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sábado, 25 de julho de 2015

O tempo é o senhor da razão

Essa frase conhecida se aplica bem a essa minha semana. Pedi um tempo a namorada, para tentar enxergar o que realmente sinto por ela e, apesar do curto tempo, algumas coisas ficaram claras. Ela é uma pessoa maravilhosa, cuidou de mim de maneira que nunca esquecerei, amiga e companheira... Qualidades fundamentais para alguém que vc quer ter do lado. Mas, e lamento por isso, isso não é suficiente. Tem que haver sentimento, desejo, atração, etc.

E olhando essa semana, vi que tenho por ela exatamente as mesmas coisas que sinto por todas as pessoas que importam para mim. Preocupação, desejo de que coisas boas aconteçam para a pessoa, alegria por ver a pessoa sorrindo, etc. ótimo para um amigo mas insuficiente para um namorado.

Outros sinais também me indicaram que só a estava vendo como amiga: não senti falta da namorada, apenas das conversas de amiga, que de certa forma foram supridas pelos amigos que tenho. E na outra parte que ela se queixava, realmente ela estava certa. Me vi por diversas vezes desejando outras mulheres. Não que achar uma outra pessoa atraente e excitante seja um problema em um namoro. O que penso é o valor que damos a esses pensamentos e se o alimentamos. Enfim, essa semana me mostrou que não senti falta da mulher que ela é.

E, lamentando muito, porque ela parecia perfeita para mim, tenho que dar fim a isso. Não posso ser egoísta e nem ficar com o medo de ficar só, mantendo uma situação que deixa no mínimo duas pessoas infelizes. Preciso aceitar que não rolou mais a tal química e deixá-la seguir em frente, buscando fazer o mesmo.

Só espero q ela não sofra muito e que supere isso logo. Felizmente ela tem dois motivos lindos para não pensar muito em mim. Não são suficientes também, mas tenho certeza que vão preencher esse vazio que venho deixando no coração dela.

Hora de seguir em frente, refletir sobre o que passou, o que fiz de errado e como será daqui para frente. Foi ótimo estar com alguém e sinto que logo sentirei falta novamente. Mas preciso resolver muitas coisas antes, para não levar para outra pessoas uma carga tão grande como a que venho carregando. Não me refiro a me livrar de problemas, porque todos temos. Mas sim ser uma pessoa que tem problemas e não uma pessoa cheia de problemas. E isso só posso fazer sozinho, infelizmente.

Vida que segue.

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Sobre meu trabalho, resolvi dar um basta. Estou com sintomas físicos parecidos que tive com um trabalho que me sufocou muito. Essa semana minha cabeça doeu todos os dias, andei muito agitado e impaciente com tudo e todos. Então, antes que o estrago seja maior, vou parar tb por um tempo no trabalho. Na minha profissão, felizmente não demorarei a achar outro. Mas preciso cuidar de mim e levar menos obrigações extras, que acabam influenciando no meu dia a dia.





domingo, 19 de julho de 2015

The end?

Essa semana que passou fiz a coisa que considerei mais correta em relação ao meu namoro: pedi um tempo. Não era justo com ela gerar expectativas e não ser um namorado de verdade. Mais injusto ainda era estar com ela sem estar certo do que eu sinto em relação a ela. E como sou muito transparente, claro que ela percebeu faz tempo essas confusões na minha cabeça. No dia a dia, nos carinhos, no sexo, etc...

Não sou do tipo que acredita em "tempo"... Mas acho que preciso realmente parar para pensar no que sinto por ela, no que posso dar para ela e em todas as questões que ocupam a minha cabeça. O resultado? Tenho chorado todos os dias...tenho pensado nela em todos os dias, em como ela pode estar sofrendo.. Não é fácil tirar uma pessoa que faz parte da sua rotina tão intensamente como ela fazia. E nunca quis machucá-la.. imaginar que ela está sofrendo por minha causa me dói ainda mais. Mas infelizmente não tenho controle sobre isso mas sim sobre meus atos. Nesse sentido, talvez o "tempo" seja uma solução.

