais sentido em nada porque tinha o sentimento que estava tudo acabado.
Passei dos 40 e pode parecer um absurdo falar isso, já que muita gente que fala do assunto diz que essa fase da vida é quando podemos realizar as coisas que não poderíamos antes. Além do mais, vejo vários exemplos próximos de pessoas mais velhas do que eu, com vários planos e iniciativas, com uma energia que eu queria ter.
Mas o fato é que estou sem essa energia que eu tinha há 20 anos atrás. Ando desmotivado a maior parte das vezes e me questionando qual o sentido de tudo o que tenho feito hoje. Sim, estou envolvido em várias coisas ao mesmo tempo, com iniciativas que parecem coisas boas tanto para mim quanto para outras pessoas. No entanto, existem momentos que olho e penso: "Pra que?".
Além disso, tem vindo com alguma frequência o sentimento de que fracassei em tudo que planejei para mim quanto tinha meus vinte anos. Não tenho a tranquilidade financeira que achei que teria, moro de aluguel, não tenho uma família (me refiro a esposa e filhos) e por aí vai. Esses fatos têm batido a minha porta toda semana e o sentimento fica pior quando me sinto sem perspectiva de mudança, aquele sentimento de que daqui a 20 anos continuarei com problemas financeiros, sozinho e morando de aluguel.
Sei que o poder para mudar tudo isso está todo na minha mão. Isso para mim é absolutamente claro. Mas me sinto sem forças e me questionando: "Pra que?".
Passei dos 40 e pode parecer um absurdo falar isso, já que muita gente que fala do assunto diz que essa fase da vida é quando podemos realizar as coisas que não poderíamos antes. Além do mais, vejo vários exemplos próximos de pessoas mais velhas do que eu, com vários planos e iniciativas, com uma energia que eu queria ter.
Mas o fato é que estou sem essa energia que eu tinha há 20 anos atrás. Ando desmotivado a maior parte das vezes e me questionando qual o sentido de tudo o que tenho feito hoje. Sim, estou envolvido em várias coisas ao mesmo tempo, com iniciativas que parecem coisas boas tanto para mim quanto para outras pessoas. No entanto, existem momentos que olho e penso: "Pra que?".
Além disso, tem vindo com alguma frequência o sentimento de que fracassei em tudo que planejei para mim quanto tinha meus vinte anos. Não tenho a tranquilidade financeira que achei que teria, moro de aluguel, não tenho uma família (me refiro a esposa e filhos) e por aí vai. Esses fatos têm batido a minha porta toda semana e o sentimento fica pior quando me sinto sem perspectiva de mudança, aquele sentimento de que daqui a 20 anos continuarei com problemas financeiros, sozinho e morando de aluguel.
Sei que o poder para mudar tudo isso está todo na minha mão. Isso para mim é absolutamente claro. Mas me sinto sem forças e me questionando: "Pra que?".
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
6 meses sem alprazolam
Como sou muito ligado em números, estava contando o tempo sem o alprazolam. Até como meta mesmo, para ver quanto tempo eu ficaria sem recorrer ao SOS. E cheguei aos 6 meses!
Não vou dizer que não tive momentos ansiosos nesse período. Tive, mas nada que chegasse a ponto de precisar do remédio. Isso me deixa feliz, porque me dá a sensação que estou conseguindo lidar de alguma forma com a ansiedade.
Os pensamentos ruins vem, é claro, quase todo dia. Qualquer dor já é motivo pra pensar em alguma doença grave. De tempos em tempos vem também aquela sensação de "o que eu fiz da minha vida?", como se eu já caminhasse para o final dela e não tivesse muito mais a viver. Mas tenho procurado não alimentar esses pensamentos e me ocupar com algo.
O que fiz nesses seis meses então?
A primeira coisa é em relação a exercícios. Tenho ido com alguma regularidade, com alguns buracos semanais, mas posso dizer que faço exercícios sempre. E sempre saio da academia melhor do que entrei, não importa quanto de exercício tenho feito lá.
A outra coisa, e faz dois meses nessa semana, é em relação ao café. Eu adoro tomar café, mas resolvi cortar da minha vida, imaginando que isso pode afetar meu estado. Acho que quando comecei a ter a ansiedade, eu tomava muito café e vivia num ambiente estressante. Sei que não é resultado de um fator só, mas inegavelmente o excesso de café afeta o cérebro. Então resolvi simplesmente cortar e ver como me saio. Até agora indo bem.
