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sábado, 30 de março de 2019

É impossível ser feliz sozinho

É impossível ser feliz sozinho

A linda música do Tom Jobim, que conheci ainda na adolescência quando tentava aprender violão, sempre ficou na minha memória, especialmente por essa parte. Talvez ela tenha ficado na minha memória como um lembrete para mim mesmo. No entanto, esse lembrete geralmente soa mais como uma constatação (ou sentimento) de fracasso do que propriamente algo que eu deveria cuidar na minha vida de maneira constante.

Acho que sempre me senti só, mesmo quando em convívio com outras pessoas. Seja na escola, nos trabalhos, nos empregos ou muitas vezes em casa mesmo. Não que as pessoas tenham me afastado, é claro. Longe de mim colocar na conta dos outros uma responsabilidade que é só minha. Eu mesmo tenho uma certa dificuldade de interagir com as pessoas. Embora ache que sou uma pessoa simpática, boa ouvinte e, como dizem algumas pessoas a meu respeito, até carismática. Eu gosto de pessoas mas não consigo me enturmar, em qualquer ambiente.

Quando estou em algum grupo, normalmente eu sou o que menos fala. A maioria das reuniões de trabalho que participo geralmente fico calado, especialmente quando me sinto inferior aos outros. Relembrando em grupos da escola, no recreio ou em festas, eu sempre era o da rodinha que ficava calado. Muitas vezes eu torcia para aqueles eventos acabarem logo para eu voltar para meu mundo comigo mesmo.

Em relação a relacionamentos amorosos, uma ex-namorada reclamava muito que não interagíamos com os outros, que só ficávamos conosco mesmo. E, também por ciúme ou insegurança, ela estava certa. Toda vez que tínhamos que estar em algum evento, seja com amigos ou com a família dela, eu ficava emburrado, torcendo para aquilo acabar logo. Lamento pelo incômodo que causei a ela nesse período.

Relacionamentos, amorosos ou não, são complicados. Temos coisas boas e também momentos nada agradáveis. E, olhando para trás, percebo que me isolei muitas vezes quando alguma coisa não saía direito. Seja quando era zoado, quando era rejeitado, ou qualquer outra coisa que me desagradasse. Muitas vezes me peguei com aquele falso pensamento de "não preciso de ninguém, sei me virar sozinho".

Tenho consciência que relacionamentos são construídos diariamente e exigem esforço nosso. Seja para entender as limitações dos outros, assim como muitas vezes entendem as nossas. Seja para aceitar que as pessoas também tem seus anseios, que não necessariamente sejam iguais aos nossos. Ceder e compreender são condições necessárias em quaisquer relacionamentos.

Olhando meu histórico vi que nunca estive preparado para isso. Raramente criei problemas para os outros por conta disso, porque realmente me importo com o próximo. Para não desagradar ninguém por conta de uma discordância minha e devido a minha incapacidade de aceitar algo diferente do que eu quero, eu geralmente me isolo, me achando autosuficiente.

E por que comecei a pensar nisso aos 40 anos de idade? É porque o sentimento de solidão tem me incomodado muito. Vou almoçar no restaurante da faculdade e vejo grupos de amigos e casais, todos tendo uns aos outros, e me vejo completamente só, esquecido pelo mundo. Passo finais de semana e não tenho ninguém para ligar ou sair. E nem falo só de namoro, mas ter com quem interagir.

Quando era mais novo, sempre me chamavam para sair. Uma vez, um amigo disse algo como: "Desisto de te chamar para as coisas. Você nunca vai!". E de tantos "não quero" na vida, as pessoas foram cansando e me encontro só, sem amigos, sem namorada, sem ninguém.

Boa parte dos meus colegas de faculdade já tem suas famílias e suas vidas próprias. Devo ser o último dos solteiros. Aquelas que eu tinha acabaram morrendo por falta de cuidados meus. Ninguém me considera para nada, nem para me chamar para fazer algum programa. E não culpo ninguém, pois desistiram de mim há muito tempo.