Claro que o tempo vale para os dois. Como ela mesmo disse, pode se acostumar com a minha ausência e simplesmente acabar tudo. E pode ser que eu descubra que ela é o amor da minha vida e aí talvez seja tarde demais. Mas continuar como estava não tinha como... Eu mal dava atenção a ela e mal tinha vontade de estar com a namorada, muito mais com a amiga. Sei que namoro sem amizade não é nada... mas entendo quando ela aponta que praticamente só tinha amizade e zero romance ultimamente.

Com tudo que anda acontecendo na minha vida, acho que isso tudo pode estar influenciando... mas não tenho o direito de gerar expectativas com um namoro que não está existindo de fato e não dar o que ela espera, por conta dos meus problemas. Seria mais fácil superar tudo isso juntos? Também acho que sim...Mas não consigo avaliar as coisas dentro de mim se tenho que atender as cobranças dela (além das outras que tenho). Por isso, realmente o tempo pode ser útil.

O fato é que está doendo muito. Penso em escrever para ela, procurá-la, dizer que sinto saudade...Mas o ponto principal do "tempo" não está resolvido: não sei de qual (namorada ou amiga) estou sentindo mais falta. E isso, principalmente para ela, é condição fundamental para que possamos decidir por acabar ou tentar de novo.

A única certeza que tenho nessa minha cabeça doente é que sinto falta dela... e que me dói absurdamente pensar que ela está sofrendo. Nunca quis isso...

Tenho medo do futuro..meu velho medo de ficar só. Mas não posso estar do lado de alguém sem estar 100%. Não é certo com ninguém... E se eu descobrir que a amo mesmo, que isso tudo era causado pela minha vida confusa, tentarei. Se for tarde demais, será mais uma coisa que terei que lidar pelo resto da vida...Choro ao escrever tudo isso... choro ao pensar nela...Por que tem que ser tão difícil assim? Por que não consigo ter um mínimo de normalidade?

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No trabalho as coisas também vão muito mal. Estou quase pedindo para sair. Ainda não decidi a data...Ficar sem férias com tantas atividades extras só tem piorado as coisas na minha cabeça. Tenho recorrido ao SOS mais vezes do que acho que deveria...E antes que me estrague mais, preciso tomar uma atitude, já que férias não terei até o final do ano.





domingo, 12 de julho de 2015

Tantas decisões...

Os últimos tempos não têm sido nada fáceis de lidar...Estou, usando termos de futebol, em várias finais de campeonatos ao mesmo tempo. Assuntos acadêmicos chegando a reta final, mudanças no trabalho, pendências antigas demandando mais minha atenção, assuntos familiares precisando muito de mim e, não menos importante, namorada me questionando cada vez mais.

Semana passada, depois de vários dias estranhos, tivemos uma conversa bem franca. E, apesar dos pontos de crítica conhecidos, como a minha falta de tempo e dedicação ao namoro, ela tocou em um ponto crucial: que parece que estou vendo-a apenas como amiga e não como namorada, mal me interessando pela mulher  e sim pela amiga maravilhosa que ela é.

Enquanto conversávamos isso, tive que ser sincero, mesmo sabendo que isso ia machucá-la: que não tinha certeza de nada quanto aos meus sentimentos em relação a ela, que minha cabeça está uma zona gigante em relação a tudo e que não tinha condições de dar respostas definitivas a ela. Estivemos quase a ponto de terminar naquele dia e só não aconteceu porque comecei a chorar muito, pedindo perdão por estar magoando-a, que lamentava ter esse monte de problemas e ser essa pessoa-problema, que nunca quis machucá-la e que queria que fosse tudo diferente.

A gente até namorou naquele dia, comigo presente ali de corpo e mente, tivemos uma semana mais agradável, mas mal senti falta dela nesse fim de semana. Só pensava nas coisas que tinha que fazer no fim de semana, nos desafios que estão se aproximando e calhando de serem todos ao mesmo tempo, em como estava cansado e não queria trabalhar amanhã, entre outras mil coisas que passam na minha cabeça a cada minuto.

