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terça-feira, 29 de março de 2016

Felicidade parece tão longe

Queria escrever um post só de alegrias, de avanços na minha vida e de conquistas, mas simplesmente não tenho muito ânimo para comemorar nada. Tenho um emprego e isso, nos tempos atuais, é algo a se comemorar. Mas todo o contexto não me deixa olhar para as coisas boas que tenho.

Por mais que eu tente, não consigo ficar alheio a tudo que acontece no nosso país. Não vou aqui descrever tudo o que penso, mas a certeza de que vamos retroceder ainda mais e que viveremos tempos muito difíceis, só me deixam preocupado, sentimento que me domina nos últimos anos.

Essa semana que passou ainda tive a preocupação adicional com a pessoa mais importante da minha vida, de cama por causa de uma das doenças do momento. Não poder estar lá, por mais que outras pessoas tivessem, foi uma faca perfurando meu coração cada dia que tinha notícias. Felizmente a situação é de melhora, mas fico me perguntando como estarei quando algo mais grave acontecer. E isso, inerente ao processo de envelhecimento, só me mata um pouco mais. Queria poder enxergar isso de maneira normal e que faz parte da nossa vida por aqui, mas não consigo.

Com o ambiente profissional não sendo dos melhores, por n fatores, e pelo sentimento de solidão crescente, fico me perguntando se não deveria voltar. O problema é que lá a situação é muito pior do que em outras partes do país e cheguei um ponto da minha carreira onde não tenho mais tantas ofertas como tinha antes, seja por que descuidei da minha capacitação ou pela idade, que mesmo na minha área tem feito diferença, como nunca achei que faria. E infelizmente caí no estado em que preciso de renda mensal, pela quantidade de compromissos que assumi, pelos meus erros e com aqueles que dependem de mim.

Além disso tenho algumas pendências a cumprir de trabalhos antigos que me tomam o tempo que deveria usar para descansar, me cuidar, me divertir. Precisava terminar isso logo mas quanto mais faço mas longe pareço de terminar. E aí o desânimo toma conta nos dias que não deveria e produzo muito menos, gerando o efeito cascata.

Tenho sentido saudade também da guria. Isso não estava acontecendo com tanta frequência mas estar só aqui, com muito mais tempo comigo do que eu estava antes, tem me feito lembrar dela, dos nossos planos, de tudo o que aconteceu e da quase certeza de que nunca mais saberei dela. E tudo isso só me deixa mais triste.

Sei que faltava muito no que tínhamos mas tudo o que mais queria agora seria ela me dizendo o que sempre dizia quando eu estava chateado por qualquer motivo: "tudo vai ficar bem, gordinho". Saudade...(e as lágrimas têm vindo com tanta frequência...)










domingo, 20 de março de 2016

Estar sozinho e solidão

Acho que sempre gostei de estar só, quando posso fazer o que quiser, como eu quiser e quando eu quiser. Para mim, a sensação de ter o total controle dos meus passos é muito boa e toda vez que estou com alguém ou quando preciso dividir espaço com outras pessoas, logo me sinto incomodado. Posso até gostar de dividir espaço e tempo com outros mas é questão de meses para que eu queira voltar para a minha vida onde posso tudo.

Por essas coisas, e isso me pareceu muito evidente no meu último namoro, acho que dificilmente vou envelhecer ao lado de alguém. A não ser que alguma coisa mude tudo o que fui até hoje. Às vezes acho que sou egoísta demais para conviver com outras pessoas. Não que me considere uma pessoa ruim, mas ter o meu espaço é algo tão importante para mim que tenho sérias dificuldades de dividir isso com outras pessoas.

Por outro lado, a sensação de solidão tem sido tão forte nas últimas semanas que começo a ficar incomodado. Como falei em outro post, estou longe de todos que conheço, numa cidade nova. E ter contato com as pessoas da minha vida apenas por telefone e e-mail não tem sido suficiente para diminuir esse sentimento de vazio.

