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domingo, 21 de março de 2021

Desgostoso com tudo

Nenhum dia tem sido bom nos últimos meses, mas hoje é daqueles dias que não estou com prazer em nada na minha vida.

Já tem uns 3 meses que estou com problemas gastrointestinais. Ainda tenho alguns exames para fazer, mas o último gastro acha que é a tal síndrome do intestino irritável. O fato é que ando com medo de comer qualquer coisa e perdi uns 6-7 quilos desde dezembro. Eu já vinha fazendo dieta antes, comendo melhor e evitando as porcarias que eu gosto. Desde outubro do ano passado, perdi uns 12 quilos. 

Embora a primeira parte da perda de peso tenha sido da maneira que eu entendo saudável, a segunda está bem acelerada porque estou comendo muito menos. Nas últimas duas semanas, por exemplo, minha alimentação tem sido arroz e legumes (sou vegetariano), com frutas e torradas entre as refeições principais. 

Quando me toco disso tudo, percebo que nem para comer estou tendo prazer. Comi um chocolate há duas semanas e passei muito mal. Aí tenho evitado tudo o que acho que pode me fazer mal, me alimentando só com essa alimentação de hospital. Pelo menos comecei acompanhamento de nutricionista para melhorar isso. Os exames devem mostrar que estou com deficiência de vários nutrientes. 

Meus dias tem sido assim ultimamente. Comendo por obrigação, dormindo mal e passo triste o dia todo. Saudade imensa da minha família, abro as notícias e fico arrasado com cada coisa que leio. Fora alguns momentos que assisto alguma coisa para tentar esquecer de tudo, minha rotina tem sido quase completa de momentos desgostosos.

Queria ao menos poder sair de casa. Quase não pego sol e a última caminhada foi em janeiro. Ou seja, estou com todos os ingredientes para afetar ainda mais a minha saúde mental.

Pelo menos busquei ajuda. Marquei uma primeira consulta com uma psicóloga nesta terça. Não estou com dinheiro sobrando para mais esse gasto, mas preciso achar uma saída para o que acontece comigo.     

domingo, 7 de março de 2021

O medo de perder tira a chance de vencer

Meu estado de medo não se limita a questões de saúde, embora isso esteja bem em alta nessa pandemia. Olhando toda a minha história de vida, sempre fui um medrosão mesmo. Medo do que? Bem que gostaria de saber, pois quem sabe eu lidaria melhor com as situações da vida. No entanto, de uma coisa tenho certeza: esses estados de medo sempre me fizeram perder muito na vida. Ou, olhando de outra forma, deixei de ganhar. Sabe aquele time de futebol que não se arrisca para ganhar e acaba perdendo quase sempre? Esse sou eu na vida.

Aproveitando uma lembrança que tive nessa semana e uma pergunta do meu amigo Skull, vou limitar a minha escrita ao medo no que se refere a assuntos com mulheres. Sim, não tenho muitas histórias de relacionamentos com mulheres porque também são um medrosão no que se refere a elas. Com mais de 40 anos de idade, tive 3 namoros sérios, mais alguns relacionamentos de uma noite até a alguns meses. Se eu for contar quantas mulheres beijei na vida, acho que não chegou a 15. Mas quantidade não é problema, o que importa é qualidade. Pode ser, mas vamos ver de outra forma: tem pouco mais de 4 anos que não fico com ninguém. Quatro anos sem ao menos beijar alguém. Isso ainda te parece normal?

Esse meu medo de mulheres vem desde a época da escola. Apesar de não ser o cara que mais despertava a atenção das colegas, não posso afirmar que nunca tive minhas oportunidades de deixar de ser "bv" antes dos 15 anos. Lembro de pelo menos duas oportunidades de ter ficado com colegas de escola ainda bem novo. Com uma delas, a gente passava se olhando o tempo todo mas eu nunca tive coragem de me aproximar dela. Tempos depois, com outra menina, eu tomei meu primeiro fora da vida. Acho que eu tinha 12 anos e, como não tinha coragem de me declarar a menina que gostava, um amigo fez a consulta. Lembro que doeu a resposta "ela disse que só quer ser sua amiga".

Tempos depois veio a história com a menina que lembrei nessa semana. Eu tinha quase 14 anos e já estava em outra escola. No primeiro dia de aula da oitava série (hoje chama de 9o ano), eu estava esperando dar o sinal para entrar na escola e troquei uns olhares com uma menina que já tinha tido algum interesse no ano anterior, mas ela tinha namorado na época.

