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sábado, 2 de outubro de 2021

Culpa e viver no passado

Falei numa postagem o quanto eu gostaria de estar no presente. Eu vou passando meus dias apenas empurrando com a barriga e acho que isso acontece porque não consigo seguir em frente. Seguir em frente, na minha opinião, significa desapegar e isso para mim é muito difícil. Eu esqueço às vezes, mas não desapego.

Acho que culpa tem muito a ver com isso. A gente não consegue se perdoar e continua a carregar essa bagagem por muito tempo. Às vezes essa bagagem é tão pesada que nos impede de ir em frente e aí ficamos no mesmo lugar. Assim parece que sou eu e sou lembrado disso a cada vez que vejo como minha vida é anormal. Me questionei sobre isso em postagens anteriores sobre a relação entre não ser normal e eventuais castigos do Universo.

Semanas atrás estava vendo vídeos sobre culpa, sobre se perdoar, porque estava buscando orientação sobre isso. Tem horas que fica impossível ignorar a culpa e me bate uma angústia tão grande. Não há remédio que cure isso, no máximo me desligar por algumas horas para não sentir isso.

Essa pandemia é um inferno e para pessoas como eu tem sido mais difícil ainda. Por outro lado, estar tanto tempo isolado tem me colocado ainda mais em contato com toda essa bagagem e isso talvez possa ter seus benefícios. Ter contato com essas reflexões talvez seja uma forma de finalmente me tratar.

Não sei se foi Chico Xavier que disse, mas penso naquela frase mais ou menos assim: "não se pode fazer um novo começo, mas se pode fazer um novo fim".

Independente do contexto em que foi dita, a frase tem muito a ver com a questão da culpa e se perdoar. Infelizmente minha vida não é aqueles filmes que você acorda e vê que estava num pesadelo, tendo a chance de fazer a escolha certa dessa vez. Logo, não consigo apagar todas as escolhas erradas que fiz, isso é claro para mim. O que gostaria é de poder seguir em frente e trabalhar no "novo fim". 

Sofro tanto por causa das escolhas erradas e não consigo me perdoar. Essas bagagens alugam tanto espaço na minha mente que talvez o meu verdadeiro castigo seja conviver com elas.

terça-feira, 28 de setembro de 2021

Carma? Castigo?

Meus poucos leitores devem perceber que a frequência das minhas postagens está relacionada com minhas crises de ansiedade. Para ser sincero, não tenho tido grandes crises a ponto de pensar num SOS, mas meus dias têm alternado entre mais ou menos tranquilo e outros bem ruins.

Acho que deve ser um questionamento comum de quem tem algum tipo de doença crônica, mas tem horas que me pergunto porque isso acontece comigo. Porque não tenho a vida normal que as outras pessoas têm, como falei na postagem anterior.

Como alguém quase-espírita, sei que muitas provas que passamos nessa existência são oportunidades de aprendizado. Não acredito em castigo do Universo ou num Deus que nos pune pelas coisas erradas do nosso passado. Mas, justamente quando penso em algumas ações do meu passado, percebo que se existisse punição divina, então eu estou recebendo exatamente o que mereço. 

Não sou uma pessoa ruim, mas pessoas boas também fazem coisas ruins. Tive desvios no passado, alguns graves e outros nem tanto. Percebo que ainda cometo alguns erros que não teria coragem de contar para a minha família. Se eu fosse corajoso em me mostrar como sou, certamente seria "cancelado" em uma semana. Mas eu sou um grande covarde.

Se existisse carma ou castigo divino, seria mais fácil explicar porque nenhuma mulher se interessa por mim. Talvez eu mereça nunca mais ter alguém na minha vida. Talvez pagando eu consiga beijar alguém de novo, mas, nas poucas vezes que recorri a isso, me senti a pessoa mais merda do mundo.

Não sei se tenho amigos. Sei que tem pessoas que gostam de mim e me ajudariam se eu pedisse. Mas acho que amizade é mais que isso. O fato é que ninguém se lembra de mim e, se existisse carma ou punição divina, eu mereço mesmo estar esquecido.

Não sei nem se mereço a família que tenho. Mas talvez eu seja o "carma" deles.


domingo, 26 de setembro de 2021

Ser normal

Falei na postagem passada sobre o tal "novo normal" que virá quando a pandemia acabar, mas tenho pensado no ser "normal", algo que parece tão distante pra mim. 