Durante a semana, é menor pior pois acabo convivendo com o pessoal do trabalho. Mas em fim de semana, quando estou 24 hs só comigo mesmo, essa sensação tem me incomodado bastante. Sinto falta de conversar com as pessoas, tocar outra pessoa, receber e dar carinho, etc.

Esse ano fico mais perto dos 40 mas em certos pontos acho que não amadureci nada. Meu lado racional diz que a convivência com outras pessoas tem seus ônus e bônus e cabe a nós sabe lidar com isso de moro a não perder as coisas boas da interação com outras pessoas. No entanto, existe uma distância muito grande entre o que minha lógica enxerga e o que meu coração sente.

Hoje é domingo e estou me sentindo mais solitário do que no fim de semana passado, querendo estar com alguém, que seja para papear ou namorar.

Acho que vou procurar terapia. Meu único receio é que nem sei se estarei nessa cidade no próximo mês (espero que sim) e começar um trabalho para depois parar e ter que recomeçar com outro profissional parece bem complicado. Mas acho que fazer alguma coisa é melhor do que não fazer nada. Esse sentimento de solidão cada vez maior tem estimulado outro sentimento muito mais perigoso: a sensação de falta de propósito nessa vida. Além da lembrança e saudade daquela que não consegui superar.

Deixo uma música que reflete bem isso que venho sentido. Aliás, essa música eu ouvi a primeira vez no primeiro dia que tive contato com a guria...







domingo, 13 de março de 2016

Atualizações

Fiquei muito tempo sem escrever. Quem me lê sabe que já fiz isso muitas vezes. Simplesmente não andava muito com vontade de escrever, nem das coisas que tenho obrigações acadêmicas. Nessas últimas estou andando quase que empurrado, mas tem me faltado tesão para escrever mesmo.

Bom, mas algumas boas mudanças em minha vida. Estou trabalhando desde o início de fevereiro em uma área que tem muito a ver com o que penso para minha carreira. O salário é bom e o contrato é de um ano, inicialmente. Se eu ficar até o final, terei diminuído muito o meu grande passivo gerado pelos erros do passado.

Também estou em uma cidade muito diferente de todos os lugares que já morei na vida. É um lugar onde não conheço quase ninguém, fora algumas pessoas de contatos profissionais. Quando penso na região onde estou, fico muito animado pois tem bastante lugar para conhecer e não vejo a hora de ter tempo para fazer isso nos meus horários "livres". Pois é, ainda tenho várias coisas para fazer (projetos, pesquisa) de coisas que assumi e minhas noites e fins de semana são quase exclusivos para isso.

Mas mesmo sabendo que preciso terminar tudo isso logo para ter tempo para mim, tem muito fim de semana que simplesmente não tenho vontade. Que penso que as pendências não acabam e nunca vou ter tempo para mim.

Em resumo, tenho coisas para comemorar e que me tranquilizam em vários aspectos da minha vida. Mas a sensação de vazio tem aumentado a cada semana. Falta de identificação com as pessoas com quem trabalho, a falta de pessoas conhecidas aqui, a falta de tempo para fazer o que chamam de "viver a vida", etc.

Espero melhor logo e terminar o que preciso. E tentar me manter aqui o máximo de tempo possível para ao menos me livrar das minhas pendências financeiras. Mas tem sido difícil.. O que muitos comemorariam, eu não consigo me sentir feliz de verdade. Pessoa estranha...

Tenho assistido TV e descobri um programa chamado Catfish da MTV. Esse programa me traz várias lembranças que ressaltam que nunca consegui superar a minha história com M. Mas isso fica para outro post.






segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Como as coisas mudam na nossa visão da vida

É impressionante como a nossa visão muda ao longo dos anos. Eu lembro da época do vestibular, quando estudava sem parar e ao mesmo tempo sonhava com a vida que teria quando me formasse. Eu me imaginava trabalhando em uma grande empresa, tendo dinheiro, carro, casa.. tudo que minha família não teve. Também imaginava que estaria casado, com filhos.. Enfim, estaria com a vida "modelo" da galera da minha geração (e acho que de muitas também).