Quando descobri que ela não estava mais namorando, comecei a ficar bem interessado nela. E ela parecia corresponder, pois sempre trocávamos olhares no recreio ou antes de entrar na escola. Essa menina foi a primeira por quem me apaixonei. Lembro que ficava nervoso, pois éramos de séries diferentes e eu não sabia como falar com ela. Também não conseguia conversar com nenhum amigo sobre isso, não sei porque. Acho que ainda hoje tenho esse problema de dizer a alguém que estou interessado em fulana de tal. 

Passei todo o ano tentando imaginar algum jeito de me aproximar dela. Ficava escrevendo cartinhas, ensaiando algum jeito de falar com ela ou pedir ajuda a alguém. Uma vez, já perto do final do ano, estava chovendo no recreio e todos os alunos estavam dentro do prédio da escola. Teve um momento que eu estava no corredor, sem meus amigos, e do outro lado estava ela, também sem as amigas. Ficamos nos olhando por vários minutos e aqueles cinco metros de distância pareciam quilômetros. Bastava eu atravessar o corredor e falar com ela. Apenas isso e eu não consegui. 

Acabou o ano e eu lembro de ter sofrido muito, porque sabia que tinha perdido a chance, já que eu mudaria de escola e ela não. Minha prima, que estudava na mesma escola e era do mesmo ano da menina, já sabia da minha paixão, mas nunca pedi ajuda a ela. Porque eu não sei. Bastava eu pedir e minha prima falaria com ela, ou nos apresentaria.

Como a cidade é pequena, a vi outras poucas vezes, mas já tinha passado minha chance. Anos depois,  eu mudei de cidade e minha prima contou que a menina tinha engravidado. Lembro de ter ficado triste na época, mas eu já estava em outra. 

Contei essa história longa porque eu sinto que minha vida teria sido muito diferente se eu tivesse tentado algo com a menina da escola. Tive alguns relacionamentos depois, mas nada que fosse algo fácil. Sempre eram histórias longas, que eu demorava muito tempo para tomar a iniciativa. Apenas uma vez foi diferente: fiquei com uma moça desconhecida num ônibus durante uma viagem.

Vira a mexe eu relembro dessa história da escola, me lamentando por não ter atravessado o corredor naquele dia chuvoso e me apresentado à menina que eu gostava. Acho que eu teria sido uma pessoa diferente se tivesse tido essa experiência naquela época. Outros casos semelhantes aconteceram comigo, em vários momentos da minha vida. Uma vez, numa balada em Goiânia, uma mulher claramente deu o sinal verde para eu me aproximar e eu não consegui ir até ela. Nesse caso, eu já não era mais um menino de 14 anos, mas um cara de 38.

Não acho que a quantidade seja realmente algo relevante. Mas me dói tanto não ter vivido todas essas experiências que eu tive realmente a oportunidade. Seja para um namorico de adolescente, uma ficada de balada ou uma noite de sexo. O medo do fora e da decepção me tiraram a chance de ter vivido histórias bem legais.

Tenho tido a sensação de que minha vida acabou, de que não terei mais chance de ter essas experiências. Em outros momentos, penso em fazer diferente quando essa pandemia acabar e viver a vida, com todos seus ônus e bônus. 

 Será que eu atravessarei o corredor dessa vez?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Copo meio cheio ou meio vazio?

 Às vezes faço as minhas reflexões e penso: "isso daria um bom post", mas aí deixo para escrever depois e nunca escrevo. Esqueço que o blogger tem aquela função de agendar publicação e perco oportunidades boas de colocar no papel certas coisas que penso. Então, essa postagem não é uma daquelas que venho chorar minhas dores em um momento de ansiedade. Entretanto, também não será uma postagem alegre, ou até pode ser, dependendo de como se vê o copo.

No ano passado, num daqueles momentos da pandemia que a carência bate mais forte, reinstalei o Tinder. Acho que nunca fiquei com mulher que conheci no aplicativo. Mas deixo para colocar minhas teorias outro dia, se eu lembrar de escrever.

Não sou daqueles que conseguem muitos matches, mas às vezes aparecem alguns interessantes. E aí conheci uma mulher bem legal, muito mais nova do que eu, mas bastante madura. Super inteligente, engraçada e atraente fisicamente. À primeira vista, talvez eu tivesse passado o perfil dela para esquerda, mas, como eu cheguei a assinar o pacote do app por um mês, consegui ver quem tinha me curtido. Então a encontrei, aluna de mestrado no mesmo local onde faço meu doutorado. 

Se eu tivesse esbarrado com o perfil dela naqueles pontos que vc está apenas passando as fotos, talvez não a tivesse curtido. Mas quando vi que ela me curtiu e li o que ela escreveu na bio dela, pensei: "por que não conhecer?".