E aos 40 anos parece que está tão mais difícil construir novas amizades. Não sei por onde (re)começar. Meu ambiente acadêmico acaba se resumindo às reuniões e interações do dia a dia, nada que extrapole o horário comercial.

Achei que podia lidar com isso, mas tem sido muito difícil. Como bom ansioso, me preocupo, porque sei que a falta de relacionamentos tem impacto na nossa saúde mental e física. Penso como serei quando tiver meus 50 ou 60 anos, se não descobrir como mudar isso agora.

Não sei como fazer e, além de descobrir meios de como mudar isso, preciso melhorar como pessoa, de modo que não faça tudo errado novamente quando a vida me der outras oportunidades de ter pessoas nela. Aceitar os outros como eles são é parte de cuidar de relacionamentos. Mas como melhorar nisso de verdade, mais do que concordar com a lógica da sentença anterior?

A única certeza que tenho é que, como diz na música do Tom, é impossível ser feliz sozinho.









quinta-feira, 14 de março de 2019

30 dias sem alprazolam

Ontem fez 30 dias da última vez que precisei tomar alprazolam. Naquela semana, senti necessidade por mais duas vezes mas não cheguei a tomar, lidando com meus momentos ansiosos de outras formas. O que aconteceu desde então?

Bem, nas duas semanas seguintes, estava na casa da minha mãe, local que me sinto protegido. Embora não tenha tidos dias de lazer propriamente ditos, estar descansando lá me fez muito bem. Ainda estava com crises de sinusite e dores no dente e na face, o que foi diminuindo depois que um médico me receitou um antibiótico.

Na terceira semana, voltei para a cidade onde moro para retomar meus compromissos acadêmicos. Ainda tive sintomas decorrentes da sinusite e dores no pescoço, o que julgo ser decorrente de tensão e possivelmente mal jeito para dormir. Mas já tinha melhoras no meu corpo e humor como um todo, sem nem lembrar do remédio que sempre levo na mochila e na carteira.

Na semana seguinte, a do carnaval, eu mudei de local de moradia. Morava num lugar muito pequeno e com vizinhos bem barulhentos (era uma república). Optei por pagar bem mais caro e me mudar para um lugar onde tivesse paz e com mais cara de casa. Além disso, na semana do Carnaval, eu reiniciei minha história com academias, me matriculando em uma aqui perto. Com a quantidade de estudos relacionando exercícios físicos com melhoria nos casos de ansiedade, eu preciso tentar. Academia não é bem o lugar onde mais fico a vontade, mas preciso fazer esse esforço lutar por mais saúde na minha vida.

Essa semana passei bem, na correria das minhas tarefas e nos cuidados comigo mesmo. Mal senti dores no pescoço, que me incomodaram muito nas últimas semanas e praticamente não tive problemas respiratórios. Não sei o que é causa e o que é efeito, mas é fato que meu melhor estado físico e mental caminharam juntos.

Para organizar as coisas, procurei fazer uma lista do que deveria fazer, me disciplinando para apontar todo dia o que fiz e o que não fiz. Segue minha lista:


Evitar alimentos tóxicos: café

Amanhã fazem 4 semanas que não tomo café, o que é muito difícil para mim, já que adoro café. Não acho que abandonarei o café, mas entendo que tomar como eu tomava pode influenciar no meu organismo e, por consequência, no meu estado emocional.

Não digo que eliminei a cafeína, porque tomei chá mate dia desses. Mas sei que a concentração é muito menor.  Além disso, evitei outros estimulantes, como chocolate. Esse não posso afirmar que não comi nada, mas diminuí bem.

Procurar dormir bem

É uma luta que ainda não acabou, mas tive boas vitórias. Sempre fui muito estressado para chegar nos locais antes e estava me impondo horários para acordar que eu não precisava, exceto quando tenho compromissos (como aulas). Como resultado, mesmo que eu vá dormir mais tarde, tenho tido boas horas de sono em quase todos os dias. Mas ainda preciso melhorar em muita coisa, como deitar para dormir e não ficar me distraindo enquanto o sono não vem.