Por um tempo, fiz tudo o que pude para seguir esse sonho que considerava o ideal de felicidade para mim. Fiz muitos contatos na universidade, tanto no meio acadêmico quanto no mercado. Consegui trabalho logo, ganhava bem para a época e não media esforços para subir na carreira. Nunca fui desleal com ninguém mas certas coisas eu faria de maneira diferente. Passei por cima de amizades em prol da produtividade e de fazer as coisas certas na empresa. Fazer a coisa certa é bom, mas se isso envolve criar fendas irreparáveis em amizades, então não deve ser a coisa certa.

Conheci uma moça, começamos a namorar e logo estávamos morando juntos. E, no meu plano de ter mais e mais, resolvi largar uma situação boa em uma empresa para ir atrás de um sonho: ter minha própria empresa. Tinha o objetivo nobre de criar um lugar onde as pessoas tivessem o prazer de trabalhar mas meu maior objetivo era ser rico.

E nessa empresa também não medi esforços. Fui um ótimo chefe, pelo menos todos são meus amigos até hoje. Mas, na ânsia de ganhar mais e mais, perdi a noção de quantas horas eu trabalhava, virando noites, finais de semana, feriados, etc. Até no dia de Natal eu trabalhei. Nesse cenário seria fácil alcançar o objetivo de enriquecer, correto? Só que, apesar de chefe legal e capacidade técnica acima da média, eu descuidei do principal quando se tem uma empresa: a gestão.

Então caí num processo de pegar mais trabalho para pagar as contas mal planejadas, atrasava os existentes, queimei meu filme em muitos lugares e só me endividei mais, tanto na pessoa jurídica como na pessoa física. Mas, apesar de ambicioso, eu mantinha a preocupação com as pessoas. Parte da minha dívida pessoal começou quando eu não queria dispensar o pessoal que trabalhava comigo e peguei empréstimos e mais empréstimos. Tb descuidei de obrigação que todo empresário tem pq não admitia que o pessoal ficasse sem receber e pra mim isso era prioridade. Outro erro era não dar a liberdade suficiente para eles errarem e aprenderem com isso. Eu era quase uma babá do pessoal que trabalhava comigo.

Depois de um tempo, já tendo levado um chute da namorada/esposa, não tinha mais como manter todos e tive que dispensar. Mas fiz uma coisa que sempre procuro me lembrar quando me sinto mal com qq coisa: graças a minha grande rede de contatos, consegui realocar todos em empresas de colegas. Hoje vejo que poderia ter feito isso quando vi que não os conseguiria manter comigo. Mas fico feliz de ver que todos estão bem estabelecidos no mercado.

Abreviando, a empresa foi a bancarrota, não fiquei com dinheiro, esposa e nada de material que imaginei no meu mundo ideal de felicidade. Também estava distanciado dos meus amigos e da família, porque trabalhava sem parar para pagar as dívidas e nunca abria tempo para estar com eles.

Depois de uns 2 anos que dispensei todos e estava em uma oportunidade de trabalho, foi quando apareceu aquela que muitas vezes considero uma dádiva: a ansiedade. Outro dia conto como foram esses meses até saber o que eu tinha, mas a ansiedade me mostrou aquilo que a minha ganância não me deixou enxergar por anos. Eu já tinha a maior riqueza que uma pessoa pode ter. Porque foi nesse período de tantas crises que todas as pessoas que eu havia afastado de mim estavam procurando me ajudar, entender o que eu estava passando e me apoiando. Minha família e meus amigos me ajudaram como nunca e eu percebi que corri tempo demais atrás do dinheiro quando poderia ter dedicado tempo às pessoas que sempre estiveram comigo.

De lá para cá, vejo que estou em processo de franca evolução como ser humano. Eu não era uma pessoa ruim no passado, tenho certeza que fiz muitas coisas boas e mesmo quando errei, nunca foi com intenção de ser desonesto ou prejudicar alguém. Por ter passado muito aperto quando era criança, eu só enxergava felicidade numa vida de posses. E fiz tudo o que achava necessário para alcançar isso. E quanto mais eu corria atrás do dinheiro mais eu me afastava dele e principalmente me afastava da felicidade real.