Tenho procurado sempre estar com alguém, visitando parentes, vendo amigos ou não recusando convites de almoço com colegas de universidade. Mesmo que eu queira ficar só ou esteja com preguiça de sair de casa, me esforço para não ficar muito tempo sem interagir com alguém. Isso deveria ser algo normal mas para mim é sempre um esforço.
Sempre me disseram que sou muito acelerado, eu mesmo sinto isso. Então, coloquei um freio até nas coisas mais banais. Na hora de comer, fico contando mastigadas e não ficar engolindo a comida. Para andar de um lugar ao outro, vigio as minhas passadas (todo mundo fala que eu ando muito rápido). Em pequenas coisas tento ir mais devagar.
O que tem funcionado para mim não necessariamente funcionará para outras pessoas. Mas tenho experimentado essas mudanças e vendo resultados, ajustando sempre que achar necessário. Espero que cada um descubra suas formas de lidar com a ansiedade, lembrando que é um dia de cada vez.
Não vou dizer que não tive momentos ansiosos nesse período. Tive, mas nada que chegasse a ponto de precisar do remédio. Isso me deixa feliz, porque me dá a sensação que estou conseguindo lidar de alguma forma com a ansiedade.
Os pensamentos ruins vem, é claro, quase todo dia. Qualquer dor já é motivo pra pensar em alguma doença grave. De tempos em tempos vem também aquela sensação de "o que eu fiz da minha vida?", como se eu já caminhasse para o final dela e não tivesse muito mais a viver. Mas tenho procurado não alimentar esses pensamentos e me ocupar com algo.
O que fiz nesses seis meses então?
A primeira coisa é em relação a exercícios. Tenho ido com alguma regularidade, com alguns buracos semanais, mas posso dizer que faço exercícios sempre. E sempre saio da academia melhor do que entrei, não importa quanto de exercício tenho feito lá.
A outra coisa, e faz dois meses nessa semana, é em relação ao café. Eu adoro tomar café, mas resolvi cortar da minha vida, imaginando que isso pode afetar meu estado. Acho que quando comecei a ter a ansiedade, eu tomava muito café e vivia num ambiente estressante. Sei que não é resultado de um fator só, mas inegavelmente o excesso de café afeta o cérebro. Então resolvi simplesmente cortar e ver como me saio. Até agora indo bem.
Tenho procurado sempre estar com alguém, visitando parentes, vendo amigos ou não recusando convites de almoço com colegas de universidade. Mesmo que eu queira ficar só ou esteja com preguiça de sair de casa, me esforço para não ficar muito tempo sem interagir com alguém. Isso deveria ser algo normal mas para mim é sempre um esforço.
Sempre me disseram que sou muito acelerado, eu mesmo sinto isso. Então, coloquei um freio até nas coisas mais banais. Na hora de comer, fico contando mastigadas e não ficar engolindo a comida. Para andar de um lugar ao outro, vigio as minhas passadas (todo mundo fala que eu ando muito rápido). Em pequenas coisas tento ir mais devagar.
O que tem funcionado para mim não necessariamente funcionará para outras pessoas. Mas tenho experimentado essas mudanças e vendo resultados, ajustando sempre que achar necessário. Espero que cada um descubra suas formas de lidar com a ansiedade, lembrando que é um dia de cada vez.
sexta-feira, 12 de julho de 2019
A vida depois dos 65 anos
Alguns acontecimentos parecem que aumentaram minhas reflexões sobre o que foi a minha vida e o que vem pela frente. Ando pensando demais nisso e confesso que essas reflexões tem me causado mais incômodo do que algum tipo de satisfação.
Recentemente completei 41 anos, embora ainda me sinta como aquele estudante que saiu da casa da mãe aos 19 anos. Acho que a cada aniversário ando mais melancólico do que antes. No entanto, tanto esse ano quanto o ano passado tive um pequeno sentimento de alívio em saber que consegui mais um ano e passei dos 40, ao contrário do que me disseram anos atrás.