Aliás, como já devo ter falado anteriormente, esse é o grande dom e grande mal do ansioso. A mente que borbulha milhares de coisas ao mesmo tempo, indo e vindo no tempo, elaborando mil hipóteses, mil situações e geralmente sofrendo com a maior parte delas. Nos últimos tempos, até pelas demandas, minha cabeça ainda muito mais a mil e só queria ficar um pouco quieto, aquietar esses meus pensamentos e relaxar, como as pessoas "normais" fazem. Acho que precisaria disso para refletir sobre as coisas, sem pressões de prazos, segundas-feiras, contas, etc. Talvez conseguisse acalmar a mente e entender melhor tudo o que se passa comigo.

Hoje é domingo.. tomei rivotril umas 3x no final de semana e estou agitado aqui, pensando na semana toda, nos meses até o final do ano, que amanhã é segunda e tenho que ir ao trabalho, porque não posso simplesmente largar tudo (pessoas dependem de mim). Penso também que mais tarde vou encontrar a namorada e dizer a ela que não dormirei de novo essa noite na casa dela, já que minha mãe está aqui, e já estou sofrendo porque sei que ela vai ficar triste... e tudo o que não queria seria deixá-la triste.

Preciso de férias no meu trabalho, mas não terei, devido a questões contratuais. Preciso de férias nos assuntos acadêmicos (que é a única coisa que me empolga no momento) mas não posso porque estou justamente na etapa mais crucial dos meus trabalhos (faço dois cursos). Preciso de férias da minha namorada porque hoje só estou sendo nocivo para ela, que também não passa por momento bom na vida. Mas tenho medo de falar de um tempo e não ter mais volta, que eu descubra que meus sentimentos são de amor de namorado e aí seja tarde demais. Que eu perca pra sempre uma pessoa que só quer o meu bem. Mas, por outro lado, enquanto fico tentando forçar uma coisa que não estou sentindo agora, estou machucando-a e me machucando. Não sei o que fazer, Penso em pedir um tempo para pensar sobre tudo e para que ela pense também. Afinal, ela tem todo o direito, por mais que me ame, de não querer estar perto de uma pessoa nessas condições.

Pensei em pedir demissão, para me dar o tempo que preciso para encerrar as pendências acadêmicas e ter um tempo para cuidar de mim. Mas quando faço as contas do que preciso ter ao final do ano (nada para mim.. só contas e caso de saúde na família), vejo que nem isso eu posso fazer.

Estou com muito medo de ficar cada vez pior.. de voltar a frequentar emergências, de ficar mais doente e estragar tudo que conquistei até aqui...Pensei em formas de levar um dia a dia menos corrido, sem perder o trabalho e nem atrasar minhas coisas... mas não sei se isso vai funcionar. Vou tentar mais um pouco no trabalho...

Mas o que mais me incomoda agora é o que eu faço com relação a namorada... Não é justo com ela ficar sendo um namorado protocolar e nem comigo...Sei que sou egoísta, porque mesmo sabendo disso tudo, fico pensando no meu medo de estar sem a amizade dela e não dar conta do que virá pela frente, porque ela me ajuda muito.

Preciso pensar em mim... mas preciso também pensar nela, no que estou fazendo com ela (ou deixando de fazer) e tomar decisões. Aliás, tomar decisões com relação a ela e em relação às outras coisas. Tomar certas decisões exigem coragem... e acho que é isso que está me faltando agora.







sábado, 27 de junho de 2015

Meses decisivos

Tentando me entender, vejo que as indefinições me deixam ainda mais agitado do que já sou. Minha cabeça está sempre a mil, imaginando mil cenários possíveis e sofrendo sempre na maior parte deles. Claro que essa capacidade tem seu lado bom. No trabalho isso acaba sendo um diferencial e tanto, pois chego em soluções que muitas pessoas não chegam na mesma velocidade. Mas, como toda dádiva tem seu custo, a capacidade da minha mente de viajar loucamente me leva a lugares que geralmente me causam mais dor do que benefícios.