Boa alimentação

Essa é uma parte que eu já tinha melhorado muita coisa, mas tenho feito algumas coisas, até para melhorar meu sistema imunológico:

- Tomar um suco de limão todo dia de manhã
- Comer frutas
- Não exagerar na quantidade de comida
- Inserir mel na alimentação
- Evitar coisas fritas

Acho que progredi bem nesse ponto

Cuidar da casa

Acredito firmemente que nosso local de descanso tem que ser agradável e organizado. Com esse pensamento, me policio para não deixar nenhuma louça suja e nem deixar as coisas bagunçadas. Tenho mantido uma certa organização em casa e essa sensação de controle tem me feito bem.

Além disso, comprei uma planta para o lugar onde moro. Já queria ter uma planta faz tempo e acabei comprando uma espada de São Jorge, planta que é ótima para ambientes fechados.

Ver as coisas no lugar, limpas e ter uma planta são pequenas mudanças que têm me feito bem.

Cuidar da minha higiene

Eu estava barbudo tem uns dois anos. Nos dias na casa da minha mãe, fiquei cada dia com mais vontade de tirar a barba, como se ela estivesse me deixando sujo. Não fico mesmo bem de barba e, quando estava tirando a barba, tive o sentimento de estar cuidando de mim.

Além disso, todo dia tenho feito a higiene bucal sem pressa, como se fosse um ritual mesmo. Sempre fiz essa parte o mais rápido possível, o que provavelmente me causou alguns problemas.

Exercícios

Mesmo não podendo gastar mais, me inscrevi numa academia aqui. A melhora nas dores do pescoço já foi perceptível após os primeiros dias indo lá. Preciso me esforçar para manter uma rotina de ir à academia.

Controle de Tarefas

Tenho feito um planejamento das tarefas da semana e, mesmo que não funcione 100% todos os dias, isso tem aumentado minha produtividade. Além disso, e é o que considero mais importante, planejar e marcar todo dia o que fiz/não fiz me dá a sensação de controle.

Interagir com as pessoas

Tem vários estudos mostrando a importância de manter relações saudáveis e como isso pode contribuir para a nossa saúde. Então, na minha planilha de controle, tem um item chamado "falar com alguém". Mesmo que sejam pessoas do meu convívio de trabalho ou academia, tenho procurado não apressar as interações para acabar logo e menos evitar falar com os outros, o que sempre faço.

Diversão

Sempre tenho muita coisa para fazer, mas raramente tenho trazido trabalho pra casa. Quando estou em casa, tenho me proporcionado fazer alguma coisa que seja entretenimento, seja algum canal de YouTube ou assistir a um jogo de futebol.

Não sei explicar como fiz isso, mas toda vez que penso em alguma tarefa no meu momento de descanso, já vem um pensamento "amanhã eu faço isso e não vou parar meu descanso".

Resumindo

Não acho que tenha descoberto a fórmula mágica, mas colocar essas coisas como pontos a verificar no fim do dia tem me feito ter a sensação de que estou no controle. Além disso, para pessoas desorganizadas como eu, colocar como uma lista de tarefas me obriga a ser disciplinado. Talvez depois de um tempo eu não precise mais disso e já faça naturalmente, tornando esses cuidados comigo como um hábito estabelecido.

Vamos em frente.













sábado, 2 de março de 2019

De volta

Depois de duas semanas de repouso na casa da minha mãe, voltei às atividades nessa semana. Quando estava no ônibus de volta pra cá, bateu aquele receio de acontecer tudo de novo e não melhorar. Mas, felizmente, passei uma semana muito boa.