O outro acontecimento é que um problema bateu na minha porta: recebi uma carta da Receita Federal listando as dívidas da minha empresa e informando que elas passariam para o meu nome. Até aí, nada que não esperasse ou não soubesse. As dívidas da minha empresa são reflexo de tanta coisa errada que eu fiz, principalmente porque fui teimoso e não aceitando que deveria ter parado, aceitando a derrota. Meu orgulho me colocou com esse enorme passivo. Eu nunca tinha um número exato mas a tal carta me mostrou: em torno de 66 mil reais, sem contar os débitos com impostos municipais (mais uns 10 mil).
Por fim, a famigerada Reforma da Previdência. Desconsidero aqui a minha opinião sobre esse assunto e o que ela vai causar na vida dos mais pobres, porque o foco aqui é falar sobre mim. A reforma me estimulou a pensar como será minha vida quando eu estiver na terceira idade. E os números me deixaram muito deprimido. Só tenho 12 anos de contribuição por absoluta desorganização minha. Fazendo as contas simples, se eu contribuir por mais 3 anos, atingirei um pré-requisito para me aposentar por idade, aos 65 anos. Só que isso não me tranquiliza porque, nessas condições, o que eu receberia de aposentadoria não pagaria nem um aluguel. Ou seja, se eu não fizer nada, morrerei de fome quando for idoso.
Então, olhando como deverá ser a minha vida daqui para frente, tenho duas "motivações" principais: pagar minhas dívidas e juntar dinheiro para ter um final de vida sem passar fome. Em certos momentos me bate um desespero em sentir que estarei sozinho, sem mãe, sem casa e sem dinheiro para necessidades básicas que qualquer idoso tem.
Sei que parece muita ingratidão da minha parte, porque sei que tem muita gente em situação muito pior do que a minha. Mas não consigo deixar de me sentir mal, porque parece que a única perspectiva que vejo para mim é pagar pelos erros do passado e lutar pela sobrevivência depois dos 65 anos. Isso, perto de tudo o que sonhei para mim, é tão pouco e tão diferente do que imaginei...
Tenho vários desejos de contribuir para um mundo melhor através da minha pesquisa. Mas cada vez parece mais difícil trabalhar por esse propósito, porque tenho que pagar pelos meus erros e trabalhar para juntar dinheiro e não viver em condição miserável depois dos 65. Sei que não deixa de ser uma motivação mas...
Recentemente completei 41 anos, embora ainda me sinta como aquele estudante que saiu da casa da mãe aos 19 anos. Acho que a cada aniversário ando mais melancólico do que antes. No entanto, tanto esse ano quanto o ano passado tive um pequeno sentimento de alívio em saber que consegui mais um ano e passei dos 40, ao contrário do que me disseram anos atrás.
O outro acontecimento é que um problema bateu na minha porta: recebi uma carta da Receita Federal listando as dívidas da minha empresa e informando que elas passariam para o meu nome. Até aí, nada que não esperasse ou não soubesse. As dívidas da minha empresa são reflexo de tanta coisa errada que eu fiz, principalmente porque fui teimoso e não aceitando que deveria ter parado, aceitando a derrota. Meu orgulho me colocou com esse enorme passivo. Eu nunca tinha um número exato mas a tal carta me mostrou: em torno de 66 mil reais, sem contar os débitos com impostos municipais (mais uns 10 mil).
Por fim, a famigerada Reforma da Previdência. Desconsidero aqui a minha opinião sobre esse assunto e o que ela vai causar na vida dos mais pobres, porque o foco aqui é falar sobre mim. A reforma me estimulou a pensar como será minha vida quando eu estiver na terceira idade. E os números me deixaram muito deprimido. Só tenho 12 anos de contribuição por absoluta desorganização minha. Fazendo as contas simples, se eu contribuir por mais 3 anos, atingirei um pré-requisito para me aposentar por idade, aos 65 anos. Só que isso não me tranquiliza porque, nessas condições, o que eu receberia de aposentadoria não pagaria nem um aluguel. Ou seja, se eu não fizer nada, morrerei de fome quando for idoso.
Então, olhando como deverá ser a minha vida daqui para frente, tenho duas "motivações" principais: pagar minhas dívidas e juntar dinheiro para ter um final de vida sem passar fome. Em certos momentos me bate um desespero em sentir que estarei sozinho, sem mãe, sem casa e sem dinheiro para necessidades básicas que qualquer idoso tem.