Estava na dúvida sobre uma oportunidade e sofri algumas semanas com isso. Imaginando como seria se eu aceitasse (caso fosse chamado) ou não aceitasse e ficasse onde estou. Depois de muito pensar, fazer milhares de cálculos, analisar várias vezes e mudar de opinião quase todo dia, decidi por não ir. Acho que dentre as várias coisas que analisei, a mais importante foi devida as crises de ansiedade que tive no período. De um jeito ou de outro, ficando onde estou, tenho suporte de várias pessoas. E ir para um lugar onde não conheço ninguém, a um vôo de distância de casa, me fez pensar como eu ficaria quando tivesse esses dias difíceis.

Sim, tive medo de passar mal e não ter alguém por perto a quem recorrer ou que entendesse do que sofro, o que tenho aqui. E como a opção de ficar não seria ruim também, apenas adiando algumas coisas que eu queria resolver para ontem, resolvi ficar. Tenho minha lista de coisas que quero nesse ano mas não posso esquecer em nenhum momento que estar bem mentalmente é a primeira delas. As outras podem acontecer no seu tempo, já que erros de anos não vai ser corrigidos rapidamente. Então, preciso sempre dizer a mim mesmo "uma coisa de cada vez" e não posso arrumar mais coisas que me deixem mais ansioso.

Escolher sempre é difícil mas com serenidade, temos menos chance de errar. Por isso, tentei ao máximo ter isso e tomar a decisão que  me pareceu mais adequada com o que eu defini como prioridade. As outras coisas serão resolvidas, tenho certeza. Mas primeiro, preciso terminar meu primeiro passo acadêmico, ajudar uma pessoa da família em uma questão e manter meu emprego até o final do ano. Depois disso, posso me dedicar às outras coisas, com muito mais recursos do que tenho hoje, com meu passe muito mais valorizado e talvez com mais serenidade ainda, podendo estar em melhores condições para, dentre os vários cenários que minha mente visualiza, distinguir aqueles que valham a pena investir, daqueles que devo ignorar porque são criações da parte louca da minha mente e que só me fazem mal.

Que a Força esteja comigo nessa segunda metade do ano!


terça-feira, 9 de junho de 2015

Menos ansioso??

Ontem fui a minha médica para uma consulta de rotina e para renovar as receitas, dos remédios de pressão, além do Olcadil e Rivotril. Após ela me examinar e ver que meu coração está normal (assim como a pressão), disse-me que me achava menos ansioso até pelo meu jeito de falar. De fato, ontem realmente estava numa noite mais tranquila do que tem sido...

Mas aquela constatação momentânea não reflete nem de perto como ando me sentindo. A irritação com tudo me acompanha, a falta de paciência com tudo e todos persiste, os pensamentos ruins me perseguem... Nada disso mudou. Talvez tenho tido momentos que posso até chamar de bons, mas esses não têm sido meu "normal".

Tenho procurado não me envolver em mais atividades do que já tenho, contrariando a minha tendência de querer abraçar o mundo. Acho que com menos coisas para fazer, tenho dedicado mais tempo para aquelas que preciso me dedicar. Talvez isso tenha me trazido momentos menos ansiosos, como minha médica viu ontem.

Mas acho que no geral não ando tão diferente. Na verdade, a diferença é que tenho tentado não deixar os pensamentos ruins me dominarem. Nem sempre eu consigo mas estou me esforçando e tentando desviar meu pensamento para qualquer coisa que não sejam esses pensamentos.

Hoje estou um pouco mais agitado, acho que pela chance de ter que tomar uma decisão profissional em breve. Talvez eu tenha que escolher entre meu emprego e uma oportunidade temporária fora daqui. Parece uma decisão fácil, pq bem ou mal tenho alguma estabilidade e estou sob a "proteção" da CLT. Mas o que pesa para o outro lado é que o retorno financeiro em curto prazo, me permitiria resolver duas das três coisas que mais quero na vida: pagar as minhas dívidas e ter dinheiro para um procedimento médico que será necessário para alguém da família. Depois posso até ficar sempre emprego mas, como eu falei com um amigo, qualquer coisa que eu consiga depois já vai ser muito lucro, pq não terei mais o passivo que toma todo o meu dinheiro. Sim, tudo o que ganho com meu salário, nada fica pra mim. É pagar contas do dia a dia, ajudar família e diminuir as dívidas. A diferença é que nessa oportunidade, eu aceleraria isso.