E tudo que vem acontecendo nesses últimos 5 anos têm me feito uma pessoa melhor. Claro que fraquejei nesses anos e muitas vezes. Mas especialmente depois dos últimos 2 anos, com um sonho quase realizado, consigo enxergar claramente qual meu mundo de felicidade e sinto que estou cada vez mais perto de encontrar a resposta sobre qual é o meu papel nesse mundo.  Isso foi confirmado quando fiz um teste de perfil de carreira. Eu já sabia mas foi legal ver uma avaliação externa.

Talvez eu ainda pegue uma oportunidade que me traga retorno financeiro rápido pois ainda tenho muitos erros do passado para consertar. Mas está claríssimo para mim qual é meu horizonte de felicidade profissional/pessoal e que não devo mais colocar barreiras para buscar isso.

Além disso, me desapeguei completamente de questões materiais. Não que pense ainda em viver apenas com uma mochila com poucas dezenas de itens, mas minha ambição passa longe de ter um carro caro, um celular moderno ou uma casa para impressionar. O que quero, na verdade, é sentir que estou contribuindo para esse mundo e ajudando pessoas como tantas vezes fui ajudado.

E é interessante notar que eu tive vários sinais ao longo da minha vida de qual era a minha verdadeira vocação, mesmo nas épocas em que buscava ser rico. E agora vejo as coisas de uma maneira cada vez mais clara e me sinto bem com isso, mesmo tendo crises com alguma frequência ou sofrendo com algumas situações. Mas o que está cada vez mais forte em mim é a esperança de que vou finalmente trilhar o meu verdadeiro caminho da felicidade.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Essas escolhas...

Pra variar estou chegando numa fase que preciso fazer escolhas e sempre sofro com isso. Tenho basicamente duas opções

A) Buscar oportunidades na carreira onde tenho larga experiência
B) Buscar oportunidades na carreira que quero pro resto da minha vida

Teoricamente a opção B seria a opção fácil, certo? Não pra mim. Pq avalio mil cenários e fico meses para decidir uma coisa. Na verdade, a opção B vai acontecer. A minha dúvida é se foco na busca agora ou se deixo para daqui a um tempo.

Estou na casa da minha mãe, mas por mais que ame a minha mãe e me preocupe com ela (além da medida), eu sinto falta do meu espaço. Ela faz de tudo para me deixar a vontade mas com tantos anos morando só, não consigo dividir casa com ninguém. Aliás acho que esse é um dos motivos pelos quais acho muito difícil que vá casar de novo. Eu amo meu espaço, amo estar só em alguns momentos. e gosto muito do silêncio.

E o que isso tem a ver com as minhas escolhas. Bem, a opção B, embora seja o sonho da minha vida, não me dará rendimentos suficientes ainda para que eu possa ter meu espaço. Afinal, ainda tenho tenho um legado financeiro imenso para pagar. Por isso a opção A parece ser aquela que em curto prazo me dará essa liberdade e a possibilidade de resolver essas coisas, até que eu esteja livre de verdade para seguir meus sonhos.

Por outro lado, tenho pensando muito na questão de buscar a felicidade na minha vida e acho que já passei tempo demais correndo atrás do dinheiro. Fico vendo pessoas que passam a vida trabalhando em algo que não é do seu sonho pq precisa ter casa, carro, viajar pra fora, etc, etc, etc. Mas cada vez tenho a certeza de que a vida é um sopro e que preciso não ficar adiando a busca da minha felicidade.

Isso me lembra um filme alemão que me indicaram uma vez, The Edukators, que tem muitas dessas reflexões. Olho os números e fico pensando que será que vale a pena ficar mais uns anos adiando meus sonhos só para resolver os problemas que causei? Não que precise ignorá-los, mas talvez equilibrar as coisas de modo que possa resolver o legado sem deixar de lado a busca do meu sonho. Sei que no futuro a carreira B me dará quase o que poderei ganhar hj com a carreira A. Mas isso, como não sou muito experiente no nicho que quero, levará um bom tempo.