Tive aulas nessa semana e isso de certa forma me ocupou bastante. Além disso, com reuniões de pesquisa e outras atividades posso dizer que tive uma semana bem cheia. Chegava à noite e, embora não tenha dormido cedo em nenhum dia, tive boas noites de sono. Aquela minha tontura aconteceu muito pouco e percebi que é devido a tensão muscular na nuca, o que já tinha acontecido há 4 anos sem os efeitos da tontura. Notei que tive alguma tensão muscular e acho que, além do stress em si, pode estar relacionada ao meu travesseiro.O fato é que estou meio tenso, ansioso, menos emotivo e também com pouca sensação de tontura e desequilíbrio. Deve ter relação.

Em relação à sinusite, o uso da azitromicina realmente melhorou meu quadro. Estou com poucas dores no resto e pouca secreção. Talvez esse quadro remanescente se deva à minha volta pra cidade poluída onde moro. Verei isso na próxima consulta com o médico.

Outra mudança que tentei colocar já no período que estava na casa da minha mãe foi cortar o café. Eu amo café e talvez por isso exagere às vezes. Embora para algumas pessoas não faça efeito nenhum, café me deixa mais agitado. Com o excesso então, o quadro pode piorar. Então, resolvi cortar o café até eu me sentir melhor e com o quadro de ansiedade sendo devidamente tratado. Essa semana fez duas que não tomo café.

Pensando da minha volta e para tentar organizar minhas pendências, fiz um planejamento do que tinha que fazer essa semana. Acho que foi muito bem e ver as células verdes na planilha (=tarefa concluída) fez bem para mim. Nas várias leituras que já fiz, está claro que valorizar cada vitória nossa, por menor que seja, tem um efeito no nosso humor. Então, além de planejar o que tenho que fazer e organizar meu dia, trouxe para mim a sensação de controle da minha vida (outro aspecto que é importante reforçar, especialmente em casos de transtorno).

Em relação aos quadros de transtorno, não é uma coisa só que resolve, isso é claro. Mas, o tratamento deve ser composto de mudanças de comportamentos além da ajuda profissional e familiar. Tenho me esforçado nesses dias para trabalhar em mudar meu comportamento, melhorando aspectos de alimentação (tirar o café), interagir mais com as pessoas, reforçar pensamentos positivos (ver as tarefas concluídas). Além disso, vou tentar atendimento psicológico na universidade onde estou, o que só poderei fazer quando o serviço voltar, no meio de março.

Até lá, o que posso fazer é tomar as atitudes que estão ao meu alcance e só dependem de mim. Tem horas que falta vontade, mas não tem jeito. A nossa única opção possível é lutar e confiar, como mostram dezenas de estudos científicos, que a melhora vai vir quando trabalhamos nosso comportamento.

Vamos em frente.







quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

A hora de voltar

Tenho passado esses dias aqui na casa da minha mãe e tenho me sentido bem melhor do que quando cheguei aqui. Estar perto de quem amo, boa alimentação, conforto, tranquilidade, ar puro... Acho que é uma soma de coisas que colaboram para o nosso bem estar. Da mesma forma, a falta delas contribuem para um estado doente.

Com certo receio de sair de casa, ontem saí para um exame e hoje fui à padaria. Tive momentos de insegurança mas posso dizer que me saí bem. Meu estado físico parece bem melhor, embora esteja com uma dor de dente que tem me incomodado bastante. Mas a minha reação a esses incômodos físicos tem sido bem melhor do que há uma semana atrás.

Ainda penso em 10 doenças por hora, claro. Não estou nem perto de estar bem (achei "curado" uma palavra forte). Mas claro que há progressos, tanto que hoje decidi voltar ao lugar onde moro e retomar minhas atividades.

Essa decisão de voltar me causou um certo temor agora à noite e incrível como meu corpo transparece esses sentimentos. Garganta doeu, respiração mais difícil, sensação de tontura e um pouco de agitação. Depois de um chá e um pouco na frente da TV, consegui me acalmar.