Vendo meus colegas de faculdade, pessoas com quem tive contato e mesmo familiares da minha geração, sei que posso ser tudo, menos uma pessoa normal. Claro que as pessoas geralmente só contam as parte boas das suas vidas, mas o que eu tenho?

Pessoas com quem estudei há 20 anos atrás hoje tem bons empregos e famílias. Essas eram coisas que sonhei lá atrás, mas não tenho nada disso hoje. Enquanto meus colegas têm empregos fixos, eu faço minhas atividades como autônomo, sem horas normais de trabalho e nem coisas básicas, como férias, cargos e até salário. Enquanto meus colegas irão acordar amanhã para ter mais um dia de trabalho, eu irei acordar tarde, porque não consigo dormir cedo, e vou enrolar até não conseguir adiar mais minhas atividades.

Enquanto meus colegas terão seus compromissos durante o dia, eu estarei com meus pensamentos obsessivos e arrumando algo para distrair a minha mente, já que o trabalho infelizmente não me propicia isso. No final do dia, meus colegas pararão seus trabalhos e irão fazer algo, como exercícios físicos, algum curso ou ficar com suas famílias.

E eu?

Eu estarei ainda com meus pensamentos obsessivos, fazendo alguma atividade que não consegui fazer durante o dia porque estava tentando me livrar desses pensamentos. Enquanto meus amigos estarão curtindo suas famílias ou indo dormir, eu estarei enrolando com coisas que só são úteis para me fazer esquecer da minha vida e dos meus pensamentos.

Claro que eles têm suas chateações, mas provavelmente deixam elas de lado em pouco tempo ou desabafam com suas esposas/maridos. Eu não tenho ninguém além desse blog, já que certas coisas não consigo nem compartilhar com minha psicóloga e ela vai me lembrar do medicamento que o psiquiatra passou.

Passarei mais um dia assim, sendo perseguido por esses pensamentos que ficam ainda mais ativos quando tenho um incômodo qualquer, como uma dor de cabeça. E tenho tido tantos incômodos que tem horas que penso: "foda-se, se Deus quiser me levar, que me leve".

Enquanto meus amigos estarão fazendo sexo com suas esposas ou namoradas, eu estarei pensando em como minha vida é uma droga e tentando descobrir quando tudo começou a dar errado para mim. Fico pensando que enquanto as pessoas têm o fluxo normal conhecer-namorar-casar, eu mal tive o conhecer-namorar e não sei o que é estar com alguém há 5 anos, mesmo casualmente. Sei lá se um dia vou ficar com alguém novamente sem pagar por isso.

Por que não sou normal e não tenho a vida como as outras pessoas? 

Postagem já ficou grande, continuarei em outra...

terça-feira, 21 de setembro de 2021

O novo normal

Irei tomar a segunda dose da vacina nos próximos dias e com isso ando mais ansioso. Quando saio para caminhar, ainda vejo mais gente com máscara do que sem, mas em muitos locais parece que a pandemia acabou faz tempo.

Com o andamento da vacinação, já rola uma certa pressão para encontros de todos os tipos. Para mim, que não entro em local fechado desde janeiro,  já estou ficando tenso porque não terei mais argumentos para continuar sem ir aos locais. Não que eu ache que a situação estará bem tranquila em novembro (não estará), mas acredito que serei um dos poucos que ainda usarão máscaras e evitarão aglomerações.

Por outro lado, estou tão cansado disso tudo. Toda vez que saio para caminhar fico desviando de pessoas sem máscara. Quando faço compras, sempre faço uma operação de guerra pra receber as compras aqui. Também não aguento mais terceirizar a escolha dos produtos que eu compro. 

Terei um evento familiar daqui a dois meses e já estou sofrendo com isso. Não pelo evento em si, porque serão pessoas que sei que se cuidam, mas porque o deslocamento até lá implica em eu estar em local fechado por umas oito horas.

Fico pensando como será quando entrar num ônibus ou metrô de novo. Se já fico tenso só em cruzar com gente sem máscara na rua, imagino como será num transporte cheio de gente. Aqui onde moro quase todas as restrições já caíram, acho que só restam as máscaras. Acredito que serei uma das últimas pessoas que abandonarão todos os cuidados. 