Sei que parece muita ingratidão da minha parte, porque sei que tem muita gente em situação muito pior do que a minha. Mas não consigo deixar de me sentir mal, porque parece que a única perspectiva que vejo para mim é pagar pelos erros do passado e lutar pela sobrevivência depois dos 65 anos. Isso, perto de tudo o que sonhei para mim, é tão pouco e tão diferente do que imaginei...
Tenho vários desejos de contribuir para um mundo melhor através da minha pesquisa. Mas cada vez parece mais difícil trabalhar por esse propósito, porque tenho que pagar pelos meus erros e trabalhar para juntar dinheiro e não viver em condição miserável depois dos 65. Sei que não deixa de ser uma motivação mas...
quinta-feira, 13 de junho de 2019
Mais uma primavera X
A demora em escrever se deve a dois fatores: falta de tempo e inspiração. Não que faltem reflexões, muito pelo contrário, mas acho que tem me faltado algo para tirar da cabeça e colocar no "papel".
Essa semana completei mais um ano de vida e acho que sempre fico tenso nessa época do ano. Pode ser aquele momento de lembrar que tudo o que vivo hoje é muito diferente do que sonhei quando mais novo. Mas também pode ser aquela voz que fica na cabeça: "você está ficando velho, precisa dar um jeito na sua vida". Não sei, embora ache mais provável essa segunda hipótese.
As coisas têm andado por um lado e retrocederam em outras questões. Nos últimos 30 dias, fui uma vez a academia, inicialmente por dores no peito e depois por motivos diversos (=enrolação minha). Estava indo bem evitando café, mas já me vi tomando quase todo dia. Estou em um congresso e só hoje tomei 3 vezes.
Tenho tido dores de cabeça, especialmente entre os olhos. Acho que é algo com minha visão/óculos. Os pensamentos de dores, doenças e tragédias têm me ocupado mais do que nos últimos 3 meses. E aí não sei o que é causa/efeito. Se a distância dos exercícios e o consumo do café ou se esses retrocessos são frutos de um estado ansioso. Como pesquisador essas coisas me intrigam e como paciente isso me faz pensar/lamentar/preocupar.
Mas falemos de coisas boas: em assuntos acadêmicos consegui importantes avanços, que podem fazer as coisas andarem bem no segundo semestre. Só preciso me focar nessas vitórias e não me abater tanto com as derrotas.
P:S: coloquei X no título do post porque acho que já postei alguma vez com esse mesmo título. Duro é se já usei a mesma estratégia (X) antes...
Essa semana completei mais um ano de vida e acho que sempre fico tenso nessa época do ano. Pode ser aquele momento de lembrar que tudo o que vivo hoje é muito diferente do que sonhei quando mais novo. Mas também pode ser aquela voz que fica na cabeça: "você está ficando velho, precisa dar um jeito na sua vida". Não sei, embora ache mais provável essa segunda hipótese.
As coisas têm andado por um lado e retrocederam em outras questões. Nos últimos 30 dias, fui uma vez a academia, inicialmente por dores no peito e depois por motivos diversos (=enrolação minha). Estava indo bem evitando café, mas já me vi tomando quase todo dia. Estou em um congresso e só hoje tomei 3 vezes.
Tenho tido dores de cabeça, especialmente entre os olhos. Acho que é algo com minha visão/óculos. Os pensamentos de dores, doenças e tragédias têm me ocupado mais do que nos últimos 3 meses. E aí não sei o que é causa/efeito. Se a distância dos exercícios e o consumo do café ou se esses retrocessos são frutos de um estado ansioso. Como pesquisador essas coisas me intrigam e como paciente isso me faz pensar/lamentar/preocupar.
Mas falemos de coisas boas: em assuntos acadêmicos consegui importantes avanços, que podem fazer as coisas andarem bem no segundo semestre. Só preciso me focar nessas vitórias e não me abater tanto com as derrotas.
P:S: coloquei X no título do post porque acho que já postei alguma vez com esse mesmo título. Duro é se já usei a mesma estratégia (X) antes...
sábado, 11 de maio de 2019
Três meses sem alprazolam
Hoje completei 3 meses sem pedir socorro ao alprazolam. Estou tentando buscar na memória aqui, mas não lembro de quando foi a última vez que fiquei tanto tempo sem recorrer ao SOS. Tive períodos de um mês a pouco mais de um mês, mas 3 meses realmente não lembro. Acho que a última vez que comprei esse remédio foi em julho do ano passado e ainda devo ter quase uma caixa. Algo para se comemorar, não?