Isso foi em abril/maio do ano passado e, embora não tivéssemos nos encontrado pessoalmente, tive bons momentos com ela. Gosto de pessoas que me fazem sentir desafiado intelectualmente e ela é uma dessas pessoas, que me mostram que não sou tão inteligente quanto minha arrogância me faz supor. Enfim, tive com ela muitas afinidades.

Mas aí, e isso sempre acontece, quando sinto que a pessoa está ficando muito interessada em mim e eu não estou na mesma sintonia, começo a desanimar da pessoa. Embora eu estivesse atraído fisicamente por ela e era uma chance certa de "sair da seca", um lado meu fica martelando que não vale a pena  iludir uma pessoa por muitos meses apenas para ter um sexo bom. Talvez, se ela não estivesse tão interessada na minha pessoa e sim em diversão, eu não tivesse desanimado tão rápido.

Infelizmente não era o caso, ela é uma pessoa que se apega fácil e, convenhamos, eu sou uma pessoa legal, o que parece estar em falta no mundo masculino. Então acho que juntou o fato de possivelmente estar iludindo alguém com o meu receio de relacionamentos sérios. Se fosse analisar friamente, ela seria uma pessoa perfeita para estar junto: muito inteligente, engraçada, carinhosa e atraente fisicamente. Mas, infelizmente, não é assim que as coisas funcionam.

Então eu comecei a fazer o que faço sempre: fiquei cada vez menos disponível para conversas no whatsapp, dando as clássicas desculpas de que estou trabalhando muito. Sim, eu sempre estou trabalhando muito, mas encontro tempo para romances quando quero.

Como pessoa inteligente que ela é, logo percebeu de que eu não estava mais tão afim assim. Então passou a se comportar do mesmo jeito, respondendo pouco minhas mensagens e cada vez com menos contato. Como a gente se segue no Instagram, não foi um sumiço total, mas apenas aquelas interações protocolares de rede social.

No final do ano, ficou mais claro porque ela demorava a responder uma mensagem mais simpática minha: ela estava namorando. Isso sempre acontece, as pessoas cansam de esperar por mim e seguem suas vidas. Não as culpo.

Fui ver o perfil do cara na época, e fiz isso hoje de novo, e meu despeito logo apontou: "ah, sou mais atraente fisicamente do que ele". Mas, passada essa pobreza de pensamento trazida pela vaidade, logo vem a constatação: atraente ou não, é ele que está com ela. 

Ao ler as postagens dele fica fácil de entender porque ela está com ele. O cara é muito interessante mesmo. Ele parece, digamos, do mesmo nível intelectual dela e alguém com a vida mais "arrumada". Alguém que considero muito melhor do que eu.

Então, e aí está o copo meio cheio da questão, vem o pensamento de que no fim foi melhor assim. O cara é muito mais adequado para ela, pois penso que logo ela perceberia o quão fútil eu sou. Além disso, eu nunca teria me arriscado na pandemia a estar com ela, o que para meu "rival" não foi problema. Eles parecem bem compatíveis e eu não me sinto compatível com ninguém. Sempre acho que não presto para ninguém e, passados aqueles 30 minutos de empolgação comigo, as mulheres vão ver que não tenho mais nada a oferecer.

Continuo só, sem ter alguém tem muito tempo, e ela tá com um cara super bacana. Melhor assim.




terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Luz no fim do túnel?

 Estava conversando com duas pessoas diferentes esses dias e para as duas eu disse a mesma coisa sobre o fim dessa pandemia: já não é mais questão de "se" mas "quando". De fato, mesmo com os atrasos de vacinação, graças aos governantes incompetentes, a coisa está andando e já conto os dias para ver familiares mais velhos sendo vacinados. Para mim, que não sou grupo de risco e to na faixa dos 40, acredito que só no segundo semestre.

Nesses tempos que a questão emocional anda tão mal, tenho me "alimentado" de notícias boas que possam me trazer alguma esperança. Olho diariamente os números de vacinação nos países e fico animado quando vejo que em alguns a coisa começar a ter controle. No Brasil, a questão da disponibilidade de vacinas começa a andar e entendo que no meio do ano estaremos com boas perspectivas.

Procuro me cercar dessas notícias porque tudo tem sido muito ruim para mim. Qualquer dor já vira um caos emocional, não consigo fazer mais nada durante dias e tudo fica pior ainda.