Olhando tudo que escrevi, acho que fica claro para onde a balança está indo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

2016 e nova/velha casa

Ontem fiz minha n mudança de cidade na minha vida. Não foram muitas cidades na minha vida (6 em 2 estados) mas se contar as vezes que morei em cada uma, acho que dá fácil mais de 10 mudanças de cidade. Fiz as contas e acho que já mobiliei umas 3 casas nessa vida, quando achava que ia criar raízes em algum lugar. Da última eu fui mais perto. Como sabia que não ficaria mais de 2 anos, comprei apenas o suficiente para o período e que fosse fácil de me desfazer. Mesmo assim, acho que foram umas 8 bolsas/mochilas de coisa na vinda para cá. Perto de quem eu era no passado, até que foi pouco mas ainda muita coisa para alguém que tem dificuldades de criar raízes.

De uns anos para cá, após essas mudanças constantes, comecei a ver o quanto gastava dinheiro e energia com coisas que mal usaria ou que iria me desfazer em pouco tempo. A cada mudança, a quantidade de itens materiais que levava diminuía. Eu era uma pessoa extremamente materialista e hoje certamente sou bem diferente. Mas sinto que ainda preciso melhorar nisso, visto que 8 mochilas de coisas ainda é muita coisa para quem nem sabe onde estará no mês que vem.

Pois é, vim para onde estou agora de forma temporária pela terceira vez na vida, até me ajeitar. Claro que é ótimo eu ter para onde voltar nesses momentos de indefinição, mas mal cheguei e já sinto que preciso dar um rumo na vida, de modo que eu venha aqui apenas como visita.

Mas mais importante do que a questão simbólica está o fato de que depois que vc mora só, a dificuldade para se adaptar em um espaço que não é seu é muito maior. Porque ao longo dos anos, adquirimos manias e estilos de vida que podem ser incompatíveis com o de outras pessoas, principalmente sob o mesmo teto.

Por isso tudo, não penso mais em ter família como sempre pensei quando era mais novo. Não digo que não vá acontecer, mas simplesmente a ideia de compartilhar o espaço e minha vida 24 hs por dia simplesmente me assusta. Mas quem sabe do futuro?

De qq forma, o ano já começou a toda e tenho me mantido ocupado com as várias coisas que preciso resolver sem olhar muito a longo prazo. Acho que isso tem sido bom para mim, pois não tem me dado muito espaço para pensamentos negativos além, é claro, de andar com as coisas que estavam paradas.

Como resultado, acho que em breve me mudarei de novo, já que aqui onde estou é muito fraco de oportunidades na minha área. Além do mais, para andar com minha carreira acadêmica preciso voltar para onde estava ano passado ou atravesse para o outro lado de Dutra de novo. Tudo vai depender de onde eu conseguir oportunidades na minha área. A questão acadêmica vai acabar sendo o desdobramento disso, já que preciso equilibrar minhas finanças. Não para ter coisas, já que não ligo para isso, mas para me livrar do enorme passivo que me tira o sono e que limita as minhas possibilidades de carreira.

Então, o foco para 2016 é resolver isso de uma vez e tirar essa imensa bola de ferro presa na minha canela. Se esquecer obviamente que tenho que terminar até março o que comecei no passado.

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Novo ano, velhos desejos

Estava pensando e relendo o que escrevi sobre os meus desejos para esse ano de 2015 e por mais que tenha avançado em algumas coisas, não consigo deixar de me sentir frustrado. Um amigo me diz que tenho o que olhar as vitórias que já obtive mas tenho a sensação de que retrocedi.

Comecei o ano bem adiantado no meu principal projeto acadêmico e termino esse com atraso, sem uma data para finalização. Tive boas conquistas esse ano nesse campo mas na reta final perdi o gás que me moveu até mais ou menos a metade do ano. De lá para cá, andei muito pouco e não cumprirei a meta que programei. E não posso atribuir isso a fatores externos mas unicamente a mim mesmo. Simplesmente não tenho conseguido andar com as atividades e nessa fase, qualquer semana sem produzir nada pode ser fundamental. Ainda há tempo de salvar e cumprir as coisas no prazo oficial mas confesso que não consigo seguir em frente, mesmo esse prazo estando cada vez mais perto.