Além disso, com o "fim" da pandemia, alguns prazos voltarão a correr e isso tudo me deixa tenso. Tenho mais um ano para terminar meu maior projeto atual e isso é bem pouco tempo, ainda mais porque andei muito pouco nos últimos meses.

Tenho me esforçado para andar umas duas vezes por semana para perder um pouco o receio. Depois da segunda dose, acho que tentarei entrar em algum mercado ou pegar ônibus. Tenho alguns exames para fazer e acho que aproveitarei isso para voltar a ter contato com o mundo. Mas tudo isso me deixa tenso, pois o receio de pegar essa maldita doença ainda existe.

Mas o que mais me deixa tenso é porque sei que não poderei fugir pra sempre. Deveria comemorar que falta pouco, mas esse não sou eu.



terça-feira, 24 de agosto de 2021

Onde eu mais queria estar

Normalmente, quando penso onde eu mais gostaria de estar nesse momento, me vem à cabeça estar junto da minha família. Por outro lado, se considerarmos não apenas o espaço, esse seria o segundo local. Porque, antes de tudo, onde mais eu queria estar é no agora.

Desde cedo, minha vida tem sido pensar em estar em outros pontos no tempo-espaço além do que estou no momento. Seja uma vida onde eu não tenho dificuldades materiais ou numa em que sou amado e respeitado por todos. Geralmente eu pensava, ou penso, na junção dos dois cenários. Me pegava sonhando acordado com uma vida assim e passava muito tempo sorrindo ao imaginar como a vida seria boa quando isso tudo acontecesse.

Mas aí a vida passou, parece que muito rápido, e nada disso aconteceu. Tenho pessoas que me querem bem, é verdade, mas, fora a família, são raras as que realmente me procuram para perguntar "como você está?", sem ser daquela forma protocolar tão comum nessas comunicações virtuais durante a pandemia.

Não tenho amigos com quem conversar, pessoas com as quais sentamos e discutimos grandes questões da vida ou simplesmente paramos para rir de uma bobagem qualquer. Não culpo as pessoas, elas têm sua vida para cuidar e muitas cansaram de me procurar e levar uma resposta evasiva para um convite qualquer.

Aqueles sonhos de eu ser o centro das atenções, que todo mundo quer estar perto, nunca aconteceu além da minha mente.

Também não sou amado por mulher nenhuma. Já até fui, mas joguei tudo fora porque simplesmente canso fácil das coisas e das pessoas. Por mais que eu seja gente boa, isso não é suficiente para que mulheres se atraiam por mim. Aquele papo de "não importa a beleza, quero alguém legal e inteligente" é um dos grandes mitos dos relacionamentos. Como não sou bonito, não atraio as mulheres para conhecerem o que tenho de bom.

Assim como o Ted Mosby, de How I met your mother, sempre me vi sonhando em encontrar a "certa" para mim. Mas já são 43 anos de vida e eu nunca a encontrei  além da minha mente.

A vida de sucesso material virou dívidas de milhares de reais. Contando pessoa física e jurídica, eram cerca de 80 mil reais há uns dois anos atrás. Agora é menos da metade disso e o meu maior sucesso será quitar tudo antes dos 45 anos. Viva!

Assim, a vida de carro, viagens e casa grande nunca aconteceu além da minha mente.

Também não sou admirado por ninguém por minhas competências. Quando era mais jovem, o meu único destaque era ser o melhor aluno da turma. Era péssimo nos esportes, horrível nas artes e nem era bom de papo. Logo, a única coisa que me restava era ser o inteligente. Mas, durante e depois da faculdade, em tudo o que fiz, eu sempre fui o pior entre os melhores. Poderia ver isso como o copo meio cheio, mas nunca enxerguei assim.  A "admiração" que as pessoas têm por mim não tem nada a ver com a minha competência intelectual, mas por minha capacidade de ser um bom carregador de piano. Para elas, é para isso que sirvo.

Então, a vida em que sou admirado porque sou um gênio nunca existiu além da minha mente.

Passei toda a minha vida pensando num futuro que nunca aconteceu e perdi o bem mais precioso que Deus nos dá: o agora.  Tenho certeza que desperdicei oportunidades de ter histórias para contar, quem sabe até cruzei com a certa por aí. Mas a vida passou e agora não sinto forças para correr atrás de tudo isso. Acho que pareço aqueles times que se entregam aos 35 do segundo tempo.