Mas bate aquele receio de sentir tudo de novo quando eu voltar para onde moro. Preciso encontrar formas de mudar o que não me agrada onde vivo e tornar um ambiente mais suportável. Além disso, preciso procurar novamente ajuda profissional, o que farei quando voltar. Como estou dependente de um serviço da universidade, terei que esperar até quase o meio de março, quando eles retornarão o serviço aos alunos.  Espero ficar bem até lá.

Enquanto isso, o que fazer? Tenho que mudar de moradia, fazer exercícios físicos e separar tempo para entretenimento. Aqui eu fico vendo TV e acabo vendo filmes, séries e shows. Sempre disse que não gosto de TV e nunca fiz questão de ter uma. Mas está claro que aqui na casa da minha mãe eu acabo me ocupando bastante com a TV. Logo, preciso achar formas de entretenimento também onde moro.

Espero continuar bem nos próximos dias para voltar pra casa. Tenho muito o que fazer e estou com tarefas do doutorado atrasadas. Nada diferente considerando a minha história de vida. Mas espero lidar com isso melhor do que das outras vezes.




segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

Sinais de melhora?

Hoje faz uma semana que estou na casa da minha mãe. Desde que cheguei não tomei SOS nenhuma vez, embora estivesse a ponto de tomar por dois momentos. Quando isso aconteceu, tentei dizer a mim mesmo que ia passar, como sempre passou, e tentei me ocupar. Não que ache que tenha descoberto a fórmula mágica, mas funcionou nesses dois momentos.

Por alguns dias tive momentos de muita angústia, achando que estava morrendo e que minha vida estava acabada, não importava o que fizesse.

Além disso, meu monitoramento de sensações corporais tava bem ativo, diminuindo um pouco nos últimos dois dias. Reparei que isso tem relação direta com meu humor, me sentindo menos triste ou angustiado.

Tenho tido dores em um lado da face e isso me causava muita preocupação na semana passada. Nesse fim de semana e hoje, embora ainda doa de vez em quando, tenho tido menos preocupação com isso.

Outra coisa que notei em relação a mim foi que tive mais vontade de me cuidar. Estava com uma barba há uns 2 anos e meio, e acabei tirando nesse domingo. Me senti bem em fazer isso, embora eu ache que fique melhor de barba. Mas sei lá, talvez tirar a barba represente raspar de mim um eu que não se cuida ou com aparência de largado.

Achei um canal no YouTube muito legal, chamado NeurologiaePsiquiatria TV, de uma psiquiatra e um neurologista. Em linguagem simples, eles explicam muitas coisas sobre diversos males. Olhando as palavras dela, me dei conta de duas coisas que parecia evitar: 1) A sensação de que preciso de ajudar profissional; 2) Não devo me sentir mal se tiver que tomar remédios de novo, desde que isso me faça bem.

Acho que muito da relação médico-paciente se baseia em confiança. Dessa forma, se vc não está aberto  as indicações do profissional, talvez fique mais difícil para encontrar as soluções para os problemas. Já tinha decidido procurar atendimento psicológico, mas também irei procurar psiquiatra. Preciso lutar de todas as formas para buscar saúde, me despindo de certos preconceitos que tenho.

Embora ainda tenha alguma sensações físicas que me causam muito incômodo, o que mudou de uns dias para cá e que meu nível de "esperança" está um tanto melhor. Que seja a curva pra baixo da minha fase ruim!

Ah, já ia esquecendo: instalei um aplicativo chamado Diário de Humor, em que coloco de vez em quando como estou. Tem uma dinâmica diferente de blog, mas parece uma abordagem interessante. Segue um print










sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

Buscando o porto seguro

Na última segunda, depois de mais um momento de pavor, resolvi vir para a casa da minha mãe. Acabei vindo praticamente só com a roupa do corpo e estava desesperado para estar aqui.

Na terça fui a um médico que me receitou um antibiótico para a sinusite. Apesar de ter receio quanto a remédios fortes, acabei tomando porque não aguentava mais o que estava passando. E é claro que pesquisei reações que podem ocorrer com a azitromicina, o que certamente nunca é uma atitude boa. Digo que não é porque, como bom ansioso, olhar bulas sempre me causam mais mal do que benefícios.