Tenho andado menos ansioso? Bem, não tenho tido dias bons nas últimas semanas, mas acho que há uma evolução. Acontece de vez em quando alguns momentos de ansiedade de pensamentos ruins, mas nada que me leve a recorrer a um SOS.
Acho que duas coisas foram fundamentais: ando com muito compromisso na faculdade e tenho mantido alguma regularidade nos exercícios físicos. Se não me curou, pelo menos tenho tido menos crises do que no último ano, ou mesmo de janeiro a fevereiro desse ano.
Os pensamentos de morte e doenças não me largam. Qualquer dor que sinto já é motivo para pensar em algo muito ruim acontecendo comigo. Se leio uma notícia ruim sobre alguém, já imagino o mesmo acontecendo comigo. De ontem para hoje fiquei sentindo dores no perto, que começaram enquanto malhava ontem. Embora a explicação mais lógica foi que eu trabalhei justamente essa área ontem, a persistência nas dores me incomoda o tempo todo, a ponto de eu ficar a toda hora tocando meu peito para saber se a dor se é no osso mesmo. Já tive isso outras vezes da minha vida e acho que já devo ter publicado nesse blog como me senti.
E, embora tenha muito a comemorar sobre os 3 meses sem SOS, esse sentimento de vigília constante me incomoda muito, pois são raros os momentos que me sinto em paz sem pensar se estou morrendo, sozinho ou me sentindo fracassado. A maior parte do meu dia é tomado com pensamentos como esses. Tem dias que fico sem vontade de sair de casa, mesmo quando tenho compromissos fora. Já me vi dando desculpas para algumas ausências, coisa que fiz bastante nos anos de 2010-2012, o que fechou muitas portas para mim. Preciso lutar contra isso.
Acho que preciso manter o que tem dado certo e tentar fazer terapia. A partir da outra semana, vou tentar atendimento psicológico em um posto de saúde perto de onde moro agora. Se não der certo, vou ter que pensar em outra forma de atendimento.
Tenho andado menos ansioso? Bem, não tenho tido dias bons nas últimas semanas, mas acho que há uma evolução. Acontece de vez em quando alguns momentos de ansiedade de pensamentos ruins, mas nada que me leve a recorrer a um SOS.
Acho que duas coisas foram fundamentais: ando com muito compromisso na faculdade e tenho mantido alguma regularidade nos exercícios físicos. Se não me curou, pelo menos tenho tido menos crises do que no último ano, ou mesmo de janeiro a fevereiro desse ano.
Os pensamentos de morte e doenças não me largam. Qualquer dor que sinto já é motivo para pensar em algo muito ruim acontecendo comigo. Se leio uma notícia ruim sobre alguém, já imagino o mesmo acontecendo comigo. De ontem para hoje fiquei sentindo dores no perto, que começaram enquanto malhava ontem. Embora a explicação mais lógica foi que eu trabalhei justamente essa área ontem, a persistência nas dores me incomoda o tempo todo, a ponto de eu ficar a toda hora tocando meu peito para saber se a dor se é no osso mesmo. Já tive isso outras vezes da minha vida e acho que já devo ter publicado nesse blog como me senti.
E, embora tenha muito a comemorar sobre os 3 meses sem SOS, esse sentimento de vigília constante me incomoda muito, pois são raros os momentos que me sinto em paz sem pensar se estou morrendo, sozinho ou me sentindo fracassado. A maior parte do meu dia é tomado com pensamentos como esses. Tem dias que fico sem vontade de sair de casa, mesmo quando tenho compromissos fora. Já me vi dando desculpas para algumas ausências, coisa que fiz bastante nos anos de 2010-2012, o que fechou muitas portas para mim. Preciso lutar contra isso.