Parece fácil agora escolher? Nada na minha cabeça é fácil ou simples... Recentemente recebi uma oportunidade de ouro na empresa, entrando em um projeto que, ao final dele, me colocará em outro patamar profissional, abrindo muitas portas profissionais. Então, pensar que ao assumir uma outra oportunidade de trabalho, estarei fechando essa porta e desperdiçando uma oportunidade de aprender coisas que muitos profissionais gastam o valor de um carro para aprender (sem exagero).

Então, estou entre a aposta na carreira a longo prazo e a resolução de duas coisas que me incomodam muito e que anseio há um bom tempo. Se eu tiver a oportunidade de escolher, certamente não será uma escolha fácil.

Como essas duas coisas me causam tanta dor, tendo a colocar essa oportunidade nova com um peso bem maior. As pessoas me dizem que eu não preciso correr, que deveria ficar por aqui e aproveitar o que tenho agora, resolvendo as coisas no seu tempo.

Mas, e quem me lê me entende bem, só nós sabemos a dor que sentimos em certas coisas. E quando essa dor atrapalha teu sono, teus relacionamentos, tua vida... Queremos fazer qq coisa para nos livrar dela.

Importante deixar claro que a oportunidade nova é temporária (9 meses), é na minha área e relacionada a minha área de pesquisa e não é em um lugar onde eu corra riscos, como uma área de guerra. Tem bastante ladrão lá, de terno e gravata, mas esses já me roubam estando eu em qq lugar do país. Não preciso dizer onde é, né?

Enfim,  nem sei se serei escolhido. Mas vamos ver o que vai acontecer... Só espero ter serenidade para tomar a melhor decisão e principalmente para lidar com todas as coisas que estão acontecendo.








sábado, 30 de maio de 2015

Preciso de ajuda

Tenho andado com pensamentos e sentimentos tão ruins que ando bem assustado comigo. Falta de paciência com qualquer coisa, irritação fora do normal com coisas não me irritariam (ou me irritariam pouco), raiva ao ver coisas erradas, etc. Não que sejam sentimentos anormais mas o grau em que essas coisas vem acontecendo está me preocupando.

Hoje, vi um casal fazer uma coisa que infelizmente é muito comum em supermercado. Para poder passar nos caixas rápidos, dividiram a compra enorme deles em várias compras, como se fossem para várias pessoas. Os dois são cretinos e isso explica porque temos os políticos que temos. Mas a raiva que senti, a irritação e reclamações o tempo todo, me mostraram que não estou nada bem.

Esse exemplo tem acontecido com muita frequência. Para tentar me irritar menos, tenho tentado não ler notícias de jornais. Mas das coisas que acontecem no dia a dia, não consigo fugir e isso tem me feito muito mal.

Com relação a sentimentos, também ando sentindo coisas muito estranhas. Um vazio, como se nada que estivesse fazendo tivesse sentido, não vendo propósito na minha vida. Estava atribuindo isso ao estresse em que ando, sem férias e com milhares de coisas para fazer, Fiquei uns dias fora em um evento acadêmico e achei que, apesar de ter levado obrigações para fazer, sair me faria bem. Mas tive todos esses pensamentos e sentimentos ruins durante os 4 dias que fiquei fora.

Tive alguns momentos lúcidos e produtivos e até produzido uma lista das coisas que mais "não quero":

  • não quero ficar sem dinheiro
  • não quero ficar todo o tempo desesperado com tarefas para entregar
  • não quero depender de remédios pra dormir
  • não quero ter pensamentos ruins
  • não quero mais dever pra ninguém
  • não quero fins de semana com listas de tarefas 


Consegui refletir sobre meu momento e na minha pressa para fazer andar coisas que ficaram paradas por anos. Um colega me disse, a respeito das tarefas acadêmicas, que não preciso ter pressa e que tenho que ir mais devagar. 