Até o final de novembro eu estava "bem", caminhando quase diariamente, faço exercícios em casa e andando com as minhas atividades. De lá para cá, assim como a pandemia no Brasil, a coisa degringolou. Toda semana sofro com algum sintoma físico, não faço exercícios e to dormindo muito mal. O único ponto no meu corpo que parece indo bem é o meu peso: de outubro para cá perdi cerca de 11 quilos, acho que uns 4 no último mês. Não estou deixando de comer, apenas comendo menos e tentando não comer porcaria. 

Mas todo dia fico com um sentimento tão ruim, uma angústia às vezes tão grande. Aí trabalho pouco, não faço exercícios, durmo mal e quem paga é meu corpo. Aliás, nesse ponto, acho que uma coisa alimenta a outra: sinto qualquer mal estar no corpo e isso vira um gatilho para meu estado emocional desabar. 

Até quando isso?

Mesmo que a vacina demore a chegar para mim, acessar essas notícias de vacinação representa, de certa forma, a crença de que uma hora vou ver a luz no fim do túnel para mim também.



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Dois anos sem alprazolam

 Meses atrás, quando imaginava com esse dia, achei que escreveria um texto super animado, de esperança, de que dá para vencer a ansiedade sem recorrer a esses remédios. Embora a meta tenha sido alcançada, não há o que comemorar. Sim, hoje tudo o que eu queria era esse remédio para me acalmar.

Desde o início de dezembro eu venho piorando cada dia mais. Começou com uma diarreia e passei dias achando que estava com covid. Depois seguiu-se uma prisão de ventre e dores constantes na região abdominal. 

Ao mesmo tempo, começou a me bater uma tristeza muito grande e raiva de tudo. Me sentindo mal comigo mesmo, com o mundo, com essa situação em que vivemos. Triste por não poder estar com a minha família e muitas vezes me sentindo sem esperança, ao perceber que ainda vou demorar muito a estar com eles. Por várias vezes fiquei chorando de madrugada, com muita saudade da minha família.

Minha produtividade,que andava tão bem nos últimos meses do ano, também piorou. Estou demorando muito para terminar as tarefas e agora tudo está atrasado de novo. Todo dia durmo e acordo estressado com os prazos que não estou cumprindo e como estou colocando tudo a perder de novo.

Minha rotina de exercícios acabou. Desde a diarreia em dezembro, em que achei que poderia estar com covid, e com o aumento dos casos no fim do ano, estou com medo de sair. Eu, que caminhava quase todo dia em novembro, só fiz uma caminhada nesses últimos dois meses. Algumas saídas esporádicas para mercado, mas sempre com muita tensão e medo de ser infectado. Até para pegar sol no quintal (moram outras pessoas no terreno) não tenho saído.

Tenho dormido muito mal, muitas vezes dormindo pouco ou indo dormir de manhã e acordando tarde. A hora de dormir na maior parte das vezes tem sido bem difícil.

Com isso tudo, não tem dia que não sinto alguma dor no corpo. Dores abdominais, geralmente do lado inferior direito são constantes. Dores nos braços, na cabeça, também aparecem sempre.Até tento pegar um peso, mas aí quando alguma parte do corpo dói demais no outro dia, meus planos de rotina de malhação vão embora.

Semana passada fiz uns exercícios de peito e, dois dias depois, sentia uma dor muito chata no peito esquerdo. Passei uns 3 dias atento a qualquer sinal do corpo e pesquisando novamente os sintomas de quem tem infarto. Isso passou tem uns dias.

Ontem senti meu coração acelerado e hoje senti meus braços queimando, e um ponto especial do meu ombro doía muito quando eu apertava. Minha cabeça fica entre possíveis sinais de um problema grave e tentativas de convencer a mim mesmo que isso são reflexos de má postura de quem tem usado muito o notebook na cama ou sinais físicos de um desgaste emocional muito grande.

Além de todos esses sinais, ando muito irritado. Estou me aborrecendo facilmente com todas as pessoas  com quem desenvolvo alguma atividade. Tudo é motivo para eu ficar bravo e acho que as pessoas já perceberam que não ando nada simpático e dócil como sempre sou. Os apartes que tenho feito nas reuniões têm sido sempre de maneira a reclamar de algo ou alguém. E quando eu imagino que as pessoas estão percebendo esse "novo" eu, fico me sentindo culpado depois e querendo ser uma pessoa melhor.

Antigamente, eu fica recorrendo ao vick para sentir aquele cheiro relaxante. Por conta das dores musculares, comprei aquelas pomadas que ultimamente só tenho usado para sentir o cheiro da cânfora.