A idade chega para todos e temo como serão os próximos anos da minha vida. Porque agora, além do tempo que eu perco imaginando um futuro feliz, ainda gasto tempo me lamentando com o passado que fiz tudo errado. O passado não podemos consertar, já foi, mas não consigo me livrar dele.

Eu invejo as pessoas que conseguem viver o dia de hoje. Sei que Deus tem me dado diariamente novos "agora", mas simplesmente eu não consigo. E a vida continua passando muito rápido, as oportunidades são cada vez mais escassas e o corpo e mente parecem não funcionar como há cinco anos atrás. Cada dia isso parece mais claro, quando vejo que até minha capacidade de aprendizado está diminuindo.

Ainda assim, queria simplesmente ignorar tudo isso e viver a única coisa que tenho certa: o agora.




domingo, 25 de julho de 2021

Voltando a fazer planos

Quando estava no pior das minhas crises nesse ano, eu tentava me animar pensando: "depois disso sempre veio a calmaria. por que agora iria ser diferente?". De fato, depois de uma época muito ruim, parece que as coisas andam mais calmas por aqui.

Não que esteja feliz ou livre de todos os meus pensamentos obssessivos. Na verdade, eles ainda estão bem presentes em mim. A diferença é que estou evitando a todo custo qualquer coisa que pode gerar um gatilho, como ter contato com qualquer pessoa nesta pandemia. Se não tenho contato, a chance de infectar é muito pequena. 

O risco existe apenas nos momentos que preciso receber alguma compra. Não vou a mercado desde janeiro e só recebo compras em casa, mesmo pagando mais caro e nunca vindo os produtos que realmente comprei. Mas nem pra isso tenho ligado, to mais preocupado no possível risco ao receber as compras. Então, uma vez por semana fico tenso com o risco mínimo e me sentindo mal por manter uma certa distância ao receber o entregador aqui. 

Outro ponto que contribuiu para essa calmaria foi a vacinação. Tomei a primeira dose e, mesmo sabendo que precisa das duas doses, isso me tranquilizou um pouco.

Acho que o que tem me animado mais é que estou conseguindo andar com as minhas tarefas, mesmo não dedicando oito horas por dia. Estou conseguindo entregar muita coisa e também recebendo por isso. Com isso, estou pagando dívidas e agora já começo a ver o fim da imensa dívida que adquiri nesses anos todos de falta de cuidado financeiro.

Acredito que até 2023 eu zero tudo, tanto na pessoa física quanto na pessoa jurídica. Para quem achava que só ia conseguir terminar de pagar tudo depois dos 50, já é uma grande vitória.

Com isso, e com certa calma com que ando, tenho pensado no futuro. Tanto em procurar saber mais sobre investimentos quanto em desenvolver projetos que possam me garantir alguma renda no futuro.

Para quem andava sem esperança alguma, já e algo a se comemorar. Espero continuar disso para melhor.



segunda-feira, 7 de junho de 2021

Madrugada com crise de ansiedade

Tenho tido crises de ansiedade, mas faz tempo que não acordava na madrugada tendo uma. 

Sempre tenho colocado algo pra ouvir enquanto tento dormir, geralmente áudios relaxantes. Hoje estava ouvindo um áudio da Louise Hay. Sei que cochilei durante o áudio, mas era aquele cochilo que você vai acordando.

Aí acordei de vez, comecei a pensar na dor que sinto em um dos lados da face e fiquei nervoso, me questionando se seria sintoma de covid. Sábado recebi compras aqui e, mesmo tomando todos os cuidados, sempre fico martelando o pensamento que posso ter falhado em algo e ter me contaminado.

Uma coisa puxa a outra e começo a ter crise de ansiedade que me deixa mais nervoso, a dor aumenta e fico observando cada sensação que aparece no corpo. E nessas horas são muitas. Dores gerais, respiração mais rápida, pernas tremendo e tudo piora.

Fico mais nervoso ainda porque sei que não tenho nenhum SOS aqui e hoje com certeza tomaria. 

Enquanto corro pra cá para escrever numa tentativa de botar para fora e passar o tempo, meu pensamento fica alternando entre medo de covid e dúvidas se essas dores não são apenas questões de má postura ou mesmo tensão que anda alta nesses dias.

Fazia tempo que não tinha crise de ansiedade nesse nível. Preciso arrumar um jeito de ter um SOS aqui.