E vendo meu acúmulo de tarefas, de coisas que eu coloquei nos meus afazeres, vi que preciso mesmo tirar um monte de coisa e deixar apenas o essencial. Cancelei inscrições em alguns cursos online que tinha me inscrito. São cursos importantes para minha carreira, mas como já tenho um mestrado para concluir, talvez valha a pena pensar nisso depois.

Essa viagem eu fiz de avião e, não sei se falei aqui, detesto voar. A ida, no primeiro trecho, foi aterrorizante e nem com rivotril consegui ficar calmo. Na segunda parte da viagem consegui ao menos ficar controlado. Na volta, embora não tenha tido o pavor da ida, tive pensamentos ruins pela viagem toda. E se o avião cair? E se eu tiver um treco aqui dentro? Pensava na morte e nas coisas que deixaria pendente para as pessoas que ficariam. Na tristeza profunda que deixaria nas pessoas.

Isso, por si só, deveria ser motivo para eu me animar e lutar para seguir em frente. Mas tem muitos momentos que me sinto sem forças, sem ânimo para fazer qualquer coisa. Dias atrás, tive início de conjuntivite e a oftalmo me deixou em casa por um dia. Não consigo descrever a alegria que tive ao receber o atestado para poder ficar em casa e não ver ninguém, não fazer nada.

Esse momento também se reflete na relação com minha namorada. Estou tão preocupado comigo que mal dou atenção a ela, me limitando a responder as mensagens que ela manda e vendo cada mensagem que tenho que responder como mais uma obrigação na minha vida. Também reparei que nesses dias fora, só liguei para ela uma vez, antes de pegar o avião de volta. Quando vi as mensagens de saudade dela, só consegui pensar que não estava sentindo a menor falta dela. E isso, mais uma vez, me preocupou muito. Me sinto um lixo porque não estou conseguindo ser um mínimo de namorado para um anjo que Deus colocou na minha vida, que só quer o meu bem e tem feito tudo para me ajudar, mesmo tendo passado recentemente por uma tragédia familiar. 

Eu devia fazer o máximo por ela, mas não consigo... quando o faço é mais no sentido de obrigação (porque ela é uma pessoa boa, por tudo que passou, pelo que faz por mim) do que por vontade de fazer para agradá-la.  Me sinto um lixo por ter desejado tanto uma namorada e quando eu recebo esse anjo, não consigo fazer nada por ela. 

Ando sem vontade nada inclusive com relação a ela. E fico pensando no que fazer... se volto para a minha solidão (nunca acharei alguém como ela) e deixo ela seguir a vida dela, para achar algo melhor. Ou se tento o máximo que puder, na esperança que esses sentimentos em relação a ela estejam sendo influenciados pelo meu momento psicológico péssimo e lute para ficar bem.

No vôo, enquanto estava tendo os pensamentos ruins, eu repetia para mim mesmo. Preciso muito de ajuda. Não estou nada bem e tenho medo de afundar tudo que consegui reconstruir em pouco tempo. Como diz minha mãe, em relação ao que estava no final de 2012, quantas vitórias eu tive até agora. Mas estão me faltando vontade e energia para continuar. 

Com tanta coisa boa acontecendo (a namorada, o trabalho q melhorou, o mestrado indo bem), eu não consigo ficar feliz. Ao invés disso, ando desanimado, irritado com as coisas erradas e com medo.. muito medo.




sexta-feira, 22 de maio de 2015

Só por hoje


Só por hoje eu não quero mais chorar
Só por hoje eu espero conseguir
Aceitar o que passou e o que virá

(...)

Em dias que estou muito para baixo essa música sempre me vem a cabeça. Aliás, tenho andado assim faz um bom tempo... Parece que uma luz se apagando em mim a cada dia que passa. Tenho, na minha vã esperança, atribuir isso tudo a falta de férias e ao ritmo louco de atividades em que me meti.