Acho que preciso manter o que tem dado certo e tentar fazer terapia. A partir da outra semana, vou tentar atendimento psicológico em um posto de saúde perto de onde moro agora. Se não der certo, vou ter que pensar em outra forma de atendimento.
domingo, 28 de abril de 2019
Vigilância constante
Nesses meus 10 anos com a ansiedade, já tive diversos sintomas, cada um com um grau maior ou menor dependendo da época. Atualmente, o que mais tem me atingido é esse estado de completa vigilância a cada sensação física minha, o que tem me deixado preocupado todo o tempo. Dói a mão, dói o pescoço, coça aqui, coça ali, tudo são gatilhos para eu pensar em alguma doença e ficar preocupado e sem conseguir relaxar.
Há muito o que se comemorar, é verdade. Minhas dores no pescoço estão quase sumindo, o que está relacionado à troca por um travesseiro decente. A respiração anda bem melhor também, o que foi causado também pela mudança para um lugar onde há boa circulação de ar. Tenho mantido cuidados comigo e com a casa onde moro, o que dá aquela sensação de limpeza e organização. Já são quase 3 meses sem o SOS e os exercícios físicos vão bem também. Sim, muita coisa tem melhorado para mim. Mas...
Estava numa reunião na sexta e durante a reunião, como aconteceu em outros dias da semana passada, senti um aperto no peito. Quando isso acontece, sinto a respiração mais pesada, começo a tocar meu peito para saber se tem dor nos ossos ou músculos e começo a beber água sem parar. Curioso é que estava num dia muito bom, com bons avanços nas tarefas e boa interação com as pessoas, o que não tinha acontecido no início da mesma semana. E aí, com essa mente que não descansa, já comecei a me questionar se aquelas coisas eram mesmo emocionais ou físicas, já que eu estava num dia bom e não teria motivos aparentes para ficar preocupado ou estressado. Realmente não sei.
O fato é que isso tem acontecido muitas vezes na semana, diria todo dia, e meus pensamentos de doença ou sensação de coisa ruim não me largam, tirando minha tranquilidade, concentração no trabalho, sono, etc. Tinha uma avó (voltarei nisso na série que estou escrevendo) que claramente era hipocondríaca. Mas eu não tinha esses pensamentos de doença até mais ou menos meus 30 anos. Raramente ia a médico desde a adolescência até aos 30 e não ficava pensando em doenças.
O que será que mudou? Por que isso só piorou de uns anos para cá? Por que estou bem pior disso de uns 4 meses para cá?
Muitas perguntas e sem pistas evidentes das explicações, o que espero encontrar na minha viagem à minha história de vida.
Há muito o que se comemorar, é verdade. Minhas dores no pescoço estão quase sumindo, o que está relacionado à troca por um travesseiro decente. A respiração anda bem melhor também, o que foi causado também pela mudança para um lugar onde há boa circulação de ar. Tenho mantido cuidados comigo e com a casa onde moro, o que dá aquela sensação de limpeza e organização. Já são quase 3 meses sem o SOS e os exercícios físicos vão bem também. Sim, muita coisa tem melhorado para mim. Mas...
Estava numa reunião na sexta e durante a reunião, como aconteceu em outros dias da semana passada, senti um aperto no peito. Quando isso acontece, sinto a respiração mais pesada, começo a tocar meu peito para saber se tem dor nos ossos ou músculos e começo a beber água sem parar. Curioso é que estava num dia muito bom, com bons avanços nas tarefas e boa interação com as pessoas, o que não tinha acontecido no início da mesma semana. E aí, com essa mente que não descansa, já comecei a me questionar se aquelas coisas eram mesmo emocionais ou físicas, já que eu estava num dia bom e não teria motivos aparentes para ficar preocupado ou estressado. Realmente não sei.
O fato é que isso tem acontecido muitas vezes na semana, diria todo dia, e meus pensamentos de doença ou sensação de coisa ruim não me largam, tirando minha tranquilidade, concentração no trabalho, sono, etc. Tinha uma avó (voltarei nisso na série que estou escrevendo) que claramente era hipocondríaca. Mas eu não tinha esses pensamentos de doença até mais ou menos meus 30 anos. Raramente ia a médico desde a adolescência até aos 30 e não ficava pensando em doenças.
O que será que mudou? Por que isso só piorou de uns anos para cá? Por que estou bem pior disso de uns 4 meses para cá?
Muitas perguntas e sem pistas evidentes das explicações, o que espero encontrar na minha viagem à minha história de vida.
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