Sintomas físicos e emocionais que me fazem lembrar dos piores dias. Eu, que achei que estava livre disso tudo, parece que "acordei" para o eu ansioso, que não consegue ter mais controle de nada. Juro que se tivesse alprazolam aqui eu teria tomado. Pensei nele mais de uma vez nessa semana.

Amanhã tenho consulta em que pedirei exames de rotina, já que passei dos 40 e tem um ano e meio que não faço. É bem capaz de eu pedir a médica receita de um tarja preta. Não queria me sentir derrotado, de perder esses dois anos de conquista, mas tá cada dia mais difícil.

E o que me assusta mais é que não vejo perspectiva de melhora, porque o cenário externo tende a ficar igual ou pior nos próximos meses A diferença é que já são 12 meses sem ver família, quase um ano sem abraçar ou apertar a mão de alguém e quase um ano sem sair nem do meu bairro. 

Queria vir aqui nos dois anos sem alprazolam e contar histórias de esperança, mas to me sentindo tão mal...







sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

A vida que eu sonhava

 Num atendimento nessa semana me perguntaram se o que eu vivo hoje é a vida que eu sonhava quando era mais novo. Nem de longe. 

Mas não é a falta de dinheiro que me faz lamentar a vida que levo hoje. 

Só queria ser uma pessoa normal, sem as loucuras que me cabeça cria e que não me deixam ter um dia de paz. Como deve ser bom estar em paz, vivendo exatamente o dia presente, rir sem ter vergonha dos próprios dentes, comer sem ter medo de passar mal ou engordar, não passar os dias sem ter medo da morte..

Como deve ser bom aceitar a si mesmo e não ter vergonha de se mostrar ao mundo.

Que esse ano maldito passe logo e eu possa estar com a minha família. Que Deus me dê a chance de estar com eles novamente.

Essa é a vida que eu sonho agora, nada mais.



sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

Quase um ano sem ver a família

No início de fevereiro completarei dois marcos importantes, um motivo de comemoração enquanto outro motivo de muita tristeza. No próximo dia 11 serão dois anos sem recorrer ao alprazolam ou rivotril. Desde que comecei a ter crises de ansiedade, há 11 anos atrás, nunca fiquei tanto tempo sem recorrer a esse tipo de remédio. Motivo de comemoração, sem dúvida.

Por outro lado, mais ou menos na mesma data, será um ano que não vejo a minha família. Para estar com eles, teria que me deslocar muitas horas dentro de um ônibus, o que é muito arriscado na pandemia, especialmente porque as pessoas não seguem uma recomendação tão simples, como o uso de máscaras.

Tem as chamadas em vídeo, claro. Mas nada substitui o abraço, o beijo. E quando vejo que minha vez de ser vacinado vai demorar muito, sei lá se antes de agosto, me bate um desespero tão grande. Eu alimentava a esperança que começaríamos a ter um fluxo bom de vacinação nesse início de ano, mas é algo que vai demorar muito, graças aqueles que colocam seus interesses acima do coletivo. 

Saber que vou demorar muito mais a vê-los me deixa tão mal, mas tão mal, que tem horas que me questiono se não valeria a pena arriscar. Cada hora que penso que pode acontecer algo comigo ou com eles, eu fico desesperado e penso em ir logo, mesmo com todo o risco que isso significa. E aí eu me acho idiota, porque por um dia lá no início eu poderia ter ido mas fiquei com medo de ser contaminado. Aí as viagens entre nossos estados foram suspensas e quando voltou, em maio, o risco era muito maior.

Eu to tão mal, mas tão mal, que acho que só estando com a minha família eu teria condições de suportar essa fase. Tento manter um alto astral quando estou nos compromissos profissionais mas, fora deles, quando me encontro apenas comigo mesmo, só o que tem é tristeza e angústia. Aí choro de saudade, meu stress se manifesta em dores por todo o corpo e tudo fica pior. 

Uma coisa alimenta a outra, pois a dor ativa minha atenção plena para aquela sensação e voltam os pensamentos de que posso estar muito doente, que posso morrer e nunca mais estarei com eles. Esses pensamentos me dominam, não consigo fazer mais nada do que tenho para fazer e tudo fica atrasado. Os cuidados com a casa, comigo, com minhas tarefas profissionais e acadêmicas...

E fico nesse ciclo por dias, cada vez pior. Tristeza, mau humor, irritação com qualquer notícia que leio e meus dias ficam uma merda, como estão há muitas semanas.

Sabe o que é pior? A falta de perspectiva de melhora. Estou sem esperança. Vou cumprir os dois anos sem tomar o SOS, mas tem horas que só queria dormir e só acordar quando tudo isso passar. Ou pelo menos ter algumas horas de paz comigo mesmo.