Como sou hipertenso e tomo remédio, sempre aviso aos médicos dos remédios que tomo e lhes questiono se teria algum efeito por causa disso. Mesmo com a negativa deles, eu acabo buscando ler sobre os remédios na internet e isso me leva a mais pensamentos ruins do que informações úteis de fato.

Embora não esteja bem ainda, tive melhora nos dois primeiros dias com o antibiótico. Nem perto de estar bom, mas uma melhora perceptível. Hoje, após o 3o e último dia tomando o remédio, acabei me sentindo muito mal. Desconforto no nariz, dores na face e tensão na nuca, que me dá a sensação de tontura ou cabeça caindo. E aí tudo começa...

Diante desse quadro, meu pensamento de "estou tendo um treco, vou morrer" já é disparado e penso em muitas coisas. O que acontece quando estou assim: vontade de beber água (uma garrafa atrás da outra), tosse, dores no corpo, respiração rápida, coração acelerando e por aí vai.

Dessa vez, ao menos, não tomei o alprazolam. Estive com ele na mão mas tentei falar para mim mesmo que esse momento ia passar e eu precisava vencer esse momento. Além de tentar controlar a respiração, procurei me ocupar com alguma coisa. Primeiro com coisas de trabalho e depois com um jogo de cartas que achei no Windows.

Agora, por mais que ainda esteja com dores e sensação de cabeça pesada, estou mais calmo. Espero continuar nos próximos dias, enquanto o antibiótico ainda faz efeito no meu corpo. Segundo a bula, a meia vida é em torno de 68 horas, o que implica que ainda está agindo por mais uns dias mesmo eu tendo tomado a última dose ontem.

Embora eu tenha as mais ferramentas e conhecimento, me parece que esse momento de ansiedade é comparável a primeira manifestação, há 10 anos atrás. Ando sem fome, chorando por tudo, sem esperança, vontade de desistir do meu doutorado, etc.

Quero crer que isso é "só" a ansiedade e que não tenho nada físico muito grave. Mas provavelmente irei passar pelos vários especialistas para me certificar que não há nada de errado com o cérebro, coração, etc.






segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

Velhos hábitos, mesmos resultados

No post passado, em que eu falava da minha releitura de posts antigos, me dei conta também que continuei com os hábitos que contribuíram para meu estado de ansiedade. Além disso, mesmo sabendo de tanta coisa que poderia me fazer bem, não mudei tanta coisa nas minhas ações. Os resultados com os mesmos hábitos? Só pode ser a mesma coisa.

Em 2009-10, quando eclodiu a minha ansiedade pela primeira vez, percebi várias coisas que contribuíram para isso. Trabalhava sem parar, não cultivava minhas amizades, mal saía de casa, não fazia exercícios, mal dava atenção à minha família, comia mal e com exageros, ficava trancado em casa, etc. Digamos que essa foi a minha rotina por uns 3-4 anos.

Depois de tudo que já aprendi sobre transtornos mentais, em especial aos transtornos de ansiedade, é claro que esses hábitos contribuíram e muito para o meu estado doente. Acho que afirmar que são 100% da causa, seria inadequado. Mas tenho certeza que têm uma boa parcela de contribuição.

Olhando outros momentos bem ansiosos na minha vida, como em 2015 e agora, vejo que continuei a cometer os mesmos erros. A grande diferença é que, em relação a 2009/10, eu já sabia de muita coisa e tinha as ferramentas que poderiam me levar para o caminho da saúde. No entanto, ao continuar com os velhos hábitos, trilhei o caminho da doença.

Em relação ao segundo período, em 2015, eu trabalhava, fazia mestrado e mais um curso de especialização. Então, não sobrava tempo para qualquer interação social e com a natureza. Até tive uns meses fazendo exercícios e com namorada, mas depois voltei ao velho eu. Foram tentativas, é verdade, mas sucumbi e voltei a trilha da doença. Diria que esse período foi mais ou menos de 2014 a final de 2015. Nessa época eu já conhecia meditação, sabia da importância de fazer exercícios e de interagir socialmente.