No lado financeiro andei bem até certo ponto mas escolhas erradas me fizeram perder o que tinha conquistado até aqui. E consegui piorar, trazendo mais obrigações para a minha vida financeira. Definitivamente não sei lidar com abundância, em todos os sentidos.

Em relação a relacionamentos até que o ano começou bem mas, quando confrontado com o que realmente quero, também voltei ao ponto onde estava no final do ano passado. A diferença marcante agora é que não sinto falta de estar com alguém. Ando remoendo histórias do passado e sentindo saudade dos tempos alegres, mas não estou com disposição para encontrar novas pessoas.

No plano familiar acho que as coisas até que fecharam o ano bem mas sinto que estou gastando energia demais e assumindo compromissos que não podem ser só meus. Além disso, na ânsia de ver as cosias bem, tenho errado na medida com que trato as coisas, muitas vezes traduzindo isso de forma verbal, machucando as pessoas.

E na minha principal meta para 2015, dei passos atrás. Me sinto muito pior do que no final do ano passado. O SOS está virando quase um remédio de uso contínuo. Me sinto derrotado toda vez que recorro a ele e isso tem sido frequente.

Se eu fosse resumir meu estado em três palavras seria: desanimado, preocupado e assustado.  Desanimado porque todo dia tenho a chance de fazer diferente e simplesmente não consigo, usando qualquer desculpa para não fazer o que é preciso. O reflexo disso é que ando maltratando meu corpo e mente. Pelo menos na questão da mente, tenho buscado forma de afastar os pensamentos negativos que me perseguem todo santo dia.

Também ando preocupado com tudo e com todos. Com a situação do país, com a saúde das pessoas que amo, com a minha saúde, física e mental. Fico analisando e vejo que gasto uma energia gigante pensando nos problemas de todos. Não que seja ruim se preocupar com quem vc ama, mas andar preocupado e vivendo mentalmente em cenários que talvez nem existam, só tem feito muito mal para mim.

E, principalmente, ando com muito medo. Medo de perder pessoas amadas, medo de enlouquecer de vez, medo de perder a vida, medo dos pensamentos em dar fim a minha vida, medo de não conseguir enxergar qual meu papel nesse mundo, medo de ir novamente à bancarrota.

É incrível como saber e sentir não estão tão ligados em mim. Eu sei tenho muitas coisas a comemorar, sei que tenho apoio sempre que precisar, sei que muitas pessoas ainda acreditam em mim. Mas não sinto essas coisas como se fossem grandes tesouros ou que deva comemorar por isso, embora meu lado racional diga que devesse. Mas sei que não funciona assim.

Acho que a principal coisa nesse ano foi meu reencontro com as questões espirituais, que tentei renegar por muito tempo, desde a primeira experiência. Tenho lido bastante sobre isso e sei que tudo o que acontece comigo são coisas que preciso vencer, que a chave para meu desânimo, preocupação e medo está dentro de mim e que faz parte da minha evolução. Acho que o fio de esperança que ainda resta em mim só existe devido a esses estudos.

Por isso, a minha lista para esse ano de 2016 é praticamente a mesma do final do ano passado. A única e fundamental diferença é que não vou conseguir sozinho. Preciso de ajuda e, após voltar ao mercado de trabalho, retornarei para a terapia. Como uma coisa depende de outra, tentarei até lá me esforçar ao máximo para lidar com tudo isso e parar de viver no medo. O medo, como muitos dizem, é paralisante e não traz nada de bom na minha vida. Talvez essa seja a maior conquista que preciso nesse ano.

Espero que o ano de 2016 seja um ano de muitas vitórias para todos nós, que tenhamos força para recomeçar sempre que retrocedermos. Que possamos não perder a fé em nós mesmos e acreditar que podemos vencer tudo. Que seja o ano do início das nossas novas vidas nessa vida.