O fato é que não me sinto feliz...Tudo anda me aborrecendo ou me deixando mais deprimido. Um exemplo dessa mistura: minha mãe estava em um ônibus em que o motorista passou a toda no quebra-molas e com o impacto minha mãe subiu e caiu em cima do braço do banco. O resultado é que ela está com muitas dores em todo o corpo e, como se não bastasse todos os cuidados que ela deve ter com a saúde, agora tem mais isso para se preocupar. Raio-x na segunda e volta ao ortopedista para um diagnóstico mais preciso. Tomara que seja o mínimo possível de efeitos que sejam tratados rapidamente. Minha mãe não precisa de mais dificuldade de locomoção.

E como eu reagi a isso tudo? Bom, a primeira coisa que senti quando ela me contou foi uma raiva imensa. Juro que pensei em descobrir quem foi o motorista que fez isso e fazer ele pagar com isso. Sim, pensei em no mínimo socá-lo e estragar bastante a cara dele. Matá-lo? Desejei isso também. Não justifica e nem resolve nada, eu sei. Mas meu ódio por esse desgraçado ter causado tanta dor a minha mãe, que tudo o que faz em todos os dias dela é procurar fazer o bem pelos outros, só me fez ter sentimentos ruins. Ainda estou com muita raiva mas ao menos penso em apenas escrever uma carta à empresa relatando o fato. Pensar que isso não vai resolver nada e o desgraçado no máximo vai tomar uma chamada me deixa com mais raiva ainda. Então, estou me esforçando muito para não alimentar esses sentimentos e pensamentos. Mas é muito difícil.

Estando hoje com ela e vendo/ouvindo o relato sobre o que aconteceu, sobre as dores que ela está, sobre o medo que ela está de ter que ficar de cama.. ver minha mãe sofrendo só me deixou mais deprimido. Minha mãe foi duas vezes a UPA e o merda que faz o Raio-X fez dois e não conseguiu acertar um. E, como tudo é demorado nesses lugares, minha mãe não voltou nas várias filas para tentar que o lixo humano que cuida disso fizesse a merda do trabalho dele direito.

Paguei um particular na tentativa que ela fosse melhor atendida e embora isso não garanta nada, pelo menos ela foi e agora espero ter um diagnóstico melhor. Saber de outras coisas dela, como uma cretina de uma ginecologista que machucou minha mãe num preventivo porque estava de papo com a enfermeira, me deixa mais puto e triste. Puto porque não posso fazer nada que gostaria e triste por ver minha mãe cercada de monstros que não se têm o mínimo de cuidado com um idoso. 

Já pensei algumas vezes em largar tudo (trabalho e mestrado) e voltar a morar com ela aqui. Pelo menos eu poderia acompanhar minha mãe nessas coisas e evitar alguma dessas coisas. Mas infelizmente tenho outros problemas que minha estada longe tem amenizado. Pagar esses exames dela e o procedimento mais caro que ela fará esse ano, só são possíveis porque tenho um emprego que me paga razoável.

Mas me deprime ao lembrar que cada vez mais ela ficará mais dependente da gente e um dia nos deixará. Eu morro de medo desse dia e não sei o que será de mim quando isso acontecer. Enquanto eu ouvia os relatos dela, tive vontade de chorar por várias vezes. Agora, ao desabafar aqui, pelo menos posso chorar sem que ela veja e fique mais preocupada. 

Tudo tem me deixado assim: deprimido ou puto. Às vezes as duas coisas ao mesmo tempo. A falta de humanidade das pessoas, a certeza de que estamos completamente abandonados por todos aqueles que delegamos poderes (com nosso voto), a situação cada vez pior em todas as áreas... Minha mente vai longe e fico mais deprimido, só vendo caos e dor.

Não consigo olhar para a minha carreira tendo progressos, oportunidades boas que estão aprendendo, o anjo que eu namoro... nada disso parece estar sendo suficiente para eu ter um estado onde, como disse o Renato Russo na música que escrevi acima, possa aprender a viver um dia de cada vez.