Ah, lendo meus posts antigos, vi que falo muito da minha situação financeira. Tive duas ótimas oportunidades de trabalho, em 2014 e em 2016, e hoje estou mais endividado do que antes. Ou seja, também no aspecto financeiro meu velho eu não usou o que aprendeu.

Em 2016, em nova cidade, tentei fazer diferente. Tentei conhecer pessoas, não ficava 100% no trabalho e buscava ter alguma coisa que se parecesse com vida social. Curioso, e eu vi isso num post antigo meu, é que eu dizia que nesse lugar novo eu poderia conhecer vários lugares legais, devido a proximidade que eu não tinha antes.

Fiquei nessa cidade de 2016 a 2018 e quantos desses lugares eu conheci? Z E R O. Exatamente isso. Não tinha as desculpas de falta de dinheiro e nem de companhia. Simplesmente, eu sempre arrumava algum motivo para não ir: "estou cansado", "depois que terminar essa pendência eu vou", etc. Desculpas que o velho eu sempre dava para não fazer as coisas que envolvessem interação social e com a natureza.

Sobre isso, aliás, li uma pesquisa bem interessante. Não lembro o nome do artigo, mas os pesquisadores descobriram que o efeito do contato com a natureza é comparável ao efeito de relacionamentos saudáveis. Não é para abandonar as pessoas e sair abraçando árvores, hein? Pode e deve fazer os dois :-)

Tive alguns amigos nesses 3 anos em que fiquei nessa cidade, mas todos feitos no ambiente profissional. E um a um foi embora dessa cidade, porque eram forasteiros que nem eu, voltando para suas cidades de origem. E aí, no segundo semestre de 2018, todos os meus amigos que fiz no trabalho já tinham ido embora e eu estava numa cidade sem amigos e nem família.

Então, além de não ter explorado a região e ter interagido com pessoas basicamente em ambientes profissionais, também mal cuidei da parte física, ficava trancado em casa, ia pouco a cidade da minha família, etc. Exatamente o mesmo eu de 2009/10 e o de 2014-2015. Como agravante, eu já sabia muito mais coisa nesse período, sobre exercícios, meditação, interações sociais e seus benefícios para uma vida mais "leve".

Sabia muito mais do que em 2014-15 e muitíssimo mais do que em 2009-10. E mesmo assim, continuei adotando os velhos hábitos. Olhando tudo o que estou passando agora, com mudança de cidade novamente e falta de dinheiro, vejo que possivelmente essa falta de cuidados comigo me levou novamente à doença. Ou, no mínimo, me deixou mais fragilizado para enfrentar os novos desafios, aumentando meu estado ansioso e somatizando no meu corpo.

Então, tenho 3 histórias comprovadas do que os hábitos do velho eu causaram em mim. Nessa quarta parte, sabendo tudo o que sei e com 10 anos de sofrimento, será que consigo virar a chave e construir um novo eu e fugir da tendência de se manter no velho eu?  Espero que sim.

Crio esse blog para organizar minhas ideias mas espero que meus depoimentos sejam úteis para alguém além de mim. Não precisam acreditar em mim. Procurem as pesquisas científicas que mostram os efeitos positivos que uma mudança comportamental causa em pessoas portadoras de transtornos (uma boa dica é procurar no Google Scholar):

- Fazer exercícios físicos
- Melhorar as interações sociais (mais do que no Twitter ou Face)
- Contato com a natureza
- Meditar

É fácil? Não. estou há 10 anos nessa lida. Mas a nossa única escolha é tentar. Pois, com as minhas 3 histórias passadas, está claro que o jeito antigo não está funcionando. Então, por que não dar uma chance para uma abordagem nova e construir seu novo eu, com este trilhando o caminho da saúde?